Moita Metal Fest 2018 é aqui car***o !!

Parece que já se passou uma eternidade e até poderíamos concordar, mas a verdade é que as memórias estão bem presentes e a vontade de regressar já aperta. No início do mês de Abril, mais precisamente no dia 6 e 7, lá nos fizemos à estrada e sem darmos por isso, cedo se provou que todos os caminhos iam dar à Moita. Cartaz de luxo e reencontro de amigos era o prometido e nós estivemos lá para fazer parte da festa.

Dia 1

Lá chegou sexta feira e mesmo sendo apenas o segundo ano deste festival naquele recinto, este tem vindo a tornar-se bastante acolhedor, e sobretudo apresentar-se nas dimensões correctas para as bandas que têm vindo a fazer parte deste festival.

Num recinto já consideravelmente povoado deixava-se o início das hostilidades por conta dos portugueses Dark Oath que, no activo desde 2009 e que desde o lançamento do seu álbum de estreia “When Fire Engulfs The Earth” em 2016, continuam a demonstrar ter muito para dar. Foi um excelente ingrediente para abrir o apetite dos mais ávidos, para quem a festa começou cedo, e prontamente se deslocaram até ao palco para ouvir temas como “Land Of Ours” e “The Tree Of Life.”

A segunda banda do dia, mais do que conhecida, conta já como prata da casa. Sem surpresa para os presentes, os Sacred Sin comprometem-se com verdadeiras descargas de brita em palco e foi precisamente o que fizeram. Um som preciso e ao mesmo tempo esmagador tomou conta da Moita, na continuação de uma tour em que apresentam o seu mais recente “Grotesque Destructo Art.” De regresso a uma formação com dois guitarristas e sem deixar de parte os seus clássicos oldschool, aqueceram motores para o que ainda se seguiria.

Na demanda por nos apresentar um cartaz bastante ecléctico, os próximos a subir a palco seriam os Viralata. Depois de se verificarem as primeiras movimentações do público, este revelava-se o momento ideal para apreciar uns acordes de punk rock cantado em português, cujas letras se revelaram bastante fáceis de acompanhar. Temas como “Estrelas Decadentes” e “Lúcio Fernando” revelaram a boa disposição e energia contagiante da banda, bem como o momento em que em uníssono se ouvia “Foda-se, a Moita é linda.”

Sem deixar espaço para dúvidas no que toca a tentar (e conseguir!) agradar a gregos e troianos, era chegada a hora de adoração ritualística e alguma profanação, tão bem patrocinada pelos Filii Nigrantium Infernalium. Sem deixar faltar hóstia ou vinho, é impossível não nos deixarmos levar pelo seu necro rock’n’roll tão bem esgalhado, salvo seja! A “Marcha Imperial” continua a ser imagem de marca, mas desta feita juntavam-se temas do seu mais recente lançamento “Hóstia.” Ainda assim, nem estes senhores do necrometal se safam de imprevistos, o que resultou na perda de uma corda e Belathauzer a oferecer as suas costas para flagelação mais tarde, em frente às casas de banho.

suicide angels

A descarga de thrash metal grego que se seguiria impediu que estivéssemos presentes no evento acima referido e foi com um público já reconfortado, tendo em conta a tão variada oferta de comida e bebida no interior do recinto, que aquele palco recebia os Suicidal Angels. Já faz algum tempo que os gregos deixaram de ser estranhos em solo lusitano, e a prova disso continua a ser a adesão massiva, bem como um constante bailarico, que o público proporciona em cada actuação destes senhores. Rapidamente se instalou o caos, mal se fizeram ouvir os primeiros acordes de “Capital Of War”, e desde então que temas como “Reborn In Evil” e “Seed Of Violence” mantiveram cabeças a rolar, quase literalmente, entre circle pit e stage diving, culminando num bonito wall of death. Tal como prevíamos, um pouco de tudo para agradar a todos.

the exploited

Se acham que a próxima banda consegue provar que a palavra caos pode ser um eufemismo, nós confirmamos. Uma das grandes surpresas e expectativas deste fim de semana eram, sem dúvida alguma, os mais que veteranos The Exploited. Eram vários os motivos que tornavam esta actuação especial, incluindo a recordação da atribulada visita de 2014, e rapidamente nos apercebemos que os escoceses chegavam com vontade de dar uma lição a todos no que toca a energia, entreajuda e sobretudo tudo temas que nos deviam ocupar as cabeças diariamente. O constante movimento adquiriu proporções incontroláveis e, se não fosse o espírito de autogestão de um mosh mais violento acompanhado de muito boa disposição, atrevo-me a dizer que as coisas rapidamente poderiam ter ficado feias. O público invadiu o palco (a pedido do vocalista), o crowdsurfing também e foi ao som de alguns dos maiores clássicos desta banda de punk/hardcore, sem medo algum de chegar um pezinho ao thrash, como “Let’s Start a War”, “Fight Back” e “Fuck The USA”, que o baile se fez com direito a muita lama, sorrisos e sobretudo companheirismo.

Dia 2

O dia 1 já tinha assumido o papel de nos relembrar o porquê deste festival continuar a crescer de ano para ano, e de podermos vê-lo tornar-se um evento de referência nas agendas nacionais do underground e não só. Como se a noite anterior não tivesse já sido dose, esperava-nos um dia longo, com a actuação de 13 bandas… sim, leram bem.

Aquando da nossa chegada podiam ver-se algumas caras rejuvenescidas, outras um tanto ou quanto cansadas, mas sobretudo caras que transpareciam uma enorme expectativa para este dia.

Já a tonalidade de thrash e heavy metal clássico dos Toxikull se fazia ouvir em todo o recinto, quando conseguimos percorrer o caminho até ao palco. Com o seu novo EP “The Nightraiser” lançado no final de Março, podemos admitir que a banda se encontra em excelente forma, e continua a ser um prazer ouvir a voz de Lex Thunder, bem como as influências mais speed de que se fazem acompanhar temas como “Surrender or Die.”

Sem dar margem de manobra para que alguém dissesse o que estava em falta, vimos subir ao palco os lisboetas Wells Valley, que continuam a revelar-se um dos projectos mais interessantes para seguir a nível nacional, pelo menos no que toca à sonoridade doom e sludge. Mesmo num palco “a céu aberto”, por vezes não favorável a este tipo de sonoridade, foi com facilidade que vimos o circle pit dar lugar a lentos e sincronizados headbangings. Foi então com temas como “Ophanim” e “Hands Are Void” que guiaram todos os presentes numa introspectiva viagem, que só poderia culminar na cover de “Set The Controls For The Heart Of The Sun” dos Pink Floyd, parte do EP “The Orphic” e prova viva do que este trio é capaz de fazer.

Se achavam que as súbitas mudanças de sonoridade ficariam por aqui, desenganem-se. Os Low Torque relembraram que o stoner rock também merece um lugar ao sol, pelo menos na Moita. Foi assim que a maioria dos presentes se rendeu à voz e energia contagiante do vocalista David Pais, sempre aliados a um instrumental com groove e atitude para dar e vender. A actuação focou-se sobretudo no seu mais recente trabalho “Chapter III: Songs From The Vault”, com temas como “Mutant” e “Scorch The Sky.”

Já estão cansados? Então desistam já, porque mal ou bem, todos sabíamos que ainda a procissão ia no adro. E foi assim que rapidamente nos deixamos embalar pelo som castigador dos albicastrenses Dead Meat. A tonalidade esmagadora do seu “Preachers of Gore” e a tecnicalidade inebriante dos seus instrumentos puxaram muita gente para perto do palco e ali as mantiveram até ao último acorde. As movimentações continuaram, e foram temas como “Sliced In Pieces”, “Good Clean Cut” e “Sex, Torture and Depravation” que acabaram por fazer as grotescas delícias dos mais ávidos.

Quando batiam as 18h00 foi altura de rever naquele palco os Equaleft. Neste preciso momento a acrescentarem os últimos condimentos a um novo álbum, com o lançamento previsto para muito breve. Assim, esta dança fez-se com temas mais antigos, como “New False Horizons” e “Maniac”, mas também com temas novos e, como se isso não bastasse, o seu imparável vocalista Miguel Inglês decidiu quebrar barreiras e conceder ao público a honra de uma valsa. Já aquela tenda se apresentava mais do que composta, quando ainda nos surpreendemos por a ver encher ainda mais para a actuação dos portuenses.

Quando achávamos que o circle pit já tinha atingido dimensões consideráveis, foi altura de Terror Empire subir ao palco. A expectativa era muita, sobretudo se tivermos em conta o seu último “Obscurity Rising’, lançado o ano passado. O quinteto de Coimbra rendeu porradinha agradável em conta, peso e medida, sem por isso dar descanso aos mais tímidos, que mesmo estando no seu canto, não resistiram a acompanhar com um valente headbanging temas como “Times of War” e “Meaning In Darkness.”

Moita que é Moita não acontece sem jogo do Benfica e, mesmo com alguma divisão entre aficionados e não aficionados, não faltou slam no pit durante a actuação dos britânicos Malevolence. Ainda a promover o seu mais recente trabalho “Self Supremacy”, e mesmo existindo já algumas previsões do que poderíamos esperar desta banda de metalcore, a adesão do público voltou a surpreender e do início ao fim não faltou intensidade e motivação no suporte à banda. Um projecto com uma curta carreira, mas postura de gigante, sem nunca desfalcar a importância da interacção com o seu público.

Ainda como prova do seu menu mais que eclético, o Moita Metal Fest não nos deixava fugir do core, recebendo de braços abertos aquele que seria o último concerto dos nacionais, e tão nossos conhecidos, For The Glory. Escusado será dizer-vos que este concerto serviu de pretexto para que muitos fãs da banda se deslocassem até ao recinto naquele dia, para fazerem parte de uma despedida que teve tanto de emotivo como de efusivo. A energia e boa disposição da banda, e sobretudo o orgulho de cada um dos membros pelo projecto que os acompanhou durante quinze intensos e longos anos, acabou por contagiar cada um dos presentes e não faltaram vozes para acompanhar refrões e melodias. A viagem fez-se entre temas como “Some Kids Have No Face” e “Survival Of The Fittest”, e foi com um caloroso “até sempre” que nos despedimos de um dos marcos na história do hardcore português.

O frio que se fazia sentir no exterior, bem como a chuva e a lama, de pouco ou nada serviu de entrave à festa rija. A cinética e temperatura dentro daquela tenda continuou a subir… e de que maneira. Sem dar pelo tempo passar, tivemos de dar as boas vindas à equipa da casa, os Switchtense, claro está. O castigo continuou e, desde os primeiros acordes de “Face Off” até às perigosas movimentações de “Super Fucking Mainstream”, o baile não teve fim. A garra da banda e a atitude determinada de um frontman bastante comunicativo continuam a não deixar ninguém indiferente, e foi entre inúmeros agradecimentos ao público e à organização que a festa seguia.

Também houve espaço para acalmar as hordes esfomeadas de mosh pit, crowdsurfing e um incontrolável stagediving, e esse momento chegou pelas mãos dos Iberia. Um verdadeiro clássico do heavy metal português que, mesmo com atrasos, também mereceu tempo de antena e a atenção de todos os presentes para algumas sonoridades e nomes quiçá não suficientemente explorados no nosso underground. A actuação incidiu sobretudo em temas do seu mais recente trabalho “Much Higher Then A Hope”, também este lançado o ano passado, mas nem por isso faltaram verdadeiros clássicos como “Hollywood”, que remonta ao ano de 1988.

benighted.jpg

Sem conseguir muito bem distinguir qual das bandas naquela noite mereceria já mais expectativa ou entusiasmo por parte do público, a verdade é que se sentia um nervoso miudinho para receber os franceses Benighted em solo lusitano. Imensurável foi o grau de violência com que a sonoridade metade technical death, metade grindcore deste projecto, que conta já com 20 anos de carreira, nos atingiu as têmporas. Com o seu mais recente “Necrobreed” ainda a braços, entregaram a maior descarga de brutalidade e adrenalina que se presenciou naquela tenda. Sendo escusado referir a gestão exímia que cada elemento faz do seu respectivo instrumento, ficou marcada a referência que a banda fez aos nossos Analepsy, o que lhes concedeu um tema dedicado por entre malhas como “Let The Blood Spill My Broken Teeth”, “Slut” e “Necrobreed.” Saímos doridos, mas felizes.

bizarra

Outro dos nomes que tão pouco nos cansa ver anunciado nos cartazes por esse país fora são os, também eles já com alguma aura veterana, Bizarra Locomotiva. A tenda encheu-se para receber a locomotiva e participar numa verdadeira viagem, como sempre nos garantem, encabeçada pelo carismático frontman Rui Sidónio. Se todas as performances têm altos e baixos, sem dúvida que nesta viagem os pontos altos foram a massiva adesão do público, que culminou com a presença de dezenas de pessoas em palco. Se juntarmos ao desfile de um “Anjo Exilado” uma “A Procissão dos Édipos” e ainda lhe juntarmos uma pitadinha de Miguel Inglês (de Equaleft) a’ ”O Escaravelho” podem ter uma ideia das proporções que o cenário (já instalado) de caos adquiriu. Mais uma passagem da locomotiva pela Moita, com direito a reencontro de velhos e novos membros da escumalha, em que se voltou a surpreender a multidão e, gostando mais ou menos, continua a relembrar o porquê de serem um dos porta estandartes do underground nacional.

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Sem grande margem para dúvidas, desde cedo se afirmava que o regresso dos polacos Vader era uma das grandes expectativas das agendas nacionais até à data. Passados três anos desde a sua última visita, rapidamente relembraram que o caos não seria deixado por mãos alheias e demos por nós a entoar palavras de ordem a par e passo do ritmo alucinante com que seu death metal incisivo nos atingia. Uma verdadeira viagem ao passado, com direito a alguns dos seus mais aclamados temas, como foi o caso de “Chaos”, “Send Me Back To Hell” e “Cold Demons”. A verdade é que estes veteranos, muito a par do que os The Exploited nos tinham provado na noite anterior, não deixam mostrar que o tempo passa por eles e mesmo hoje conseguem ser uma verdadeira lição de atitude, humildade e musicalidade para muitas bandas mais recentes. O avançar da hora não deixou esmorecer a entrega e companheirismo, mas sobretudo a cumplicidade que revelavam os sorrisos estampados na cara dos elementos da banda e do público.

Digam o que disserem, o Moita Metal Fest veio para ficar e em nada podemos acusar a organização de cruzar os braços. Um evento eclético, sem nunca defraudar os clássicos nacionais e internacionais, sempre vivido num ambiente familiar.

Costuma também dizer-se que em equipa ganha não se mexe, mas esta equipa mexe-se (e bem) para nos demonstrar uma aposta e crescimento considerável de ano para ano, tanto a nível de organização como de adesão. Da nossa parte resta deixar um agradecimento por nos deixarem fazer parte da festa e continuar a contar os dias até à próxima edição do festival.

E sem querer parecer cliché… “MOITA CARALHO!”

Galeria Completa AQUI
Texto por Andreia Teixeira
Fotografias de Andreia Vidal

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