Santa Maria Summer Fest – Day 3

Coube aos espanhóis Rancor abrirem o Palco 2 no último dia de SMSF 2017. Com quase 20 anos de Thrash Metal (veia Anthrax), o quinteto não comprometeu: competente, num misto de seriedade e bom humor (a luva Freddy Kruger do vocalista Dani López até resultou bem) o quinteto serviu para despertar um pouco os presentes da letargia provocada pela temperatura.

Dark Embrace01

Os também espanhóis Dark Embrace, de volta ao activo após uma pausa de quase 6 anos, foram também vítimas do calor da planície alentejana: além das inúmeras vezes que o vocalista Oscar se queixou da temperatura, os presentes preferiram assistir de longe nas poucas sombras disponíveis ao Gothic/ Doom do quarteto (tornado quinteto ao vivo). Com Sebastián Fernández a ocupar a posição “oficial” de Snowy Shaw por detrás do kit de bateria, a actuação acabou por ser apenas morna. Há boas ideias (além dos clichés do género) na sua música, o uso dos teclados pré-gravados (mas em volume moderado) até conferem uma dose de ambiente e profundidade, mas os vocais limpos necessitam de algum trabalho. Um apontamento interessante, o “Theme Song” da série de culto “Twin Peaks” usado como “outro” ao concerto.

Do Gothic para o Deathcore dos nacionais Tales For The Unspoken. A apresentarem um novo guitarrista Flávio, a banda de Coimbra teve em “Soul for Soul” e “Possessed” dois dos melhores momentos da sua actuação sobre o calor da tenda do Palco 2.

Após o que nos pareceu a maior pausa entre concertos dos 3 dias, os Hochiminh aproveitaram o facto de estarem a jogar em casa para arrancarem com uma prestação demolidora. Ainda que o Metal/ Industrial não seja do agrado de todos e o próprio estilo já não goze da popularidade de outros tempos, o facto é que o quinteto de Beja tem experiência suficiente não só para apresentarem bons temas dentro do estilo, como para manterem um nível de intensidade e de comunicação com o publico sempre em alta durante todo o concerto. Além dos temas do EP “Shout It Out”, ainda tivemos direito a uma rendição do tema “Enjoy The Silence” dos Depeche Mode.

E tal como no ano anterior, o SMSF abriu novamente o seu cartaz a sonoridades habitualmente opostas ao Heavy Metal: o Rap/ Hip-Hop. Ultrapassados alguns receios na edição do ano passado em relação ao resultado da mistura de públicos aparentemente dispares, o Mc Fuse acabou por passar um pouco ao lado.

Orphaned Land14

Continuando em crescente de popularidade, os Israelitas Orphaned Land arrancaram com “Oceanland” logo seguido do tema título do mais recente álbum “All is One”. E rapidamente se viu que a banda tem por cá bastantes apoiantes, com a frente-palco a encher e aceder aos pedidos de palmas e coros de Kobi Farhi. Sempre bem-dispostos e comunicativos com o público, seja em pequenos apontamentos humorísticos, seja chamando a atenção para a situação geopolítica no Médio Oriente e o trabalho incansável da banda na união das tribos de Abrão sobre a unificadora bandeira do Heavy Metal. O único ponto menos positivo para quem seguem a banda há anos acaba por ser a cada vez mais escassa presença dos temas de fundo de catálogo (só tivemos direito a “Olat Ha’tamida do segundo álbum). “Sapari” e ao habitual “ Norra El Norra” (a fechar), são dois pontos altos, de um concerto que fica na memória como um dos melhores desta edição do SMSF.

Tarefa ingrata para os Malthusian e o seu Black/Death Metal “podre” que subiram em seguida ao Palco 2. Novamente o som do pequeno palco não ajudou o quarteto Irlandês (“Old School” mas não tanto sff!!). Nada que tenha incomodado por demasia a banda ou as duas dezenas de fans que se concentraram na frente-palco.

Exodus12

Nome maior desta edição e uma das bandas pioneiras do Thrash Metal da Bay Area, os Exodus mostraram que sobreviveram bem ao afastamento do carismático guitarrista Gary Holt (pelo menos ao vivo), já que o músico parece estar totalmente integrado aos Slayer. O substituto Kragen Lum esteve bem à altura do desafio: tecnicamente a banda teve irrepreensível. Steve “Zetro” Souza avisou os presentes que a banda iria manter o set-list “Old School” e assim o fez: desde “And Then There Were None “ (Do clássico “Bounded by Blood) a “Deranged” (Do álbum Pleasures of the Flesh”), passando por “Fabulous Disaster” e o hino ao mosh que é “Toxic Waltz” (perfeitamente ilustrado pelo delírio do público). Com os níveis de adrenalina a subirem rapidamente, a banda relembrou que este era o último concerto da Tour e agradeceu a toda a equipa técnica que trabalha nos bastidores para permitir que os Exodus se apresentem sempre em excelente forma. Já quase a terminar, a sentida dedicatória a Lemmy Kilmister com o tema “War is my Shepherd”. Uma excelente aposta da organização do SMSF e provavelmente o melhor concerto de toda a edição de 2017.

Dread Sovereign48

Vinte anos depois de ter apresentado em Beja os seus Primordial em início de carreira, A. A. Nemtheanga regressou desta feita sob o Doom dos Dread Sovereign. O trio recupera em muito uma sonoridade mais clássica do estilo (leia-se Trouble e Candlemass), mas com um cunho muito próprio. E se a figura de destaque é à partida o reconhecido músico, ao vivo as atenções dividem-se entre o totalmente possesso guitarrista Bones (que ainda nos brindou com um pequeno solo de Blues) e a bateria de Com Ri (que já tinha pisado o palco com os Malthusian). Mas ainda que visualmente a banda seja chamativa, é na forma como se entregam às composições de “All Hell’s Martyrs” e “For Doom the Bell Tolls”, ou mesmo na reinterpretação do clássico de Venom “Live Like an Angel, Die Like a Devil” que reside o verdadeiro encanto destes Irlandeses. Intimista q.b. (quase que parecia um concerto para amigos) e com o melhor som do Palco 2 (ainda que o P.A. “comesse” a guitarra a espaços durante todo o concerto), o trio decerto fez novos fans. Uma das melhores propostas desta edição.

Wolfbrigade26

Outro dos grandes nomes de destaque na noite de sábado e que contribuiu sem dúvida para que a última noite do SMSF registasse casa cheia: Wolfbrigade. Figuras maiores do Underground HardCore/ Punk, os suecos subiram ao palco 2 e num set que até pareceu curto, mostraram que os temas do novo álbum “Run With the Hunted” (como “Warsaw Speedworld) só ganham com a dose extra de Death Metal. E é especialmente isso que acaba por ser mais notório no quinteto: a capacidade de criarem riffs fortes e orelhudos, com um bom sentido técnico (a tal costela mais Metal da banda – há riffs que não soariam deslocados num álbum de Amorphis) ao D-beat mais “in-your-face”. Ao vivo, os temas mais recentes acabam até por resultar melhor do que clássicos como “No Future” (dos tempos em que a banda ainda se chamava Wolfpack). Esperamos que de facto os presentes tenham atendido aos pedidos de Micke por algumas “ervas aromáticas” que o vocalista cheirou no público, pois os suecos sem dúvida que mereceram um momento de relax após a sua actuação.

Última banda da noite, os nacionais RDB a trazerem uma boa dose de boa disposição ao Palco 2. Uma prestação de Grind bem coeso, com as vozes de Michael e Daniel a complementarem o peso da guitarra. Além dos clássicos do álbum “Obra Ó Diabo!!”, o quarteto ainda apresentou alguns temas novos.

E em forma de despedida da edição de 2017 do SMSF, a selecção musical no espaço “Ultraje” ficou a cargo da Loud! Dj Set, com uma selecção musical mais “Heavy Metal” que nas noites anteriores e que manteve entretidos os que resistiram ao raiar do novo dia.

Mesmo que já não seja propriamente o “festival anticrise” de outras edições, o SMSF parece estar a encontrar o seu espaço certo: não em termos só geográficos, já que se apresenta como o Festival de maior dimensão e peso da região Alentejo (ainda que falte ultrapassar uma certa resistência por parte de algumas franjas da Cidade) mas em termos da sua própria dimensão. Pese o calendário deste ano não ter sido favorável e isso tenha-se reflectido principalmente na noite de Quinta-Feira (muitos não conseguem “escapar” aos compromissos laborais), o Festival oferece além de um bom e variado cartaz (equilibrado q.b. em relação de nomes consagrados e novos valores) um excelente ambiente, dentro e fora do recinto. Maleita de todos os Festivais, as condições sanitárias: teria sido bom não ter feito a caminhada até ao Quartel dos Bombeiros para o banho quente, mas os chuveiros junto ao campismo fizeram as delícias dos mais afoitos nas tardes de calor. Pessoalmente, a opinião é que não é no arrancar perfeito que se consta a capacidade de uma organização: é especialmente na resolução de problemas pontuais – e nisso o SMSF não só teve a sua dose como foi incansável na sua resolução. Menos positivo, apenas o som do Palco 2 e o alinhamento de determinadas bandas no cartaz (sabemos que por vezes seja a agenda das próprias bandas e não a organização directamente responsável).

Aguardemos então que os Victoris e restante organização do SMSF nos comecem a revelar o cartaz da próxima edição. Nós por certo lá estaremos.

Galeria completa AQUI
Fotografias e texto de Sethlam Waltheer

Advertisements
This entry was posted in Fotografias, Reportagens and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s