Reverence Festival Valada onde o ambiente de Woodstock se volta a sentir

Segunda-feira dia 5 de Setembro recebi a melhor notícia deste Verão: estava confirmada a minha presença nos 3 dias de culto do Reverence Festival Valada 2016. Seguiu-se uma correria para preparar tudo: saco-cama e mochila emprestada por família, tenda gentilmente cedida às 2h da manhã de quarta-feira e quinta-feira lá fui eu com 30 Kg às costas apanhar o comboio para Reguengo – Vale da Pedra – Pontével, com o senhor das bilheteiras no Oriente a dizer-me

“Ah, vai para a festa?”

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Quinta 8 de Setembro- dia I

Finalmente em terras ribatejanas, à caída da noite, já se agrupavam uns viajantes de negro à espera do autocarro, que não demorou a chegar. O calor morria lentamente e com a chegada ao recinto senti pela primeira vez aquele impacto de estar num festival. Havia mais pessoas do que eu estava à espera, divididas entre o campismo, a vilazinha, as roulottes e o palco onde já passava música ao longe. Tive de pedir luz emprestada para escolher o spot para a tenda porque o campismo estava completamente às escuras, mas senti-me num programa de sobrevivência a montar a tenda às apalpadelas, cheia de forme e a morrer por uma cerveja e música.

A história dos copos reutilizáveis foi polémica, e digamos que o preço das bebidas não era muito acessível, mas havia a opção de devolver o copo no final e reaver os 2€. Lá me fui sentar no palco Rio e a primeira banda que vi foram os Blaak Heat, a tocarem muito bem o seu Psych levezinho que foi perfeito para me introduzir no mood. Seguiram-se os J.C. Satan, com a vocalista de vestido preto curto e o guitarrista/vocalista a pedir ao público

“If you wanna dance, now’s the song for it”.

Ora, o pessoal estava já noutra onda mais relaxante, if you know what I mean, portanto o Pop-Rock desta banda não era de todo o que nos apetecia ouvir. Queixaram-se que nós não dançámos e tocaram uma balada romântica para ver se a coisa resultava melhor, mas a maioria não gostou particularmente da banda ou da sua actuação.

Foram os lisboetas Riding Pânico que souberam pôr a assistência a mexer, com uma excelente progressão de músicas. Começaram de forma soft, inserindo a bateria e os ritmos mais pesados lentamente até rasparem ali um Heavy Sludge para o final. O público reagiu bem e quando o vocalista anunciou que

“estão a dizer que não podemos tocar mais nenhuma”

houve mesmo um momento de desilusão colectiva, queríamos mais. Terminaram precisamente à 0h40, apesar de ser o primeiro dia, os horários do RFV são para cumprir. Thee Oh Sees foi a banda para curtir. Confesso que eu não sabia muito sobre eles, mas imensa gente não só estava expectante, como adorou o espectáculo. Conseguiram pegar na multidão que já estava quentinha e levar-nos a todos para o próximo nível de diversão, com o seu Garage Rock divertido e, este sim, dançável.

No entanto, a festa não durou muito, o palco ficou completamente às escuras e quando dei por mim estávamos a ser expulsos do recinto. Eram muitas as pessoas à espera de continuação, mas os anunciados DJs que iriam assegurar o resto da noite nunca apareceram. Ecoaram gritos de

“Onde é que é o after?”

e isto eram umas 3h da manhã. Muitos dirigiram-se resignados às tendas, provavelmente para darem logo cabo do stock de estupefacientes na primeira noite, mas que mais haveria de se fazer? Além disso, estava estranhamente frio comparando com as noites do ano passado. Outros deambularam pelas roulottes e pelo café da vila à procura de mais. Foram estas pessoas locais que nos salvaram do aborrecimento na primeira noite, com a sua simpatia e extrema disponibilidade. O cafezinho com uma esplanada simpática ficou aberto até de manhã, com a família que gere o negócio a revezar-se em turnos para cobrir a necessidade de estarem abertos tanto tempo. Já para não dizer que a certo ponto o preço das bebidas já era ridiculamente baixo, copos cheios de whisky e 3 gotas de cola a 2,5€. Que mais se podia querer?

Sexta, 9 de Setembro – Dia II

Depois de ter dormido terrivelmente mal no meio de moscas e do calor que já havia de manhã, acordei a escorrer suor já com música a tocar. Tomei um duche frio que me soube pela vida ao som de música melosa que seriam os Ossos d’Ouvido (uma das bandas vencedoras do concurso no Cartaxo) ou já os Twin Transistors. Era um Psych indiferenciado e a luz do sol a brincar aos arcos-íris através da água dos chuveiros deu todo um momento bonito verdadeiramente etéreo.

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Acordei para a vida com os acordes mais pesados de The Black Wizards e a sua vocalista à anos 60, numa mistura excelente entre as influências Fuzz do passado, aquela voz limpa a contrastar e uma boa performance técnica. Foi a abertura perfeita para o Palco Rio, em português, e toda a gente com quem falei ficou agradavelmente surpreendida. Miss Lava, que já não precisa de muitas introduções, trouxe o seu Stoner Heavy Rock ao Palco Indiegente. A começarem apropriadamente às 16h20, foi como se dissessem que era a hora de acender uma e começar o espectáculo. De seguida abriu o Palco Sontronics com Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, que alteraram completamente a vibe calminha que ainda havia no recinto. Com uma impressionante energia em palco, especialmente para uma Jam, estes rapazes do Reino Unido trouxeram a primeira loucura ao dia, principalmente pela voz e movimentos do vocalista. De tronco nu, era impossível tirar fotos decentes que o homem não parava quieto, aos saltos de um lado para o outro, com o microfone enfiado na boca a berrar como se estivesse a soltar um demónio.

Não consegui ver LSD & The Search for God e só apanhei um pouco de The Dirty Coal Train, que pediram desculpa pela falta de energia porque tinham vindo do hospital. The Papermoon Sessions que iam tocar no Palco Sontronics perderam a sua “moon part”, devido à impossibilidade dos Electric Moon/Zone Six de comparecerem. Acabaram por tocar só a “paper part”, os Papir, que se aliaram ao Dr Space (Scott Heller dos Øresund Space Collective que só tocariam no dia seguinte). O resultado foi algo incrível. A banda dos dinamarqueses novinhos tocava liderada por um Gandalf mais novo numa fase hippie, ainda com uns quantos cabelos e barba escura, de lenço azul atado na cabeça com uns óculos escuros por cima, em frente a uma caixinha mágica donde tirava barulhos estranhos psicadélicos. Poucas palavras chegaram para lamentar a ausência do grupo alemão e prometer uma viagem, que foi melhor do que eu estava à espera. Este duo de última hora não só resultou como nos levou realmente numa viagem que se prolongaria pelo resto da tarde e noite.

Os Silver Apples começaram então a tocar no Palco Rio, e havia alguma curiosidade de ver Simeon a brincar com o seu sintetizador artesanal dos primórdios da música com efeitos. Com um som também Psych mas mais electrónico do que as outras bandas, que muita gente gostou, mas que acabou por não ser a minha cena ou talvez necessitar de outro tipo de drogas, aproveitei para recarregar energias para os concertos da noite. Adivinhava-se a procissão arrastada entre os 2 palcos principais até às tantas e nestas coisas convém ir comendo e hidratando para se sobreviver. A seguir ao (meu) jantar fui ver os Yawning Man, que tinham algum público com expectativa de os ver. Pessoalmente gostei e foi mesmo o que precisava, bastante chill e algo trippy, mas muitas pessoas falaram em desilusão, que foi mais aborrecido ao vivo do que esperavam.

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Fat White Family foram muito bons, nas minhas palavras e nas dos fãs. Parece Brit Rock arranjadinho mas eles enganam bem, por vezes degenerava em decadência, com o vocalista de tronco nu a sentir muito o que cantava, num rock humilde mesmo à Londres mas com gritos de

“You’d sell your mother’s cunt to open doors”

por cima.

Claro que para ver isto, com muita pena minha, perdi os portugueses Fast Eddie Nelson e Correia, que tocaram no Palco Indiegente. Mesmo assim tinham público e eram uma boa opção para quem não gostava assim tanto do que estava a acontecer nos outros palcos.

Foi então que me perdi mesmo na viagem que tinha começado de tarde, com os Dead Meadow a tocar lindamente aquele Stoner delicioso que os americanos sabem fazer tão bem. Não sei onde estive em The Raveonettes e The Brian Jonestown Massacre parece que foi agridoce. Por um lado tinham muita gente que os queria ver, mas por outro o vocalista disse que ainda não tinha visto nada de especial em Portugal, e pelo que percebi nós também não vimos nada de especial neles.

Fui ver A Place to Bury Strangers sem saber que já tinham estado numa edição passada do RFV e estava simplesmente a curtir o som raspado e distorcido no meio da multidão quando, do nada, o guitarrista levanta a guitarra e rebenta com ela com toda a força no palco. Ainda estava eu de boca aberta pois nunca tinha presenciado tal coisa, começam o baterista e o baixista a tocarem algures atrás de mim, numa plataforma. O público virava-se para um lado e para o outro sem saber como reagir. Era o caos, era barulho, falava-se de um braço de guitarra que já andava cá em baixo e a adrenalina disparou depois de toda aquela trip anterior. Era Rock. Puro e duro. Só quando encontrei um amigo num dos caminhos para esvaziar a bexiga é que percebi que tinham partido não uma, mas 3 guitarras durante o concerto, tal foi a confusão e o êxtase do momento. Para os mais sensíveis a estes acontecimentos, não se preocupem que todas as guitarras partidas em concertos são posteriormente arranjadas por Oliver Ackermann (guitarrista/vocalista).

O resto da noite é-me difuso, naturalmente, e quem lá esteve deverá perceber porquê. Apareceu o Nik Turner com o seu New Space Ritual para substituir os Zone Six e a seguir veio mais Space Rock com Ozric Tentacles. Não me lembro de todo de The Japanese Girl, acho que fiquei mesmo a contemplar o universo por cima do Palco Sontronics enquanto a música me levava por caminhos novos e experiências no mínimo interessantes. Desta vez os DJs estiveram lá até de manhã, com coisas mais electro para quem estava com a pica toda, enquanto a roulotte ao pé do campismo oferecia uma opção mais metálica onde estava a passar Dimmu Borgir (nem me perguntem como).

Sábado 10 de Setembro – Dia III

Só no sábado descobri um dos truques do RFV, que os “veteranos” que encontrei já sabiam: a praiazinha fluvial, com a sombra das árvores e muito menos moscas do que o campismo, é ideal para se estar um pouco deitado de manhã antes dos concertos. O café da praia passava música de rádio mas ao meu lado surgiu logo aquela jam improvisada obrigatória entre uma guitarra clássica e uns tambores e, momentos mais tarde, o soundcheck do Palco Sontronics já chegava até nós.

Infelizmente acabei por perder o início do último dia de festividades com os Moloch, a segunda banda portuguesa que ganhou o concurso no Cartaxo, e que eu tinha conhecido no Dia I. Ouvi o vozeirão de Charles de La Chanson Noire ainda do campismo, mas consegui ainda apanhar o final do set. Sentado ao seu teclado, com Diogo Beleza na bateria, encantou o público que já se encontrava nas mesas das merendas com o seu característico à vontade em palco, que traz sempre um extra ao seu trabalho gravado.

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O ambiente estava algo diferente. Era, afinal, o dia das bandas maiores, e realmente foi o dia com mais gente, apesar do campismo continuar mais ou menos igual. Sentadas à sombra estavam raparigas de corpete e saias armadas, como bonecas de porcelana góticas. Havia punks de 40 anos e mohawks coloridas perfeitas. Famílias locais que, por terem entrada gratuita, apareceram por lá como quem vai à festa da aldeia, estenderam uma toalhinha no chão e ficaram a ouvir aquela música estranha. Miúdos dançavam e abanavam a cabeça, mini-stoners e futuros rejeitados da sociedade. Começaram a chegar os que vinham ver as suas bandas preferidas da adolescência mas que já tinham deixado o descolorante e os picos para trás há muito e que traziam cabelos brancos e barriga de cerveja. Os sobreviventes dos últimos dois dias arrastavam-se a fugir do sol, de cabelos desgrenhados e já pouca noção de decência.

Øresund Space Collective e Papir lá tocaram nos seus horários originais, enquanto Phantom Vision, banda liderada pelo DJ Morcego, trouxeram o misticismo negro ao RFV, muito bem acompanhados pela Veronique Divine, com uma actuação elegante com véus negros dançantes e, a certo ponto, uns pon-pons coloridos. Passei pelo Palco Rio onde os The Veldt produziam uma música suave, uma espécie de fusão entre vários elementos, com o público na sua maioria sentado a descontrair.

Fui então ver a banda portuguesa que entrou à última hora após o cancelamento de Killing Joke, os Névoa, e percebi a que se deve tanto reconhecimento apesar da sua curta carreira. Começaram a tocar ao lusco-fusco, com o público ainda disperso, notas lentas que foram subindo em intensidade. Quando os ritmos atacaram, parecia um chamamento negro para um ritual: a atmosfera ficou mais pesada, as pessoas adensaram-se e curvaram-se enquanto estes rapazes do Porto misturavam o seu som de forma perfeita. Conseguem passar de Funeral Doom a Black Metal a quase mantras de meditação depressivos com tanta naturalidade que parece não envolver esforço algum. O vocalista/baixista mostrou uma voz brutal e um controlo impressionante das vocalizações, mesmo com um bocado de papel branco enfiado no nariz por estar a sangrar. O baterista revelou uma noção perfeita de ritmo, unindo toda a atmosfera da banda num peso que eu não estava à espera que conseguissem transmitir ao vivo. Foi sem dúvida a banda revelação para mim deste RFV’16.

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Caiu então a noite em Valada, no último dia do festival. O cancelamento de Killing Joke causou imensos transtornos. A organização, que para mim é bastante eficaz e preocupada, tentou contornar isto, com a adição dos Névoa e mudanças de palco à última hora, mas falhou num ponto crucial que foi informar os festivaleiros das alterações. Eu fiquei pelo Palco Rio onde o Nik Turner dava mais um espectáculo, mas que desta vez eu vi com olhos de ver. De chapéu à cowboy, de guitarra ou saxofone, este senhor ex-Hawkwind mostrou que a idade também não é um problema no RFV. Nas suas próprias palavras, levou-nos a viajar no tempo, algures entre o Blues e o Jazz e o início de tudo. É verdade que a voz estava já um pouco fraca, a arrastar tipo Bob Dylan, mas olhando para o público percebia-se que o tempo estava lento para toda a gente. Ainda tiveram uma dançarina num fato brilhante tipo anos 20 psicadélicos, com muita gente a dançar no público também.

Já não fui a tempo de apanhar Mécanosphère, outra colaboração do “nosso” Adolfo Luxúria Canibal, a cantar em português mas com electrónica de fundo francesa. Fontes confirmaram-me que deu mais um espectáculo memorável, mas tudo o que eu apanhei foram gritos a falar de pombos a ecoar pelas tendas abandonadas àquela hora, num momento bastante… bizarro. Pelo menos nessa altura o pessoal pareceu situar-se, era mais do que claro quem estava a berrar no Palco Sontronics, e muitos ainda se dirigiram ao Palco Rio para verem tocar os portugueses The Quartet of Woah!

The Damned levaram uma legião de fãs, de várias gerações, ao RFV. Saídos directamente da cena Rock de Londres dos anos 70, o vocalista vestia uma t-shirt listrada preta e vermelha com uma boina na cabeça.

“1977 we say fuck the Disco with a song that goes something like this”

disse, com o público a vibrar, antes de tocarem “Disco Man”. Com muito valor técnico, boa disposição e simpatia:

“You’re incredible!”

passaram por temas antigos e temas mais recentes, que pareciam não ter tanta adesão do público.

De seguida deu-se a peregrinação gótica para The Sisters of Mercy. A banda, que não permitiu fotógrafos no fosso nem deu quaisquer entrevistas, esteve sempre em palco envolvida por fumo espesso, com o vocalista Eldritch de óculos escuros meio escondido. Mesmo os restantes membros que tocavam em palco apareciam apenas por alguns segundos antes de voltarem a mergulhar no nevoeiro. O público adorou, no entanto, sempre a cantar e a dançar, e Sisters tocaram de forma impecável todos os clássicos e músicas que seriam de esperar, com a voz de Eldritch sem falhas. Gerou-se um debate interessante entre os fãs de Damned e de Sisters: o que é melhor, continuar a gravar discos com qualidade decrescente, ou parar de gravar e simplesmente dar concertos com os grandes êxitos do passado?

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Veio então o meu momento mais aguardado dos 3 dias de festival, o super-grupo do Doom, With the Dead. Vi o concerto na grade, em frente ao grande Lee Dorrian, e não me desapontaram. Os riffs muito bem executados por Tim Bagshaw (ex-Electric Wizard), a voz do Lee mais do que treinada, toda aquela parede de som a embater contra o público que se uniu num headbang colectivo, onde se percebeu que eu não era a única que estava a precisar de um elemento de metal mais pesado no meio do RFV. Houve mosh, crowdsurf, mãos levantadas em corninhos e muito fumo também, mas neste concerto era do lado do público que vinha o nevoeiro. Pareceu-me que a banda não estava à espera de uma recepção tão efusiva e que ficou agradavelmente surpreendida. No final parecia mesmo que iam fazer um encore e ficámos lá um pouco a chamar por outra música, mas não aconteceu.

Ainda vi Mars Red Sky antes de desligar do mundo, banda que também conta já com um bom número de fãs. O seu Stoner traduz-se bem ao vivo em termos instrumentais, mas o vocalista deixou algo a desejar, não sei se por outro problema qualquer ou porque realmente em álbum tem alguns truques de gravação. Passaram por temas dos vários álbuns e nota-se claramente como as suas primeiras músicas são mais populares e, na minha opinião, melhores. No entanto, não me posso queixar, ainda ouvi a “Strong Reflection” deitada de costas a olhar para um céu estrelado completamente limpo.

Ainda houve música até muito tarde (ou deveria dizer cedo), mas não consigo já precisar os acontecimentos. Era de manhã quando fui tentar dormir para a praia e já havia pessoas a saírem do campismo. Na verdade, já passavam das 17h quando apanhei um táxi para a estação de Reguengo, onde fiz de tradutora para um grupo de estrangeiros que se aglomeraram entretanto. Quando dei por mim era a única portuguesa no meio de ingleses, finlandeses, alemães, escoceses, italianos e até uma australiana. O casal da roulotte do campismo ofereceu-nos um copinho de vinho abafado enquanto o puto deles recolhia lixo todo contente. O taxista contou como tem trabalhado no RFV desde o primeiro ano, como somos todos muito educados (apesar do aspecto) e fazemos menos lixo no Parque de Merendas do que os residentes lá de Valada. E, por falar em lixo, realmente os copos caros têm uma vantagem: não havia aquela visão poluente de milhares de copos de plástico no chão no final dos concertos. Estava tudo sempre impecável.

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O Reverence Festival Valada 2016 foi a edição mais pequena deste que é já um festival de culto, o mais próximo que conseguimos ter de um Woodstock, não em termos de bandas e tamanho, porque não é isso que faz o RFV, mas sim em ambiente. Ouvi portugueses a dizerem que não encontravam um festival deste género desde os antigos Paredes de Coura (ainda nem eu ia a concertos) e estrangeiros a dizerem que isto foi melhor que o Hellfest. Vale a pena vir viver esta sensação de família, de entre-ajuda, mesmo que só se goste da música no geral ou de umas poucas bandas. Este é um local de reunião de misfits, esquisitos, freaks e todo o tipo de pessoas que, na sua maioria, desafiam a norma. E, enquanto na maioria dos eventos o público se separa muito por géneros, aqui estão todos misturados, como um convívio gigante de pessoas alternativas. A norma aqui é outra, é como se ao chegar a este canto no fim do mundo com 40 graus à sombra tudo o resto deixasse de importar por uns dias, e há a regra assumida do não julgar, do dar e receber sem esperar nada em troca, do vive e deixa viver.

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Texto e fotos: Inês Torga

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