SWR Fest 2017 – Day I [Report + Galeria]

Junta-te à Rebelião.

Sejamos sinceros. 20 anos é muito tempo. Sem tecer considerações sobre a idade dos leitores destas linhas, mas na necessidade de colocar as coisas em contexto:

-A maioria das bandas nacionais dura em média 3.5 anos.

– Festivais como o Monsters of Rock (Castle Donington) e o Dynamo Open Air duraram 15 anos aproximadamente (com alguns cancelamentos e restruturações pelo meio) e ainda que ambos mais ou menos continuem a existir, são hoje estruturas bem diferentes em termos de line-up de bandas e de projecção internacional.

Certo é que o SWR nunca pretendeu (graças ao Mafarrico!!) chegar às dimensões e comercialidade dos exemplos citados, mas em boa verdade e nunca é demais repeti-lo,  poucas coisas duram 20 anos. Afinal estamos a falar de Heavy Metal, ou pelo menos da sua franja menos “comercial” – o “Underground”, onde se sobrevive do “amor à camisola”. Se acrescentarmos que estamos a falar de Portugal e mais concretamente do Interior Norte, o peso destes vinte anos torna-se ainda mais palpável. E eis que contra todas as expectativas, estatísticas e preconceitos, os irmãos Veiga e restante companhia são a derradeira prova que o trabalho árduo, a persistência e até um pouco de carolice q.b. compensam.

Aborted16

Ainda que as dimensões de hoje tenham pouco a ver com as da primeira edição, o SWR cresceu controladamente: tanto fisicamente como na abertura do seu cartaz a outras sonoridades não só tão extremas como o Grind e o Black Metal de outrora – mas como diz o ditado, só quem não muda são as pedras. Pesadas sim, mas com um sentido se pertença e união (talvez seja o tal “espírito underground” que de tanto se fala) são as noites em Barroselas.

Ainda que a XX edição do Steel Warriors Rebellion tenha arrancado logo no dia 27 no já habitual dia Zero, onde se disputa a final da Wacken Battle (da qual se sagraram vencedores os Analepsy), para nós só já bem dentro do dia 1 e da actuação dos Aborted conseguimos dedicar olhos e ouvidos às propostas deste ano. A banda belga (repetentes da edição III e V) decidiu recompensar os presentes pelo cancelamento do ano passado, e durante 40 e poucos minutos fustigou os presentes do palco Warriors Abyss com o seu Brutal Death Metal, percorrendo quase toda a discografia da banda.

Logo de seguida, o palco Loud! Dungeon recebeu o Black/ Doom Metal dos Ruins of Beverast. E ninguém diria que os alemães permanecem como uma “one man band” (pelo menos em estúdio): coesos em palco, composições como “Surtur Barbaar Maritime” assinaram dos momentos mais interessantes desta edição.

The Ruins of Beverast03

Os (agora) Americanos Inquisition têm conquistado um lugar de destaque no movimento Black Metal, não só pela origem pouco comum (Columbia), mas principalmente pela forma como o duo consegue com aparente facilidade entregar descargas de energia e complexidade que, se fecharmos os olhos parecem prover de um quinteto. Também repetentes no SWR (X), durante uma hora o duo não deram tréguas ao público. Praticamente sem dirigir palavra ao público, Dagon foi alternando entre os dois microfones colocados a cada extremo do palco e nem mesmo alguns problemas técnicos no final mancharam a actuação do duo. O destaque para “Desolate Funeral Chant”.

Sediado na Rep. Checa há quase tantos anos como os Master levam de actividade, Paul Speckman continua a ser a figura central do Death Metal (cada vez mais Thrash) do trio Master. Sempre comunicativo com o público, foi brincando com a sua idade, com o silencio do público e com o baixo estar “sujo”. Com um set-list foi transversal a  toda a discografia da banda (e para os mais distraídos: o  álbum de onde o tema “Slaves of Society” foi retirado não se chama “Let’s Drink Some Whiskey”) continuam a ser temas como “Unknown Soldier”  e “Collection of Souls” que provacam uma maior reacção do público. Pontos altos para a cover de Death Strike (a primeira banda de Paul) “Re-entry and Destruction” e de Black Sabbath (“Children Of The Grave”) a fechar.

MASTER18

Para o final da noite, o regresso às sonoridades obscuras no SWR Arena. Primeiro com os The Ominous Circle. Ainda que o mistério que rodeava a identidade dos músicos portugueses já se tenha dissipado, nada na actuação do quinteto quebrou a áurea mística de um Death Metal ritualista que tanto vai beber aos Repulsion como aos DarkThrone.

Enquanto os In Tha Umbra se mantém nas trevas, o novo projecto de Bruno, dá pelo nome de  Enlighten.  Acompanhado por Alexandre Ribeiro (baixista de Grog e Neoplasmah entre outras) e o guitarrista/ vocalista de Prayers Of Sanity, Tião, o que o quarteto propõe é  Death Metal obscuro e avangarde qb (ainda que mais baseado nas dissonâncias do que em estruturas intricadas como é apanágio de I.T.U.), que ao vivo ainda necessita de algumas arestas a limas para revelar todo o seu potencial.

Texto e fotografias: Sethlam Whalteer

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