A Dança Macabra dos Legacy of Cynthia


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O passado dia 15 foi dia de comemorar, de comemorar aniversários, amizade, vitórias e conquistas, mas mais que isso foi dia de comemorar a música, a boa música que ainda se faz por cá… quem ficou em casa, porque achava que “era mais do mesmo” perdeu.

Mantive-me fiel ao que tenho adoptado desde de que iniciei esta jornada com a Loudness e desde de que, graças a ela, entrei para “a família”, não ouvi uma única faixa do CD cujo lançamento se realizou sábado passado no RCA Club, faço questão que assim seja porque para mim o factor surpresa acaba sempre por me deixar mais emotiva ao que se passa tanto em palco como no público.

Uma noite de música no RCA é sempre uma noite de festa, somos sempre recebidos como amigos e sentimos que estamos em casa e quando a noite em questão se trata de consagrar quem adiramos e gostamos melhor ainda.

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A noite começou com os Advogado do Diabo e desculpem o uso do eufemismo, mas que concerto dos Infernos… estes “Srs. Doutores” sem gravata apresentaram a defesa, a acusação e as alegações finais a um público que embora pouco, (mereciam a casa cheia sem dúvida), não deixou o crédito por mãos alheias. Há muito tempo que não ouvia ao vivo um punk hardcore tão bom e com uma energia tão intensa que tivesse sido a noite um fiasco, coisa que não aconteceu, já teria valido a pena.

Temas como “Migalhas”, “Velhos Amigos”, “Sangue”, fizeram as delícias de quem já se encontrava por lá e os moshes, surfcrowd e circles não se fizeram esperar, muitos com a participação especial do vocalista Rui Kaiapo. Participação especial também de João Bento, aka Bento. O concerto terminou com todos a cantar em uníssono e com a subida ao palco dos fotógrafos para captar o momento para a posterioridade. Não posso também deixar de referir os restantes membros da banda, Migalhas e Bruno na guitarra, Rui na bateria e Rui “Pex” no baixo que ajudaram e muito a festa com a sua energia inabalável.

A repetir sem qualquer réstia de dúvidas.

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Stonerust a banda de Cascais entrou em seguida e a fáscia manteve em alta escala, mesmo com a tirada do vocalista Bruno Vale que referiu:

“não trazer a máscara para vermos o quanto é feio”

Eu só tenho a dizer que de feio pouco tem mas que de “animal em palco” ai não há forma de fuga possível já que isso lhe corre no ADN.

Sábado foi sem dúvida um assalto aos sentidos daqueles que nos deixam com os ouvidos a zumbir, o ritmo cardíaco a galope e um sorriso no rosto, com tempo largo de duração. Foi também dia de reencontros já que o nosso fotógrafo reencontrou Gi Lourenço (baterista de Stonerust) passado 20 anos. Há dias assim cheios de coisas boas.

Coisas boas, como ouvir o baixo de Martín Gaspar, que maravilha, o ritmo da guitarra de Gabriel Ramos, coisas boas que nos provam que em Portugal se faz boa música e se tem músicos do @ralho e só não vê quem não quer!

Temas como “Sangue Sujo”, “Suicide Girl” demonstraram que estes “meninos” estão para ficar e ainda bem. A ouvir ao vivo e a repetir em alto e bom som em todos os ipod deste país.

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Equaleft actuou de seguida e provou, caso houvessem dúvidas, o motivo de ser uma banda tão falada hoje em dia, temas como “Humans”, “Uncover The Masks” ou “Maniac” foram ouvidos e sentidos no RCA. Miguel Inglês não deixa a sua actuação em mãos alheias e mostra sempre que está em palco que ama o que faz e que está ali a fazer o que gosta!

A banda composta por Malone e Miguel Martins (guitarra), Seewald (baixo) e Marcos (bateria) tem uma coesão em palco fantástica o que acaba por transportar o público de uma forma única.

A referir que Marcos Pereira se vai despedir da banda após os dois últimos concertos que faltam para finalizar e passo a citar:

“o capítulo do álbum “Adapt & Survive “”

Nós por aqui desejamos o melhor a Marcos e que tudo corra bem. A prestação contou ainda com a presença em palco de Sérgio Afonso vocalista de Bleeding Display.

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Legacy of Cynthia entrou de seguida, a noite de sábado era por eles, para eles e com eles e foi isso mesmo que aconteceu e foi mais que merecido, mesmo que os tenha admirado ir tanta gente, como fazem questão de referir na sua página oficial.

A humildade destes meninos continua a ser a sua maior arma e a verdade é que a humildade dos grandes demonstra apenas a sua força de carácter.

Os “meninos que tocam na garagem” como ouvi Caesar dizer naquela mesma casa não têm necessidade de o deixar de ser, porque é aí que reside o seu valor, a sua garra e a sua maravilhosa forma de estar e de se dar em palco.

Foi uma noite memorável que merece ser recordada e falada por todos, o “Dance Macabre“é um álbum a ser ouvido em modo repeat de tão bom que é, e, é um orgulho saber que não só tenho a honra de pertencer a esta família, como ainda tenho o orgulho de dizer que o que é nacional é bom e recomendasse.

O concerto deu início com Peter e a sua caixa de música é sempre uma surpresa tentar adivinhar que acessório vai escolher para lhe fazer companhia em palco, e ao som dos primeiros acordes de “Monkey 27” sabia que a noite ia ser de consagração… pelo que já tinha visto e pelo que assumi iria ver a seguir.

Liberdade Gustavo Musica atacou os teclados de uma forma tal que dei por mim presa a forma como não só se entregava a música mas como de facto se divertia em palco… ele cantou… saltou…pulou e deu um toque todo ele especial ao lançamento do álbum, mas foi sobretudo o conjunto de todos que o tornou especial, o sorriso do OZ, a energia inesgotável do Peter (tenho mesmo de lhe perguntar onde raio a vai buscar), a serenidade da guitarra do Mário, a comoção do aniversariante Ceaser e a destreza de Paulo na sua bateria fizeram com que nos sentíssemos como que atraídos para o palco.

Temas como “Walking Cadavers”, “7 Sins”, “The one eye king”, “Suicide Note” demonstram a inteligência e a dedicação empregue a cada um dos temas que incorporam a play list dos Legacy.

A actuação contou ainda com a participação especial de Miguel Inglês e encerrou com “Cabaret” com a presença de Isabel Marques e Inês Freitas (BurnDamage).

Foi uma noite memorável (acho que já disse isto algumas vezes), mas foi mesmo do início ao fim, durante cada um dos concertos que assistimos e que tinham apenas um mote celebrar junto com Legacy of Cynthia o lançamento de um álbum que vamos com toda a certeza ouvir falar e bastante dele.

Agradecimento especial ao André Matos e a Joana Cunha Vieira da Raising Legends pela forma sempre extraordinária como nos recebe e ao pessoal do RCA Club pela forma como nos acolhe.

Até uma próxima, esperemos sinceramente rever-vos a todos e contar com quem não foi no sábado passado as bandas precisam mesmo da vossa presença nos espectáculos.

Texto: Paula Marques

Fotos: Domingos Ambrósio

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