Uma Bardoada de Peso

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Bardoada Fest abriu os portões do Inferno para mais uma edição e o Pinhal Novo estremeceu perante o peso de um cartaz que se revelava, como em anos anteriores, uma ecléctica palete de sonoridades, desde o punk, atravessando o hardcore para finalmente desabar no território mais extremo do grind. Diferentes gerações, diferentes estilos pisaram o mesmo palco e ofereceram o que prometeram: dois dias bem passados e pesados.

O início da dança foi oferecido aos New Mecanica, que começaram a sua prestação com alguns filhos do seu último álbum No Straight Lanes (2015). Bem lançados, tocaram temas poderosos como Madman e Lonely e provaram ser um óptimo aperitivo para o que vinha a seguir. A audiência ainda era pouca mas cooperativa e já se viam algumas cabeças a sentir a música. Sempre agradecendo ao público e à organização, os New Mecanica fecharam o seu contributo com Written, directamente do esperado novo álbum.

Seguiram-se os Primal Attack, oriundos de Lisboa, carregados de riffs poderosos e uma bateria ao mesmo nível, destilaram flechas do seu trash metal cheio de groove. Iniciaram com Strikeback (onde brilhou um acutilante solo de guitarra) e acabaram com Red Silence – entre ambas, todas as canções foram tocadas com uma energia exemplar, ajudando o recinto interior a encher mais e mais aos poucos.

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For The Glory, que contam já com 14 anos de história, provaram porque se cimentaram tão bem como um dos maiores nomes do hardcore nacional. Explodindo com Survival Of The Fittest, não estiveram para brincadeiras. Com momentos bem agressivos e total domínio dos instrumentos, Drown in Blood ou All Alone impuseram-se pela força.

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Quanto ao duo Shrivers, Igor Azougado (guitarra) e João Arroja (bateria), do Pinhal Novo, ninguém poderá negar que ofereceram um dos grandes momentos da noite. Com o seu “Rock Popular Caramelo”, mostraram que dois membros apenas são suficientes para fazer a festa – e que festa! Igor tocou um solo de guitarra no meio do público, iniciou um mosh em cima do palco e nunca parou de puxar pelo público. Tudo isto ao som de maravilhas como Jantar À Da Minha Avó ou o famoso Epah.

Por fim, os gigantes Mata-Ratos electrizaram todos com a fúria de Canibais de M’aara, Napalm Na Rua Sésamo ou Dança Com A Merda mas também um ou outro momento mais empático (Amor Eterno, por exemplo). O público cantou, bebeu e a energia foi constante. Grande concerto para acabar um intenso primeiro dia.

O segundo dia abriu com os Nameless Theory, ainda recentes no panorama nacional (formaram-se em 2013) mas já capazes de solidar o seu nome no meio. Entre várias, tocaram o seu último single e terminaram com a faixa Ghosts, no meio da onda de calor que assolou o festival nesse sábado. O público ainda era reduzido mas já era suficiente para se notar muito headbanging.

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Seguiram-se os To All My Friends que deram um concerto bem comportado, com os seus temas punk-rock a trazer mais umas cabeças para dentro do recinto.

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Legacy Of Cynthia ofereceram-nos muitas cargas de intensidade, comandados pela presença imponente dum vocalista vestido à la Fidel Castro e por solos de guitarra envolventes e enigmáticos até, por vezes; foram sem dúvida um dos pontos altos do cartaz.

Os Terror Empire conquistaram o palco a seguir e, na tradição dos melhores pedreiros, mostraram que sabem “partir pedra” como poucos. Riffs que lembravam tempestades, melodias vertiginosas e uma secção rítmica brutal, atiraram dinamite do calibre de Burn The Flags a um público sedento de mais.

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Da região do Hardcore, Ash Is A Robot ofereceu-nos um concerto sólido e robusto com Cláudio a mostrar-se um óptimo e seguro frontman.

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Quanto a The Temple, deram—nos, como já era esperado, uma das melhores prestações da noite. Músicos com domínio absoluto de técnica e experimentação, mostraram o que valiam em War Dance ou Violent World. E valem muito, tal como provou o episódio em que o público pedia “só mais uma”, o que levou a que um membro do festival subisse ao palco e avisasse ao microfone:

“Se, mais logo, os Holocausto Canibal não puderem tocar a culpa é vossa!”

Recado recebido mas ainda assim os Temple tocaram mais uma para a despedida.

Grog entraram brutais e não pararam. Gutural imparável, secção rítmica em modo de arma de guerra, acompanhados por moshes do mesmo nível entre a plateia, formaram uma unidade perfeita.

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No meio de um cartaz tão vasto, há sempre uma ou outra banda capaz de se destacar mais das outras, seja pela qualidade musical, pelo espectáculo em si ou pelo diálogo hipnotizante entre banda e público. Essa honra coube certamente aos Quinteto Explosivo. Vestidos de Deadpool’s (ou imitação meio rasca) e de Capitão América, acompanhados por duas dançarinas que chamaram muito a atenção e carregados de ironia e escárnio, fizeram jus ao seu nome e trouxeram-nos um concerto de arena, épico enquanto desfilavam malhas como Queres Caralho Vai Ao Talho ou, cantando o clássico dos Comme Restus, Palhasso Do Caralho, e ficámos com um espectáculo memorável e selvagem que permaneceu nas maior parte das conversas muito depois do concerto ter terminado.

Os Fitacola trouxeram o seu rock para um bom concerto, tendo em Cai Neve Em Nova York um dos seus melhores momentos.

Vira Lata não decepcionaram e meteram muitos a cantar És Linda e Zé Ninguém enquanto que Hills Have Eyes mostraram-se um portento, ao som de granadas como Strangers ou False Idols e que levaram muitos ao rubro.

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Por fim, chegou o momento tão esperado. Dominando e conquistando, os Holocausto Canibal subiram ao palco para mostrar quem manda na cena grind portuguesa. Agora, na companhia dum novo vocalista – Ricardo Orca, que mostrou estar capaz de carregar a sua parte da herança duma das mais emblemáticas bandas de metal portuguesas – , mostraram de que matéria é feita a brutalidade. Trucidada Na Paragem, Necro-Felação ou Antropofagia Auto-infligida – entre outras detonações – fizeram as delícias gore dum público ávido e imerso. Violada Pela Motosserra foi o canto do cisne da banda e, também, do Festival Bardoada, cuja importância na cena metal portuguesa é, de ano para ano, cada vez mais inegável.

Galeria: Day 1
Texto: Bruno Lirio
Fotografia: Jorge Pereira

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