Once Human – Evolution [Review]

Ambição. Ambição é a palavra correcta para definir o novo álbum dos ONCE HUMAN. Cortesia da Loudness, foram dezenas as vezes que, em looping ou seguidas, todas as faixas foram ouvidas e desde o início três situações chamaram a atenção:

1ª – Existe uma dominância constante e sempre presente da bateria. Agradável, estável, preponderante sempre que necessário e ligeiramente mais discreta nas alturas em que apareceu a necessidade de conduzir o ouvinte (muito incomum e bastante bem conseguido) para a necessária atenção ao que se passa em redor seja na voz, efeitos, guitarras, baixo… acabando por ser a “cola” que une as várias secções dos temas e por consequência do próprio álbum. Tecnicamente a roçar a perfeição sem a necessidade de sobressair em relação aos restantes elementos da banda, acaba por ser a estrela deste álbum. Nota dez sem dúvida.

2ª – De forma intencional ou não o certo é que existe um leitmotiv entre cada um dos temas. Dito de outra forma, a facilidade com que se ouve/ entende o álbum deve-se em muito ao facto de em todos os temas encontrar-se uma ou várias secções comuns em todas as faixas. Quem é fã de certeza que não se importa, pelo contrário, pois demonstra um crescimento e amadurecimento pouco comum em bandas de metal; quem não conhece poderá adicionar os ONCE HUMAN´S à sua playlist pois não estranhará nem se sentirá perdido já que os temas não se individualizaram per se mas, ao invés, se complementam e interligam. Para além disso não se tornam monótonos nem fastidiosos ou cansativos permitindo uma maior abertura para outro tipo de ouvintes além dos naturais fãs de linha dura

3ª – Delicadas… suaves… discretas. De forma graciosa pode-se parafrasear uma expressão de David Gilmour dos Pink Floyd: “nunca fui um tecnicista ou virtuoso na guitarra, logo compensei esse handicap através de solos mais harmoniosos e melódicos.” Quem quiser ouvir grandes reefs de guitarra(s), grandes solos ou solis ficará desapontado. Quem esperar encontrar nas guitarras o elemento de ligação inter e entre temas ficará desapontado. Quem esperar agressividade ou “potência” nas guitarras ficará desapontado. Quem esperar que a(s) guitarra(s) assumam o lead role da banda/ álbum ficará desapontado. Sobra o quê então? Subtileza, cumplicidade, harmonia, melodia, discrição, delicadeza. Conceitos estranhos em metal? Não, de todo!

Ambição É a palavra correcta para definir este álbum. Porquê? Juntando todos os ingredientes (novos temas/ lyrics, mais experiência e “rodagem”, mais e melhor conhecimento entre as mais valias individuais e colectivas dos elementos da banda…) e especialmente as três situações descritas anteriormente temos um álbum ambicioso. Ambicioso na concepção, edição (importante!) e produção (muitíssimo importante!!). Se tem tudo para transmitir ousadia e segurança aos próprios Once Human´s e servir como um excelente trampolim para vôos mais altos, resta esperar pelos live shows para perceber se, afinal, as coisas são realmente o que se esperam (anseios naturais após ouvir-se o álbum) ou, pelo contrário, à semelhança de tantas outras bandas apenas servem para escrever comentários ou clicar nos thumbs up nas audições via youtube.

Texto: Simão Silva

Advertisements
This entry was posted in Criticas & Reviews and tagged , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s