Nas raízes da brutalidade

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Passaram-se três anos desde a última visita dos Nile a território nacional, mas nem por isso faltava entusiasmo e expectativa para receber a tour de apresentação do seu mais recente “What Should Not Be Unearthed.” O regresso fez-se no passado dia 16 de Fevereiro pelas mãos da Notredame Productions, no RCA Club em Lisboa, com direito a passagem no Porto no dia anterior e um elenco de luxo, do qual fizeram parte os No More Fear, Exarsis e os míticos Terrorizer.

A abertura das hostilidades ficou a cargo dos italianos No More Fear e do seu death metal. À hora marcada, mesmo para quem ainda estava na fila para entrar, já se faziam ouvir os primeiros acordes da sonoridade mais melódica que iríamos ouvir durante as próximas horas. Com alguns banners em palco e uma atitude simpática, conseguiram captar a atenção dos presentes e embalar a sala ainda a meio gás.

Os Exarsis apresentavam-se pela segunda vez em Portugal, tendo esta sido a sua estreia pela capital. Os gregos viajaram então até cá, ainda com o seu mais recente trabalho “New War Order” entre mãos, lançado o ano passado. Já com oito anos de carreira, provaram ser um excelente aperitivo para os que seriam os dois pratos principais da noite. Trouxeram aquele thrash metal com um trago a speed, que chega de jeans justas, cinto de balas e cabelo desalinhado, e brindaram-nos com meia hora do seu registo rápido e caótico, por vezes a roçar o maníaco. Com um registo vocal algo inesperado para o estilo, mas que encaixa perfeitamente com a energia interminável de toda a banda, desde as cordas à bateria.

Um dos momentos mais aguardados da noite era, sem dúvida, a passagem dos Terrorizer por aquele palco. Sam Molina, Lee Harrinson e o indomável Pete “Commando” Sandoval, único membro original da banda, serviram-nos um verdadeiro festim de blast beats com direito a pauladas no lombo, literais e metafóricas. Os punhos em riste foram constantes, ou pelo menos visíveis, naqueles curtos momentos em que não eram arrastados pelo mosh. Uma lição de grind e death de um para um e, embora longo, atrevemo-nos a dizer que entre os presentes bem podíamos ficar ali mais duas horas, naquela intensa demonstração de tough love.

Sandoval mostrou que a idade é só um número e levou-nos numa verdadeira viagem, com potência no máximo e uma rapidez sobre-humana. Harrinson e Molina não falharam, e nem eles ficaram indiferentes à energia do público, constantemente em movimento no palco, a trocarem de microfones e a pedirem mais e mais de nós. Fizeram toda a sala mover-se com malhas do clássico “World Downfall” e deixaram ainda a promessa de um novo álbum para breve, com direito a apresentação do novo tema “Sharp Knife“, onde se demonstrou que não pretendem dar descanso à sua já típica assinatura castigadora. Depois disto foi preciso que nos encostássemos às cordas e começou a preparação, física e mental, para a brutalidade do technical death metal que chegaria pela mão dos Nile.

Depois de um curto intervalo, apagaram-se as luzes e a intro fez com que nos sentíssemos instantaneamente transportados para o antigo Egipto. Sendo já esta a terceira viagem dos Nile pela Europa com esta tour, o quarteto estadunidense regressava a Portugal sob a premissa de nos dar a conhecer o seu mais recente “What Should Not Be Unearthed.” Contudo, e para extremo deleite de todos os presentes, a setlist da noite revelou-se uma verdadeira viagem no tempo, com direito a inúmeros temas que todos souberam acompanhar. Com momentos de mosh escolhidos vivia-se uma atmosfera ligeiramente diferente, mas única, e foi novamente claro que o alinhamento daquela noite conseguira juntar públicos distintos. A banda revelou se bastante satisfeita com este regresso, sobretudo pelo terno reencontro com a sua fiel base de fãs nacionais. Perto de uma hora de concerto voltou a saber a pouco, mas acabámos por ser recompensados com temas dos seus três primeiros álbuns “Among the Catacombs of Nephren-Ka“, “Black Seeds of Vengeance” e “In Their Darkened Shrines“, de onde se destacaram “Kafir!“, “In the Name of Amun” e o próprio “Black Seeds of Vengeance“, que encerrou a noite da melhor maneira.

Mais ou menos aficionados, todos apreciámos esta viagem às raízes da brutalidade e acomodou-se o “bichinho” que nos deixa sempre a pedir por mais.

Texto: Andreia Teixeira

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