[Report + Galeria] Mangualde Hardmetal Fest… A Paixão que nos move!

O que nos move é a paixão… Contra todas as adversidades e resistindo estoicamente à insularidade que teima em separar o nosso pequeno País em “litoral” e “Interior”, ao aumento de ofertas festivaleiras e todos os percalços e contratempos que organizar um evento acarreta, a Rocha Produções pode orgulhar-se de não só conseguindo resistir a 23 edições, sendo o festival em actividade mais antigo do país, como actualmente o Hardmetal Fest se tornou na primeira celebração das sonoridades pesadas do ano. Com um cartaz bem forte, dividido entre algumas novas esperanças e sobretudo “velhas glórias”, o HardMetal Fest é também provavelmente o mais “velho” em termos de publico dos festivais nacionais, o que se traduz num ambiente mais familiar e não tão propriamente “flavour of the month”.

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Estado de Sítio

Infelizmente a nossa chegada tardia a Mangualde não nos permitiu apanhar a actuação dos Machinery, já que o alinhamento inical sofreu uma pequena alteração ao alinhamento. À nossa chegada, o Punk Hardcore dos “Estado de Sítio”. Competentes em +palco e com uma veia mais “old school” a fazer lembrar os inícios dos Ratos De Porão e que causou as primeiras movim,entações dos presentes. Seguiu-se o Thrash dos Destroyers of All, com um som de guitarras demasiado embrulhado. Acabadinhos de chegar e directos ao palco, os lisboetas “Derrame”. Um pouco tímidos em palco, o Brutal Death Metal acabou por sofrer também com o som pouco definido, ainda que, se não atentarmos aos “break-downs”, o quinteto prometa. À medida que o recinto do Centro Cultural de Santo André se compôs de moldura humana, o som foi melhorando.

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HumanArt

Seguiram-se os “Humanart” praticantes de um Black Metal de inspiração nórdica. O quinteto de Santo Tirso deu um concerto competente, afirmando-se como uma proposta bastante interessante no espectro do Black Metal nacional. Com uma actuação centrada no Álbum de 2014 “Lightbringer”,ainda houve “Years of Revelations With Sorrow Voices” (do Ep de 2004 “Hymn Obscura”) a fechar.

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BloodHunter

Os espanhóis “BloodHunter”, têm na vocalista Diva Satanica o seu cartão-de-visita mais imediato (tanto visualmente como pelos impressionantes pelos pulmões!) Musicalmente, o quinteto bebe mais do mid-tempo de uns Bolt Thrower do que de do “groove” do Death Metal mais “moderno”, fugindo bastante àquela que é considerada por muitos a inspiração “major” de Death Metal com voz feminina (leia-se Arch Enemy). Destaque para o instrumental “The First Insurrection (do Demo-CD de 2013 com o mesmo nome) e para o novo tema “Eyes Wide Open”.

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Theriomorphic

Os nacionais “Theriomorphic” atravessam actualmente um excelente momento de forma. O duo de guitarristas composto por “Deris” e “Kaveirinha” enche o palco, não só com os riffs pesados e cadenciados do Death Metal do quarteto de Lisboa, como pela presença visual. Uma prestação extremamente coesa com direito a dois novos temas (“Marching Towards The Sun” e “Absent Light”) a lançar ainda este ano e o já clássico “Beast Brigade” a terminar uma excelente prestação.

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Convulse

Após a descarga brutal dos nacionais, os Convulse tiveram um início “morno”. No entanto o trio não desanimou, e ao terceiro tema, a sala e a banda encontraram o ritmo conjunto. O destaque especial para o autentico animal de palco que é o baterista, que passou mais de metade dop concerto levantado sobre a bateria. Sendo que em disco a banda Finlandesa tem passado ao lado (não sendo também das mais produtivas em estúdio, são três os álbuns editados desde a estreia em 1991 com “World Without God”), relevaram-se uma excelente surpresa ao vivo.

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Tygers Of Pan Tang

Uma das bandas mais esperadas da noite, os veteranos Tygers of Pan Tang começaram com um som demasiado agudo, especialmente na voz de Jacopo Meille, chegando nalguns momentos a tornar-se difícil de suportar. Felizmente o som melhorou e mais uma vez ficamos com a ideia de que os veteranos não só dão cartas a muito “novo” musico, como se divertem muito mais. Com um set-list que percorreu toda a carreia dos Ingleses, destaques para “Keeping Me Alive” e a terminar a cover “Love Potion No.9” (original dos “The Clovers”). Pena que o que falte de facto ao quinteto sejam verdadeiros hinos, não conseguindo sacudir o sentimento que se assistiu a um excelente concerto, mas de uma banda que nunca passou da segunda divisão.

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Holy Moses

Também veteranos, mas da cena Speed/ Thrash alemã, os Holy Moses gozam actualmente de uma segunda reencarnação, sendo sempre encabeçados pela carismática Sabarina Classen. Ainda que uma prestação mais sóbria e sem recorrer tanto a “auxiliares de memória” fosse preferível, é inegável a energia desta SENHORA do Metal. É sobre ela que recarre toda a responsabilidade de um legado que só por azar (como demnostra a aceitação que esta segeunda encarnação da banda tem recebido) não se tornou maior. Percorrendo praticamente toda a carreira do quarteto (quase como se tratasse de um “best-of”, a energia da carismática vocalista preencheu o palco mesmo nos temas “fillers”, acabando em grande com a cover de Dead Kennedys “Too Drunk To Fuck”. Sem dúvida, Sabina, sem dúvida…

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Ancient Rites

Para este escriba, os Senhores que se seguiram evocam memórias de um “Outro Underground” e de uma altura em que Black Metal não era sinónimo de Noruega. Os Belgas Ancient Rites sempre tiveram uma abordagem muito própria ao género e ainda que elevados a banda de culto, nunca atingiram o reconhecimento que outras propostas menos interessantes saídas da explosão do Black Metal na época de 90 conseguiram. E infelizmente em Mangualde aplicou-se um pouco a expressão “pérolas a porcos”: a maioria do público parecia desconhecer a discografia dos belgas, e a banda foi recebida com alguma frieza pelo público. Nada que tenha manchado a prestação, e mesmo a ausência de baixo ou o recurso a teclas programadas (a marcar presença e não a dominar o som) fizeram desmorecer aqueles que ainda se recordam como a banda foi em tempos apontada como um dos pilares do BM europeu. E durante uma actuação sempre em mó de cima, um alinhamento que mostrou não só as muitas faces dos Belgas mas acima de tudo um sentido de identidade própria, cada vez mais raro nesta época. É impossível destacar um ponto alto numa actuação que teve todos os grandes temas (“Mother Europe”, “Total Misanthropia”, “Evil Prevails”, “Victory or Valhala”, “Fatherland”). Que os belgas regressam rapidamente aos discos e ao nosso país.

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Shoryuken

A fechar os concertos desta edição, o Brutal Death Metal dos nacionais Shoryuken, desta feita sem artifícios em palco para além da música. Tecicamente bem executado, continua a faltar ao colectivo “riffs” que suportem os break- downs. Os ingredientes estão lá todos, só falta acertar na “dose”.

Nota-se que o HMF já encontrou o seu público, a sua dimensão (sala cheia!) e lugar no mercado. Ainda que se possa pensar sempre em possíveis melhorias, neste caso, um salutar “keep it like it is” é mais do que adequado.

Galeria completa AQUI

Texto e Fotografia de: Sethlam Waltheer

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