Troca de ideias com a organização de Reverence

Enviamos umas perguntas a organização do Reverence que foram gentilmente respondidas por Alexandre Travessas um dos produtores e programadores a quem agradecemos desde de já.
O nosso agradecimento também a Sara Cunha pela sempre fabulosa simpatia e disponibilidade. Esperamos que gostem e que adiram a este evento que será com certeza mais um a deixar boas memórias de 2017

Entrevista organização Reverence

Antes demais a pergunta que todos querem fazer, quais as novidades e o que pudemos esperar do Reverence este ano?

Este ano o festival dura dois dias e teremos dois palcos, o principal e outro secundário, assim como algumas surpresas no campismo. Nesta edição de 2017, decidimos fazer uma devida homenagem aos Moonspell e ao que representam para o underground português no que toca à música pesada, sendo que este será o espectáculo que vai encerrar o ciclo de comemoração dos primeiros 25 anos de carreira da banda. Além disso, a Amplificasom afirma-se como parceiro nesta edição e o seu dedo está bem patente no “peso” presente no cartaz. Nomes como Amenra, Oathbreaker, Sinistro e Névoa são garantia de excelentes concertos, e os últimos dois afirmam-se como duas das grandes promessas que o underground nacional tem hoje para oferecer. Nem tudo é, no entanto, extremo no cartaz deste ano e o Reverence continua a pautar-se pela diversidade de sons em oferta, sendo que a vertente psicadélica terá uma vez mais um papel muito especial nesta edição, através da curadoria que encetámos com a editora Fuzz Club no âmbito do seu 5º aniversário e que vai trazer a Santarém os The Underground Youth e os 10000 Russos. As apostas nesse tipo de som não se ficam por aí, sendo que as lendas do kraut sueco dos 70s Trad Gras och Stenar também vão estar presentes e os misteriosos HILLS – que, corre a lenda, incluem elementos dos GOAT, – vão assinar o seu único concerto de 2017 no Reverence. De resto, podem esperar-se dois dias de música sem parar, diversão e paz.

Tivemos uma alteração em relação ao local do festival, como se procedeu a mudança? Era este o local ideal para um festival da magnitude do Reverence?

Não foi uma decisão fácil, na verdade. Primeiro, o antigo recinto era parte da experiência de estar no Reverence e, segundo, já havia uma relação estebelecida com toda a zona… No entanto, acabou por ser uma necessidade natural – tanto para melhorar a oferta como para manter o conceito vivo. Curiosamente, a primeira edição do festival era suposto ter sido realizada na Ribeira de Santarém, acabando por acontecer depois em Valada; por isso, de uma forma quase poética, é quase como se tivéssemos regressado à raízes do  projeto. O novo recinto é tão idílico como aquele onde estivemos durante os primeiros três anos, continuamos junto ao Rio Tejo e o parque de campismo tem a sua praia fluvial com campos de cultivo na envolvência. Adicione-se tudo isso a maior acessibilidade em termos de transportes e acessos, a estação da CP é apenas a cinco minutos a pé, e o facto de estarmos em Santarém, e acreditamos que estão reunidas todas as condições para se dar mais um passo decisivo em frente no crescimento do festival.

Como tem sido o feed-back ao longo dos anos ao festival?

O feedback tem sido sempre muito bom; a primeira edição deixou uma marca muito profunda em todos os que tiveram o prazer de estar presentes e, a partir daí, desenvolveu-se uma espécie de culto à volta do Reverence. O festival veio, de certa forma, colmatar um vazio na imensidão de festivais de Verão em Portugal e essa tem, de resto, sido sempre uma das suas maiores forças. As duas edições seguintes correram ainda melhor e, apesar das inevitáveis comparações ao primeiro ano, a verdade é que – sem qualquer presunção da nossa parte – não são muitas organizações que se possam gabar de, no espaço de apenas três anos, terem trazido a solo nacional mais de 70 bandas internacionais pela primeira vez.  Talvez por isso, e a contrariar a ideia de que os portugueses não têm grande curiosidade para descobrir música nova, todas as opiniões que nos vão chegando por parte do público e dos agentes são muitíssimo positivas.

Este ano temos a estreia dos Gang of Four e o regresso de Mono assim como o aniversário da FUZZ Records mais que motivos suficientes para festejar em grande, estão preparadas surpresas? Podem levantar um bocadinho o véu sobre quais serão?

Bem, os Gang of Four estiveram em Paredes de Coura há mais de uma década, por isso este vai ser mais “um regresso muito aguardado” do que uma estreia propriamente dita, mas pelo menos isso permite-nos ter um ponto de comparação em relação ao que esperar. Em Coura a banda assinou um concerto muito bom, por isso temos as expectativas bem elevadas para esta passagem pela Ribeira de Santarém. Os Gang Of Four vão, à semelhança dos Hawkwind no primeiro ano e dos Sisters Of Mercy no ano passado, ocupar o “legend slot” deste ano. Os Mono integram a parte mais obscura do cartaz, a par com Amenra e dos restantes nomes de peso. Quanto a surpresas… Estamos a preparar algumas e haverá várias coisas a acontecer durante os dois dias do festival, mas acho que o melhor é aparecerem lá para verem quais serão.

Quando se ouve coisas como “O metal nacional está morto” o que têm a dizer em relação a isso?

Não vale a pena dizer grande coisa, uma vez que basta dar uma vista de olhos ao nosso cartaz deste ano, que é encabeçado pelos Moonspell e conta com talento emergente do calibre de uns Sinistro ou Névoa, para provar que não é possível sustentar, de todo, uma afirmação desse género. É feio responder a uma pergunta com outra pergunta, mas… Como é que alguém pode dizer que uma tendência está morta quando, cá dentro e lá fora, há tantas bandas de metal nacionais a dar cartas e a receber elogios?

 Qual a vossa edição favorita do Reverence até a data?

Não há uma edição preferida; o que há, isso sim, são muitos, muitos “momentos perfeitos” nas diferentes edições. É óbvio que a primeira teve um impacto maior – exactamente por isso, por ter sido a primeira. No entanto, as edições subsequentes foram igualmente especiais e enchem-nos de orgulho.

Algo a acrescentar para deixar aos nossos leitores?

Têm até 31 de Agosto para comprar os vossos bilhetes mais baratos, a CP dá descontos aos portadores de ingressos e têm uma praia no campismo. Vai ser uma edição muito especial, por ser a primeira num novo local e por ter um cartaz cheio de surpresas. Muito boa música, sem artifícios.

Numa palavram digam-nos o Reverence é?

Reverence é reverência à música ao vivo e ao rock feito por guitarras, desde o psych e neo-psych ao shoegaze, passando pela dreampop, pelo metal (stoner, doom, death, post) e pelo post-rock, mas também pela darkwave, pelo post-punk… Por tudo aquilo que, para os nossos directores artísticos, é boa música. O Reverence é, acima de tudo o resto, uma sentida vénia às guitarras e à distorção, um ritual de adoração ao riff num ambiente idílico e muito descontraído.

Entrevista por Paula Marques
Fotos: Gentilmente cedidas pela organização do Reverence

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