Casaínhos Fest, mais um ano em família

Se há festival que faça palpitar o coração de qualquer adepto do underground português, esse festival é o Casaínhos Fest. Poucos cartazes conseguem juntar num único dia tamanha diversidade, e este ano não só se comprometeram em apresentar um cartaz de luxo como ainda o conseguiram fazer contando apenas (e bem!) com bandas nacionais.

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Take Back

Foi então numa escaldante tarde de Setembro que nos deslocámos até ao campo de futebol do S. C. Casaínhos para desfrutar daquela que seria a sétima edição do festival. Entre o que melhor se faz de metal e hardcore no nosso país, coube desde cedo aos Take Back subir ao palco e reforçar tudo aquilo que o longo dia ainda nos reservava.

Foi com uma energia interminável e uma alegria contagiante, como desde sempre a malta do Norte nos habituou, que o quinteto de São João da Madeira embalou os corajosos que já se encontravam no recinto. O hardcore dos Take Back não nos deu descanso, mas ainda assim revelava-se extremamente difícil arrancar os presentes de toda e qualquer sombrinha disponível.

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ContraSenso

Os ContraSenso acertaram-nos em cheio com o seu punk rock afiado, mesmo sem grande hipótese de pausa entre bandas, sobrando apenas uns minutos para recolher mais uma fresquinha. A banda da Bobadela está neste momento em tour e apresenta-se na sua melhor forma. A boa disposição marcou a actuação e sem dúvida que a setlist escolhida em muito contribui para instigar os primeiros movimentos.

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Infraktor

Para causar alguma instabilidade nas hostes, víamos subir a palco uma banda de thrash metal, com um álbum lançado no início deste ano. Os Infraktor vieram de Santa Maria da Feira, com o seu “Exhaust” e sem qualquer receio de fazer jus ao título do álbum, uma vez que foram a primeira banda a conseguir arrancar alguns movimentos mais aguçados do público.

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Artigo 21

Os Artigo 21, já nossos conhecidos também por serem naturais de Lisboa, provaram mais uma vez que o punk rock tinha chegado a Loures com uma enorme vontade de partir a loiça toda. Depois de um período mais tranquilo, por se encontrarem em estúdio para a gravação de um novo álbum, continuam a não deixar o caos (e pó!) por mãos alheias e brindaram-nos com uma excelente actuação.

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Backflip

Um dos nomes mais esperados do cartaz era sem dúvida Backflip, uma vez que a notícia da sua paragem por tempo indefinido foi recebida com bastante tristeza. Foi também com as melhores expectativas que recebemos este quinteto de Loures, já com dez anos de carreira. É impossível ficar indiferente à energia e simpatia da vocalista Inês Oliveira, que acabou por lançar um desafio ao público… com direito a prémio. Quem fizesse o melhor stage dive ganhava um artigo da banca de merchandising da banda, à escolha do vencedor. Foi entre agradecimentos sinceros e, claro, alguma nostalgia que abandonaram o palco, depois de se entoar um forte “never surrender” ao som de “Born Headfirst”.

Escusado será dizer que por esta altura já se levantava bastante pó, e com o aproximar da noite as temperaturas se tornavam bem mais convidativas a qualquer actividade.

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Viralata

A alegria da multidão (sim, multidão) seria logo de seguida assegurada pelos Viralata, que em muito se tem esforçado por manter o seu punk rock de qualidade pelos caminhos de Portugal, com inúmeros concertos por todo o país. A atitude irreverente e letras em português facilitam a enorme cumplicidade que se sente entre a banda e o público. Não importa quando, quantos ou onde, a verdade é que vamos ter sempre a maior parte dos presentes (mesmo aqueles que não conhecem a banda) a acompanhar refrões alto e bom som. Foram temas como “Zé Ninguém” e “Ivone” que motivaram as massas e garantiram que a aquela festa ainda tinha muito para render.

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Rasgo

Os Rasgo são sem dúvida um dos nomes que mais tinta tem feito correr nas redes sociais, magazines e outros tantos meios responsáveis pela divulgação de bandas nacionais. Depois de uma estreia em grande no concerto de Slayer, não dão qualquer sinal de querer abrandar. Datas de norte a sul, o seu thrash/crossover cantado em português e a dedicação e honestidade em palco garantem, sem dúvida, a fidelidade dos seus fãs, mas asseguram sobretudo a conquista de novos admiradores. Viram o seu horário de actuação atrasar devido a alguns problemas técnicos, o que viria prejudicar o tempo cedido a bandas de horário mais tardio, mas ainda assim em tudo se fizeram sentir os seus “Ecos da Selva Urbana”, entre outros temas.

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Hills Have Eyes.

De volta ao core, e já com um recinto (por vezes) assustadoramente cheio para aquilo a que estamos habituados, hasteava-se a bandeira de uma banda que se pode já considerar prata da casa: os Hills Have Eyes. Passados quatorze anos de carreira, este quinteto continua a representar lindamente o que de melhor se faz no metalcore português. A dedicação é bidireccional e ficou mais uma vez provada a relação inabalável entre a banda e o seu público. As vozes elevaram-se em temas como “Hold Your Breath” e “Strangers” e o movimento no recinto não revelava qualquer intenção de abrandar.

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Heavenwood

Na representação dos clássicos, sobretudo se tivermos em conta os seus 26 anos de carreira, chegavam de Vila Nova de Gaia os Heavenwood. Com todos os problemas técnicos, foram apanhados numa situação ligeiramente sofrida no que toca a voz e outros detalhes instrumentais. Ainda assim, o profissionalismo e atitude confiante não desfalcaram a banda e proporcionaram-se a todos os presentes temas marcantes e muitas (e boas!) e memórias. A parte vocal ficou novamente a cargo de, também ele já nosso conhecido de Equaleft, Miguel Inglês, que é bem capaz de agarrar até aqueles elementos mais cépticos da plateia. Temas como “The Empress” e “Frithiof’s Saga” fizeram as delícias dos fãs e mantiveram a fasquia bastante elevada.

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Bizarra Locomotiva

Já sem grande esperança de que se conseguisse recuperar o atraso, esperávamos ansiosamente pela subida da locomotiva ao palco. Na promessa de nos recompensar pela actuação interrompida naquele mesmo palco há dois anos, chegavam os Bizarra Locomotiva. Sem que seja necessário mencionar outra longa carreira do panorama nacional, acaba por se tornar indispensável mencionar a numerosa “escumalha” que ali se aglomerava, na ânsia de unir as suas vozes à de Rui Sidónio. Ficou novamente demonstrada a qualidade da banda em actuações ao vivo, que tão bem junta ao seu movimento o movimento dos seus fãs, e de tudo faz para merecer que temas como “Ego Descentralizado”, “Anjo Exilado” e o clássico “Escaravelho” se façam ouvir numa só voz.

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R.A.M.P.

Escusado será tentar justificar o facto de o encerramento de festas ficar a cargo dos R.A.M.P. Afinal, nem juntando mãos e pés conseguimos contar todos os anos de carreira desta banda. Desta feita subiram a palco com Pedro Mendes (W.A.K.O.) na guitarra e Apache Neto (Diabolical Mental State) no baixo, que em tanto contribuíram para que nos fossem entregues alguns dos melhores momentos da noite. Nem os problemas de som foram suficientes para deixarmos de sentir o recinto “a rebentar pelas costuras” e 30 anos de carreira são justificação suficiente para segurar até os corpos mais esgotados. A energia positiva e constante interacção de Rui Duarte com o público foram sem dúvida pontos altos e era palpável a enorme vontade de acompanhar alguns dos temas mais emblemáticos desta banda. Não faltaram temas como “Alone” ou “Hallelujah”, mas nem as mais fortes preces iriam permitir que o concerto se prolongasse. Foi com alguma tristeza que voltámos a ver a última banda daquele palco sofrer um encurtamento de alinhamento.

Mais um ano de Casaínhos, mais um ano em família. Um festival com braços, pernas e quiçá alguns membros extra para andar e crescer… bastante! Esta edição contou já com mais de mil pessoas e só podemos dizer-vos que estamos já em contagem decrescente para a oitava edição do festival.

Galeria Completa: AQUI
Reportagem de Andreia Teixeira
Fotografias de Andreia Vidal

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