Kampfar, Black Metal do bom no RCA

A noite de 8 de Março, muito bem passada no RCA, só pode ser descrita num termo: brutal. Nada que surpreendesse quem já conhecesse o cardápio: Pestifer, Morte Incandescente e, para coroar essa noite dedicada a vertentes mais extremas do metal (black/death), Kampfar.

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As hostilidades começaram com Pestifer que lançaram o primeiro fogo com Mars Exult de Execration Diabrites (2017). Melodias e ritmos violentíssimos entrelaçaram-se perfeitamente em Dark Dimensions, Enslavement of God e Riding The Storm Of Death. Ainda que todos os membros sejam exímios, Pedro Silva destacou-se com os seus domínio absoluto de pinch squeals na guitarra e o poder da sua voz. Vindos do Porto, foi a primeira noite que actuaram em Lisboa. Pela energia que se viu entre banda e público, o regresso não deve tardar.

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A noite seguiu para o mundo dos Morte Incandescente. Depois de alguns percalços no começo, devido a problemas de som, a espera foi recompensada. Quem queria brutalidade teve-a na medida certa. Diz Não À Vida, Remembering The Shallow ou Distúrbio Absoluto provaram bem a importância que a banda tem no panorama nacional. Pontos altos? Necromaníaco e The One Of Black Wings, sem dúvida.

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Por fim, Kampfar subiram para ocupar o seu merecido trono. Vindos das profundezas da Escandinávia, trouxeram-nos a energia dum vulcão – e, ainda que isto seja uma metáfora, os seus efeitos não o foram. Gloria Ablaze e Ravenheart explodiram na cara dum público sedento, que mostrou conhecer, ao longo do espectáculo, muito bem cada canção. A certa altura, Dolk (vocais) – que, para além de potente frontman, também provou ser um excelente cuspidor de cerveja – falou das dificuldades de trazer a banda a Portugal devido ao facto de que, para certas entidades, tudo o que interessa no negócio da música é o dinheiro. Kampfar foram claros na sua resposta: “Fuck the money – we want to go to Portugal!!”. Seguiram-se as detonações de Inferno, Tornekratt, culminando com o poderosíssimo Our hounds, our legion. Parece ter havido uma certa surpresa entre o público, uma certa confusão com o fim abrupto do concerto, sem grandes despedidas da parte da banda. Mas a essência do black metal é exactamente esta: bate-nos de rajada e abandona-nos, depois, a sangrar e gratos por aquilo a que acabámos de assistir.

O nosso agradecimento ao RCA e a Notredame Productions pela forma sempre única com que nos recebe.

Texto numa parceria de Jorge Pereira e Bruno Lirio / Fotografias: Jorge Pereira

Galeria completa AQUI

 

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