Hail to the Prince of Darkness

 

JudasPriest-1.jpg

A noite ontem era de espectativa sentíamos isso no ar, há porta do Altice Arena, entre copos de cerveja que se ia bebendo e o reencontro de quem se conhece e reconhece nas entradas era das primeiras palavras proferidas, “sabes estou expectante para ver o que vai ser a noite”, ninguém tinha dúvidas que seria uma noite memorável e a aposta estava mais que ganha já que foi isso mesmo que aconteceu.

Coube as honras de abertura a Judas Priest, a banda britânica já anda nisto há anos valentes e ontem provou, se é que era necessário, o porquê de ainda passadas tantas décadas, continuarem a ser aclamados por tantos. Rob Halford é um frontman portentoso e nem as constantes saídas para mudança de casacos o fez perder a atenção do público. Temas como “Firepower”, logo no início, “The Ripper”, “Bloodstone”, “Turbo Lover” entre tantas outras mostrou que a idade é algo de B.I. e não influência em nada a prestação vocal de Rob. A banda é uma força coesa, e entra em palco para dar o que têm e mais um pouco a quem se desloca para as assistir e ainda bem.

JudasPriest-14.jpg

 “Hell Bent For Leather” encarregou de deixar uns quantos bastante animados, pelo menos do meu lado assim foi, já que Rob actuou na “garupa” de uma bela Harley… mas o ponto alto da actuação da banda foi sem dúvida a entrada em palco do antigo guitarrista Glenn Tipton, Glenn sofre já algum tempo de Parkinson mas o som que nos trouxe nos temas “Metal Gods” e “Breaking the Law” deixou um gosto agridoce de saudosismo na mente de quem se deslocou ontem ao Parque das Nações.

A frase de despedida ficou a pairar no ecrã: “The Priest will be back” e nós só podemos dizer amén a isso, e esperar ansiosos pelo seu regresso.

270418-EM1-0533.jpg

Foto oficial cedida pela Everything is New

Ozzy Osbourne, o “Príncipe das Trevas” entrou em ovação do público…

” I need you to go fucking crazy, if you guys do that i will go fucking crazy with you, how many crazy you get, i will go crazier”

e o público fez-lhe a vontade, gritou, saltou, cantou e bateu palmas até se deixar de saber se ainda estávamos em Portugal ou na mansão que lhe está destinada no Inferno. A energia subiu exponencialmente ao som de temas como, “Mr Crowley”, “I Don’t Now”, “Faires Wear Boots” , “No More Tears”, “Road To Nowhere”, fazia falta a agulheta de água com que costuma presentear as primeiras filas para refrescar um pouco o ambiente, mas Ozzy não podia deixar os créditos por mãos alheias e baldadas de água não faltaram para fazer as chamas baixarem pelo menos por instantes.

O tempo para descanso de Ozzy , ficou a cargo de Zakk Wylde  e o meddley que trouxe incluiu os temas “Miracle Man”, “ Crazy Babies”, “Desire” e “Perry Mason” e deixou-me a mim com duas questões pertinentes, a primeira era se nos pudemos apaixonar pelo som de uma guitarra, fiquei seriamente a pensar que sim e se Zakk estaria a homenagear correctamente os escoceses e não trazia nada por debaixo do kilt, duvidas a parte  o momento foi de virtuosismo num crescente de tirar o fôlego, fôlego esse que continuou em suspenso com o solo de bateria que se seguiu na ponta das baquetes de Tommy Clufetos. Que maravilha.

270418-EM1-0405.jpg

Foto oficial cedida pela Everything is New

O Príncipe retornou ao som de “I Don’t Whant To Change The World” e terminou com “Crazy Train” mas não estava ainda terminada a noite, Ozzy deu o mote “one more song” e o público acompanhou e continuou a acompanhar com “Mamma, I’m Coming Home”, foi bonito de se ver, quando se dá, recebesse e a generosidade que existiu no palco estendeu-se pela plateia. A noite terminou com “Paranoid” e com o Ozzy de joelhos numa vénia ao público que fez jus ao nome de “melhor público do mundo”.

50 anos de carreira e o Príncipe continua sem ser destronado.

Mais segundas-feiras como a de ontem e pode ser que perca o mau nome que tem. Que noite memorável.

Agradecimento a Everything is New pela sua sempre presente simpatia e por mais uma noite daquelas que deixam boas memórias

JudasPriest-6.jpg

Galeria Completa: AQUI
Texto de Paula Marques
Fotografias de Domingos Ambrósio

Adenda:
Acho importar realçar aqui uma situação que tenho vindo a notar ultimamente nos concertos, é necessário formar os seguranças que acompanham os concertos por forma a não terem a ideia que são todos em formato chapa cinco, a malta de heavy metal faz moche, dá calduços e crow surfing, o que para eles é o início de um desacato para nós e apenas a forma calorosa de nos cumprimentarmos. Ao “programar” a segurança para esses efeitos acabam por ser evitados mal entendidos desnecessários. Noites como a de ontem que reuniu mais de 4 gerações são noites de comunhão musical e não de chatices que seriam facilmente evitáveis.

Advertisements
This entry was posted in Fotografias, Reportagens and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s