SWR Fest 2017 – Day II [Report + Galeria]

Dia 2

O Sludge Instrumental dos Vircator abriu o dia na SWR Arena, seguidos dos My Master The Sun. Com um som bem mais poderoso e definido do que tínhamos assistido no Évora Metal Fest, o quarteto revelou-se uma das excelentes apostas da organização, em termos de sonoridades mais periféricas do Metal.

Já na Loud! Dungeon, os Fides Inversa apresentaram o seu Ritualistic Black Metal. Com um som algo confuso ao início, o duo Italiano (transformado ao vivo em quarteto) conseguiu manter o público interessado ao longo de todo o set.

Venom Inc.101

Também com raízes no Black Metal, via USA e um dos nomes mais aguardados desta edição, os Cobalt assumiram logo de início as suas influências mais “Southern”, com uma intro talhada à medida da estranha dança do vocalista Charlie Fell. E ainda que a inflexão estilística (e o fim da parceria com Phil McSorley) tenha deixado alguns fãs um pouco desiludidos com a banda, os Cobalt são actualmente uma proposta bem mais interessante, com as influencias de Jarboe e da cena Hardcore NY a fazerem parte integrante do som do duo (trio ao vivo com a adição de um baixista de sessão).  “Hunt The Buffalo” logo ao início mostrou os americanos a darem tudo por tudo na sua estreia europeia.

Ao mesmo tempo, na SWR Arena os Espanhóis Legacy of Brutality (repetentes  da XII e XV edição) apresentavam um som mais “clássico” – Death Metal de influência americana e nem o facto de estarem a tocar com um baixista “emprestado” diminuiu a intensidade da sua prestação.

My Master The Sun15

Um dos fortes motivos de interesse e de alguma especulação assim que anunciados no cartaz,  o regresso aos palcos dos Goldenpyre. A banda responsável pelo próprio SWR (e cuja ultima aparição no festival tinha sido na Xª edição) é como todos sabem a face musical dos irmãos Tiago e Ricardo Veiga. A apresentarem o álbum de estreia “In Eminent Disgrace” (o primeiro lançamento da banda desde o split de 2006), o quinteto apresentou-se coeso q.b. passe algum nervosismo, mostrando uma veia de Death Metal que cruza um crescendo tecnicismo com “riffs” pesados e orelhudos. Tempo ainda para 3 convidados em palco, Filipe Castro na Voz, Paulo Lima no Baixo e Paulo Morais na Guitarra, para a recuperação de “Closed Gates” da demo de 1998 “Apocryphal”.

De volta ao Warriors Abyss, os gregos Dead Congregation foram intoxicando o ar, fosse com o seu Death Metal old-school, fosse com o cheiro a papel queimado que emanava da Bíblia que ardeu na frente-palco durante todo o concerto do quarteto. Estilisticamente próximos daquilo que bandas como Necros Christos ou Grave Miasma têm feito no campo do Death Metal com influências Black, os gregos bebem mais do fundo de catálogo dos Morbid Angel, com a abordagem tão única que sempre caracterizou as bandas gregas. “Schisma” e “Only Ashes Remain” do álbum de 2014 “Promulgation Of The Fall” e “Wind’s Bane” do EP  de 2016 “Sombre Doom” são alguns destaques de um concerto que não teve momentos mortos.

Extreme Noise Terror31

Outro dos concertos mais aguardados desta edição, os Venom Inc.,  tendo em conta a não tão boa impressão que os “outros” Venom tinham deixado na edição XIV. Polémicas à parte sobre quem são os “verdadeiros Venom”, legitimidades e interesses monetários, o certo é que “estes” Venom agarraram o público do SWR desde o primeiro acorde, com uma set-list de luxo. A começar com “Rip Ride”,  “Black Metal” (“they say this song changed Heavy Metal” afirmava Demolition Man), a “Sons of Satan”, “WarHead” ou as intemporais “Witching Hour” e “Countess Bathory” (a fechar), os Venom Inc. deixaram todos os presentes com um sorriso de orelha a orelha.

Do Black Metal clássico para o Grindcore dos espanhóis Nahgul na Loud! Dungeon e a brutalidade dos seus temas de cariz social (afinal isto é Grind e não musica “de festa”). Uma bem necessária dose de energia para assistir aos Oranssi Pazuzu.

Se os Darkthrone consumissem doses industriais de LSD e abraçassem o Stoner e o Drone invés do Punk, talvez o resultado fosse próximo daquilo que os Finlandeses apresentaram no palco do Warriors Abyss. Com as válvulas dos “Orange” ao rubro, nem o terem mandado os teclados ao chão perturbou o “trance” da banda e dos presentes.

My Master The Sun15

Com o recém lançado “Ablutionary Rituals”, os Grog deram os parabéns a Barroselas (à organização e público) enchendo a tenda do Loud! Dungeon. Durante curtos 45 minutos, Pedro Pedra comandou o quarteto num concerto sempre em alto nível, mostrando uma excelente escolha de set, em que temas como “Fornicators Delirium” (do álbum de 2001 “Odes To The Carnivorous”) mostram que envelheceram bem e estão ao nível de temas mais recentes como “Beyond the Freakish Scene”  e “Savagery”. Rolando Barros é um dos melhores bateristas nacionais e é hipnotizante ver a facilidade com que Alexandre Ribeiro ataca as cordas de baixo. Contudo o elevado nível técnico não descura a composição e os Grog conseguem a rara façanha de ter “riffs” memoráveis dentro da brutalidade das suas descargas de 3 minutos.

Outros veteranos, os Extreme Noise Terror foram recebidos com algum receio. São bem conhecidos os problemas de Dean Jones e a passagem pelo SMSF de 2015 não deixou as melhores memórias dos pioneiros do Crust/ Grindcore. Felizmente o músico este à altura e embora por vezes pareça um bocado perdido em palco (especialmente quando o stock de cerveja se torna baixo), cumpriu sem mácula. Ben McCrow chegou a pedir respeito pelo vocalista, que anda nisto “before you were born”. Uma base instrumental sólida e pesada ao ponto de se sentir o pó a levantar (para o qual contribuiu o público com constantes “mosh pits”) onde temas mais recentes como “No One is Innocent” (do auto-intitulado álbum de 2015), “casam” com temas mais clássicos como “Raping The Earth” (com Ricardo Silva dos Holocausto Canibal a ajudar nas vozes). Para o final uma cover dos Sham 69, com direito a falso começo (único “prego” notório do set).

Para o final do dia 2, no palco SWR Arena ainda tivemos direito ao Crust/ Punk veia PowerViolence dos Systemik Violence e ao Blackened Thrash dos Alcoholocaust. Estes últimos fizeram jus ao nome, iniciando o concerto a distribuir Whiskey “Grants’s” entre a primeira fila. Musicalmente, a banda tem em temas como “Brigada Anti-Poser”, “Blasfémia Total” ou “Anti-Gótico” hinos que levaram ao delírio os presentes.

Fotos e Texto de Sethlam Waltheer

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