Raio-XIS visita em pormenor Gwyn Ashton

O “consultório” de hoje trás “one band man” Gwyn Ashton.  O lançamento do seu álbum a solo “Solo Elektro” criou a oportunidade para uma “conversa” online e respostas ao nosso Raio-XIS por forma a conhecermos ou reconhecermos melhor o músico.

Esperamos que gostem.

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1. Qual o seu percurso musical?

Acho que nasci para ser um músico itinerante. Cresci na estrada, e aos 15 anos já tinha mudado de casa 28 vezes e de escola 21 por toda a Austrália. Conheço bem a estrada! Toquei em muitas bandas com grandes músicos, uns famosos outros nem tanto. O importante foi ter crescido e me ter tornado melhor naquilo que faço e encontrar a minha voz no meio de tudo; ser reconhecido após tocar apenas algumas notas é o meu objectivo a longo prazo.

Eu e a minha família mudámos-nos para o Reino Unido na década de 60. Comecei a tocar guitarra aos 12 anos em Whyalla, Sul da Austrália. Mudámos-nos para a cidade de Adelaide, entrei numa banda e 8 anos depois mudámos-nos para Sydney. Durante os 7 anos em Sydney toquei em várias bandas como o ex cantor dos Easybeats Stevie Wright e o Swanee, irmão do Jimmy Barnes dos Cold Chisel. Quando nos mudámos para Melbourne formei as minhas bandas e toquei com o antigo vocalista dos Master’s Apprentices, Jim Keays. Gravei em dois dos álbuns dele e 5 anos mais tarde mudámos-nos para o Reino Unido onde estou agora em turnê. Na Austrália tive grandes momentos em palco com artistas como o Mick Flettwood e abri concertos para muita gente incluindo o Junior Wells e o Rory Gallagher.

No final da década de 90 assinei com a Virgin Records em França e dei uns grandes espectáculos por toda a Europa com artistas como o Buddy Guy, BB King, Ray Charles, Van Morrison, Robin Trower, Mich Taylor, Peter Green e tantos outros. Toquei em todos os palcos do Reino Unido com os Status Quo, incluindo Wembley. Depois gravei com a banda do Rory Gallagher no meu álbum ‘Fang It!’ e uns anos mais tarde gravei o ‘Prohibition’ com o Chris Glen, Ted KcKenna e Don Airey. A seguir foi o ‘Radiogram’, onde o Don também tocou com o Kim Wilson, Robbie Blunt e Mark Stanway ex Fabulous Thunderbirds, Phil Lynott e Robert Plant. Uma senhora lista de géneros para um só disco.

Ao longo dos anos toquei de improviso com o compositor dos Cream, o Peter Brown na cave dele no norte de Londres, em Los Angeles com os BB, com o baixista da Aretha Franklin Jeery Jermott e com o baixista dos Vanilla Fudge/Cactus, e com o Tim Bogert na garagem dele. Fiz uns espectáculos acústicos com o Marc Ford dos Black Crowes e em estúdio toquei num estilo slide guitar[i] numa das músicas dele. Toquei num espectáculo em que uma das cinco pessoas lá era o Robert Plant! Até o Jackson Browne estava num dos espectáculos que eu dei há um par de anos. O que eu adoro na música é que ela tem o poder de juntar as pessoas.

[i]  é uma forma de tocar guitarra, em que se utiliza no dedo médio, anular, mínimo ou indicador (este último menos comum), um pequeno tubo oco cilíndrico, feito de metal, vidro ou cerâmica.

2. Como caracteriza o seu projecto?

Tento ser diferente em todos os projectos, mantendo o elemento da surpresa, por isso experimento com géneros diferentes e diferentes alinhamentos ao ponto de ser o homem dos sete ofícios. É como se fosse uma alternativa aos concertos de blue experimentais psicadélicos e progressivos. O álbum Solo Elektro foi totalmente gravado ao vivo em quatro faixas tornando-se extremamente ambicioso para o fazer soar tridimensional quando tens apenas um tipo a tocar tudo ao mesmo tempo num mono ambiente. O processo de mixagem teve de ser muito criativo.

3. Referências do mundo da música?

Os blues vão sempre ser o alicerce de tudo o que fizer. Combinar os blues com outra música é a chave para o meu próprio crescimento porque reconheço de onde venho, quem sou e quem não sou. Gosto da energia desta forma de arte primitiva, ouço jazz e world music e gosto da energia da dance music e da música electrónica. Quando toco uma música rock uso a minha bateria para impor o ritmo de festa. Também gosto de tocar guitarra acústica, ao estilo Weissenborn e bottleneck side num ressonador nacional de aço com um pedal de percussão. Tudo depende do humor da plateia e do local.

4. Quais são os seus filmes/livros favoritos?

Gosto de ler autobiografias e ver filmes de artistas de jazz e blues. Não leio muito, mas acho fabuloso o livro Muddy Waters, apresentado pelo meu amigo teclista Lou Martin (RIP). O Lou tocou com o Rory Gallagher nos anos 70 e nos anos 90 fizemos turnês juntos com a Band of Friends, a banda de apoio dele. Adoro os filmes Buddy Holly Story, Gene Krupa Story e Benny Goodman Story. Também gosto da Twilight Zone original e sou um ávido coleccionador de filmes a preto e branco de ficção cientifica e terror! Também fazem parte da minha colecção cartoons dos anos 50.

5. O que o encanta no mundo enquanto artista?

Gosto da música ser uma linguagem universal e quando viajo consigo sempre comunicar sem ter de usar palavras. Deixa-me feliz conseguir que os outros esqueçam os problemas durante umas horas. Já todos ouvimos isto antes, mas a música é de facto curativa.

6. Se a sua música pudesse mudar alguma coisa na mentalidade das pessoas o que gostaria que fosse?

Gostava que a minha música fizesse esquecer de políticas e stress, guerras e ódio. Olhamos todos uns pelos outros e partilhamos todos a vida e com os animais que habitam o planeta connosco, a razão pela qual sou vegetariano. A música consegue juntar-nos.

7. Onde gostaria de tocar ao vivo?

Gosto de tocar em qualquer parte do mundo e para quem me queira ouvir. Os meus heróis todos tocaram na rua e em juke joints. Gosto de tocar tanto para grandes plateias como para pequenas. Acho que seria muito fixe tocar no Madison Square Garden ou no Carnegie Hall, mas o mais importante é ao longo do tempo viver da minha honesta criação musical e tocar e compor cada vez melhor.  Se pessoas suficientes gostarem do que eu faço a ponto de pagarem para me ver e ouvir então consigo sobreviver feliz e pensar que isso é sucesso real

8. Quais os seus projectos para o futuro?

Para o ano planeio lançar um álbum duplo que gravei há uns tempos com um baterista em Adelaide. Ele tocou com o ex AC/DC Bon Scott em 1971. É um álbum bastante cru e moderno. Mas não quero revelar tudo agora, depois dou mais notícias. Estou a trabalhar num álbum acústico e num projecto para uma banda de blues elétrico. Tenho montes de músicas a sair e muitas já gravadas. E tenho material suficiente para outro álbum solo e para álbuns de trio ao vivo. Ter um estúdio móvel permite que eu grave todas as minhas ideias conforme queira, além disso gosto de manter as minhas gravações cruas, old school, não gosto de gravações demasiadamente produzidas.

9. Descreva-se numa palavra

Exausto.
Mas com um missão!

 

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