Uma noite old school no Estádio Municipal de Oeiras

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O destino da passada terça-feira foi o Estádio Municipal de Oeiras, o meu e o de muita gente que esperou pacientemente numa fila interminável, a fila que a perder de vista fez muitos perder senão a totalidade, parte considerável do concerto de Megadeth, cujos acordes iniciais começaram a fazer-se ouvir por volta das 20h30. Quem infelizmente não conseguiu entrar pelo menos conseguiu ouvir e tem de concordar comigo que a setlist foi escolhida por forma a fazer uma viagem pelos álbuns mais carismáticos da banda, inclusive por Dystopia com duas músicas e respectivos videoclips. O álbum está considerado como uns dos melhores dentro do género musical e o prémio é mais que merecido.

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O concerto deu início ao som de Hangar 18, The Conjuring e The Threat is Real e ao fim da terceira música Dave Mustaine aproveitou para cumprimentar o público e deixar claro que “tinha passado tempo demais desde da última vez que tinha passado por Lisboa” penso que o sentimento entre o público era igual, a banda é amada pelos portugueses e ontem isso fez-se sentir.

Do local onde estava, acabei por sentir um pouco de desgaste na voz de Dave, verdade que o vocalista não vai para novo, mas em certas alturas a música tornou-se quase imperceptível, o desgaste no entanto foi amplamente compensado na entrega, a banda entrou para deixar a alma em palco e deixou, da entrega de Dave ao sorriso de Kiko Loureiro, das palavras para a plateia de David Ellefson à bateria de Dirk Verbeuren tudo serviu para manter o público com atenção redobrada e ouvidos bem abertos para não perder pitada do que se passava em palco. O estádio foi-se compondo ao som de Take No Prisoners, Dystopia, Peace Sells entre corridas desenfreadas para ainda os apanhar em palco e ao som da última música Holy Wars… The Punishment Due já se encontrava bastante completo.

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Megadeth por si só já é uma banda de culto mas a entrada de Kiko Loureiro (em meados de 2015), acabou por trazer uma lufada de ar fresco e um rejuvenescimento à forma como se apresenta em palco e a banda voltou a fazer sorrir os fãs mais antigos e a mostrar aos novos como se faz boa música mesmo sendo considerado “old school

Uma viagem muito agradável que deixou quem estava e quem chegou com um sorriso no rosto e um desejo de não ter de esperar novamente 7 anos para os receber em solo nacional.

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Agora se a espera pelo regresso de Megadeth foi longa o que dizer de KISS, a banda actuou a primeira e única vez no longínquo ano de 1983 no Dramático de Cascais, pelo menos 50% do público presente no Estádio Municipal nem sequer tinha nascido nessa altura e isso não fez diferença nenhuma. Quem já os tinha visto, recordou a altura em que os concertos eram festa, fantasia e rock n’ roll, quem nunca os tinha visto ao vivo aprendeu o verdadeiro significado de “monstros de palco”. Porque é isso que os KISS são, mais que a música, que os anos de carreira, que as polémicas sobre se já deveriam ou não ter arrumado os fatos de cabedal, eles são espectáculo. Sem meias medidas ou redes de segurança, eles entram e por quase duas horas fazem-nos esquecer onde e quem somos. Por duas horas são eles e nós, línguas de fora e biquinhos de diva, entre pedidos de “sing with me” e glamour, lantejoulas e guitarradas ensurdecedores, foguetes e fogo de artificio… um verdadeiro hino ao “peace, love and rock n’roll”

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Deu tempo para tudo ontem, do começo com Duce, ao Firehouse com o Gene Simmons a cuspir fogo, do solo de guitarra brutal de Tommy Thayer, ao Say Yeah. Passamos pelo Calling Dr. Love, ao solo de Gene e ao cuspir também, mas desta vez não fogo, mas “sangue” enquanto subia, tal qual morcego sugador para as alturas do palco. Aliás voos não faltaram no concerto de terça-feira, após a actuação do tema I Was Made for Lovin’ You, foi o próprio Paul Stanley, que passou em slide por entre o público depois de dizer que queria estar ao pé de nós, para uma actuação magnífica de Love Gun. Vimos também o baterista Eric Singer nas alturas, e ouvimos-o cantar com Black Diamond. O encore não se fez esperar e a banda voltou para mais três musicas, Cold Gin, Detroit Rock City e a mais que desejada Rock and Roll All Nite cantada a plenos pulmões por todos e a demonstrar que muito pouca vontade tinham de arredar o pé da frente do palco. Nesta última e porque todos têm direito ao seu momento foi a vez de subir as alturas Tommy Thayer.

A noite foi de festa e a fazer relembrar os tempos áureos do Rock n’Roll, muita pirotecnia a mistura (os meus ouvidos ainda estão de férias a pala disso), mudanças de guitarra, teatralidade, nuvens de fumo e canhões de papelinhos brancos, confettis e fogo-de-artifício. Uma noite que demonstrou que o público está sedento de gargalhadas e músicas que nos fazem cantar, saltar e principalmente sorrir, foi a prova, se é que era necessário, que não só os KISS não estão preparados para arrumar as botas de plataforma, como ainda fazem cá muita falta.

“…I wanna rock and roll all night and party every day…” e se possível não ter de esperar mais de 30 anos para os ver novamente.

Galeria Completa AQUI
Texto de Paula Marques
Fotografias de Domingos Ambrósio

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