Santa Maria Summer Fest – Day 1

Infelizmente parece que começa a ser apanágio nosso chegar aos eventos já a hora tardia e entre montar acampamento, tratar das burocracias e inevitavelmente dar dois dedos rápidos de conversa com os amigos que só se encontram nestas ocasiões, acabamos sempre por perder os momentos iniciais. As nossas desculpas a todos os afectados e em especial às bandas, sabemos bem a tarefa ingrata que é abrir (ainda por cima a um dia de semana) as hostilidades num evento com a projecção que o Santa Maria Summer Fest já ganhou.

Perdemos portanto a prestação dos Liber Mortis e só já apanhámos as duas últimas músicas finais dos cascalenses Booze Abuser. O que faltou em força de som e “profissionalismo” ao quarteto (em especial se pensarmos que a banda abriu o palco 1), foi amplamente compensado pela atitude e alguns apontamentos no seu Thrash Old-School que nos levam a querer que a banda com um pouco mais de rodagem, se pode tornar numa boa alternativa a quem não olha com bons olhos as abordagens mais “modernas” do estilo tão popularuchas.

Já em comparação, a primeira imagem dos Noctem foi que os espanhóis estarão numa espiral descendente de popularidade e qualidade, já que os momentos iniciais do seu Black/ Death “veia polaca” tenham parecido perdidos num palco secundário. Nada mais longe da verdade, já que o quinteto de Valência mostrou que ainda que com menos teatralidade e sem um som perfeito (mais de metade do set foi dominado pelos bombos de Voor), conseguem ainda assim revelar um toque próprio de composição num género que começa a dar sinais de saturação.

Ranger10

Parte da corrente revivalista de “(not that much) hairy chests and blue denim” que assalta o Heavy/Thrash, os Finlandeses Ranger usaram e abusaram de todos os clichés Speed Metal dos anos oitenta: além do visual, os gritos “high pitch” do vocalista Dimi , “dual guitar solos” e uma prestação por parte do baterista Miko que ficará na memória como das mais coesas que vimos dentro do estilo nos últimos anos, agradaram aos fãs e curiosos que começavam a povoar o recinto.

Do tradicional para o mais moderno (e igualmente em voga) Grindcore, no palco dois os Clitgore usaram e abusaram do humor e da boa disposição para ultrapassarem um som demasiado confuso (mesmo para os padrões do género). Direito inclusive para uma cover de Napalm Death, praticamente irreconhecível.

Rotten Sound17

Ainda dentro do Grind, mas numa vertente sem piadas e cada vez mais fortemente carregada do teor militante que foi apanágio dos primórdios do género, os Rotten Sound aproveitaram em uma passagem pelo território nacional, para mostrarem que Grind “a sério” também enche frente-palco. Não só a entrega da banda foi perfeita, como o pouco público reagiu à altura: foram curtos os 40 e pouco minutos de brutalidade (e harmonia e “down tempo” q.b.!!) com uma entrega que tem tanto de experiência de palco como de paixão pelo que se faz.

Opostos em velocidade mas não em qualidade, no palco 2 os Hypothermia souberam gerir bem a a aparente disparidade da sua evolução: os momentos mais “post-metal” que os Suecos agora praticam foram bem encaixados num fundo de catálogo mais “Black Prog”. Curioso que o ambiente mais modesto do palco dois e a quase total ausência de luz durante todo o concerto (tal como é “trade mark” do género) contribuíram para tornar o concerto do quinteto numa das boas surpresas desta edição do SMSF.

Trollfest05

E foi exactamente o contrário o que aconteceu com os Trollfest: num palco grande e com um som menos bom, não fosse a hora e a boa disposição dos (desta feita o que parecia ser o Corpo Expedicionário de Baden-Powell , já que a banda é conhecida por encarnar diferentes personagens nos seus concertos) Noruegueses e o seu Folk Metal ainda teria parecido mais sem sal.

Para os mais resistentes, a primeira noite do SMSF ainda tinha a oferecer o Punk (e Punk a sério segundo nos constou) dos Dokuga e a escolha musical “eclética” do DJ Set  “Satan Made Me Do It”.

Galeria completa AQUI
Fotografias e texto de Sethlam Waltheer

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