Sonic Blast Moledo um festival de stoner, doom, metal e rock psicadélico

sonicblastmoledo2016-3Sonic Blast! A última oportunidade de muita gente para festejar e ficar completamente alterado antes do fim do verão, antes do fim de ter demasiado tempo livre e ser obrigado a voltar a fazer o que quer que seja que vocês fazem. Eu cheguei no dia do Warm Up mas antes de ir para a frente com esta reportagem, tenho que dizer o seguinte.

Isto é um festival de stoner, doom, metal e rock psicadélico, tem um palco com piscina e o público está constantemente a fumá-los, portanto a maior parte da audiência permanecia sentada nas toalhas a apreciar a música com os ouvidos e não com o corpo todo. É um festival para se encostar e relaxar, o pessoal está mais dormente do que um braço quando adormeceste em cima dele durante oito horas. Por isso, se parecer que eu estou a descrever uma audiência desinteressada, distante e apática, não estou, simplesmente é assim, sempre foi assim e não ia querer que fosse de outra maneira.

Também foi mais complicado chegar ao festival do que é costume devido ao país estar todo a arder. Muitas estradas estavam cortadas, mesmo quando caminhávamos para o Warm Up, por trás da colina conseguíamos ver a luz ameaçadora do incêndio no mato a erguer se por detrás da montanha como os abdominais ardentes e fumados de Satanás a olhar para o mar.

Aparte isso tudo, o Warm Up estava à pinha, muita gente estava espalhada pelos arredores do bar e na praia, a trabalhar no duro para evitar a sobriedade, incluindo eu. Era possível ouvir a música que vinha do bar, não era preciso estar lá para apreciar e ainda bem, o palco era menos de um pé de altura e o sítio estava completamente cheio.

Não aconteceu muito nessa noite, por isso adiante para o festival em si. O primeiro dia trouxe complicações, a fotógrafa perdeu-se e quando se encontrou, todas as estradas estavam cortadas por causa dos incêndios. Chegou a tempo de tirar fotos de “Correia” na piscina.

Como estava preocupado e ocupado a tentar fazer com que ela chega-se para fazermos o nosso trabalho, perdi “Possessor” e toda a gente me disse que foi incrivelmente brutal, literalmente toda a gente com quem falei me dá descrições incríveis do concerto. Vi um bocado de “Asimov”, eles tocavam bem naqueles instrumentos, não posso dizer muito mais.

É muito fácil perder bandas no Sonic Blast e aqui está porquê. O campismo é incrível, é mesmo, estás la sentado ao lado da tenda com os amigos a fumar “esses” e parece que estás num sofá em casa, ficas preguiçoso, não te apetece ir a sítios. Para tornar as coisas mais difíceis, o festival é cerca de dez, quinze minutos a pé a subir, leram bem, é preciso subir a montanha para ver música ao vivo.

Naturalmente, se é preciso lidar com a ressaca do dia anterior, tratar de manutenções pessoais como comer, verter fluidos corporais, fazer de conta que não estamos nojentos, por as merdas em ordem no geral, é difícil balançar todas estas coisas sem perder alguns concertos. Ainda mais quando a fotografa se perde e não se despacha.

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Com isto em mente, vamos ao que aconteceu. A primeira banda que vimos decentemente foi “Correia” na piscina, uma boa mistura de blues com stoner com momentos de Groove e melancolia. O antigo vocalista de “Men Eater” tocava guitarra, o que é sempre uma boa maneira de me convencer a ver uma banda.

A seguir, os Espanhóis “Brain Pyramid” abriram o palco principal pela primeira vez com o seu rock psicadélico. A maioria das pessoas estava sentada ou deitada em frente ao palco a apreciar esses riffs e “esses”.

Perdi as duas bandas seguintes porque o meu jantar estava no acampamento, demasiado longe e demasiado por cozinhar. Voltei a tempo de ver a montanha sagrada a erguer-se. “Sacri Monti”, banda que tinha toda a gente excitada, foram a primeira grande banda do dia, pelo que me disseram um deles já esteve nos “Radio Moscow”, sempre bom saber e bom para convencer.

O público estava excitado com boas razões, foi um concerto agradável, preenchido com o hard psychedelic krautrock progressivo com influências dos anos 70 que toda a gente veio ver e toda a gente se veio a ver. A audiência não ficou selvagem porque raramente acontecia, mas as palmas e o barulho estavam lá para que a banda soubesse que estávamos a ter orgasmos nas orelhas.

Depois houve orgasmos com “All them Witches” e com o stoner blues rock deles. Mais um bom espectáculo no palco principal cheio de pessoas a abanar o corpo como ondas ao ritmo da musica e preenchendo o ar com fumo de cheiro aliciante.

Aparentemente, era durante este concerto que eu devia ter ido entrevistar os “Valient Thorr” que iam tocar a seguir, mas quando colocaram o horário das entrevistas era tarde demais e perdi a minha primeira entrevista de sempre. Eu nem sabia que era suposto perder bandas para fazer entrevistas.

Depois de eu ter dado uma tampa aos “Valient Thorr”, eles não deram uma tampa ao publico, “Sleeper awakens” chegou mesmo a tempo de derreter a cara de toda a gente com rock sexy, suado, barbudo e musculoso. A parte em que eu disse que o publico estava maioritariamente sentado ou deitado no festival sem se mexer muito não se aplica aqui, sem surpresas no entanto. Foi de longe o concerto mais energético e louco de todo o festival, musicas incríveis como “Double Crossed”, “Man Behind the Curtain”, “Heatseeker”, “Tomorrow Police”, “Mask of Sanity” e “Master Collider” foram alguns dos sons que puseram toda a gente tesa, molhada ou ambos.

A banda em si tem uma presença e energia em palco tremendas. Como se não chegasse, o Valient Himself é sem dúvida o homem mais motivado, inspirador e divertido que alguma vez viveu em cima de um palco. Se não se sentiram bem durante o concerto, provavelmente foi alguma coisa que comeram ou as vossas orelhas não funcionam direito.

Depois desta exibição incrível, toda a gente deambulou para o after party na praia ou para o campismo buscar álcool. E foi o primeiro dia do Sonic Blast.

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Dia 2

No segundo dia do festival consegui ver tudo menos a primeira banda. Vi o suficiente de “Bala” para me arrepender de não ter chegado mais cedo. Um duo espanhol que partiu tudo de uma maneira muito agradável, foi dos poucos concertos na piscina em que o público estava deitado e não devia ter estado, aquelas duas senhoras tinham muita energia, mas apesar da aparência demasiado relaxada da audiência, aplausos e gritos de apoio foram ouvidos e bem merecidos. Preciso de as ver outra vez.

Seguiu-se mais musica espanhola, desta vez mais relaxada e a dizer-te para acender um. “Cachemira”, um trio de heavy psych blues tocaram para a festa da piscina. A piscina mantinha o recinto permanentemente cheio, mesmo que não quisessem ver as bandas acabavam por ver muita coisa porque a piscina era já ali e toda a gente queria estar na piscina. Isto funciona sempre a favor das bandas da piscina, audiência garantida.

Eu adormecia e acordava intermitentemente entre e durante concertos. Só sei que toda a música passou por mim como uma corrente de água agradável ou uma brisa fresca naquele dia quente como o caralho.

Incluindo os “Vircator” que tocaram a seguir. O seu auto intitulado rock vindo do espaço fez mesmo com que algumas pessoas na frente se levantassem e abanassem um bocado. O resto continuou sentado e dormente a apreciar o concerto como música de fundo.

A fechar o palco piscina pela última vez este ano vieram os suecos “SpellJammer” que puseram muito mais povo em pé pelo seu doom stoner. Definitivamente um dos melhores concertos do palco piscina, os seus riffs pesados vibraram as pessoas e as suas cabeças caíram vezes e vezes sem conta. Uma experiência agradável ao lado da piscina, mesmo o sol que no segundo se manteve escondido atrás de nuvens, apareceu durante o concerto para ver os “SpellJammer”.

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Antes do palco principal abrir, houve uma surpresa inesperada. Os“Mr Miyagi” apareceram de repente no skate park e tocaram um dos seus concertos clássicos de punk. Uma audiência considerável encontrava-se lá a apreciar o concerto com sorrisos, corpo e mente. Só vi o final do concerto porque foi uma surpresa, aconteceu como a combustão espontânea e foi bom.

O palco principal começou com “The Black Wizards”, fuzzadelic pesado português que vai vibrar o teu corpo até ficares depilado. Grandes músicas com grandes riffs caíram sobre a audiência deixando uma sensação de tranquilidade e vibrações pelo corpo todo. Um concerto de abertura admirável.

A seguir tocaram os “Killimanjaro” vindos do grande reino de Barcelos. O seu barco fantasma gigante com uma semelhança incrível a Sir Lord Baltimore saiu do oceano e encheu o ar com o seu rock pesado, a mistura da voz energética, grande energia e presença em palco resultaram num bom concerto.

Depois apareceram os profetas do stoner metal em palco, “Stoned Jesus”. A começar com “Electric Mistress”, este foi mais um daqueles concertos que pôs toda a gente com a franga a arder, eu incluído. Cabeças e corpos abanaram e vozes do público ecoaram com tanta convicção e peso que a banda sentiu-se os Deep Purple por alguns momentos. “YFS”, “Stormy Monday” e “Bright like the Morning” foram tocadas a seguir, mantendo a audiência feliz e intensamente louca.

Quando tocaram a “I’m the Mountain”, toda a gente sabia a letra e derretemos o coração de Jesus com as nossas lindas vozes, mas não por muito tempo visto que a voz dele era melhor. Houve mesmo um pequeno mosh pit no final da música, bizarro.

Começaram a tocar a “Black Woods” e enrolar um tornou-se obrigatório, aconteceu enquanto a música fazia com que toda a gente se mexe-se por todo o lado. Não tenho a certeza se houve mais um mosh pit nesta musica durante uma das partes mais aceleradas.

Não foi tão estranho quando um mosh pit muito maior abriu na música que fechou o concerto “Here come the Robots”. As guitarras não estavam constantemente a mudar de aspecto, mas o público excedeu-se mesmo com o tamanho do mosh pit, parecia mais o início que o fim do concerto. De qualquer maneira, foi um grande concerto.

Depois deste espectáculo, algo ambíguo aconteceu. Consegui a minha primeira entrevista, sem a ajuda da organização (sem ressentimentos) mas para isso, tive que perder o início do incrível concerto que aconteceu mesmo ali ao lado. Assim que acabou a entrevista toda a gente se despachou para ir ver “Uncle Acid and the Deadbeats”.

Foram tão bons que eu cheguei mesmo a pensar que eram uma banda antiga, estava convencido que já tocavam há tanto tempo como os Electric Wizard ou os Sleep. Independentemente disso, eram mestres a trabalhar naquele palco, o espectáculo foi uma demonstração intensa de riffs ocultos profundamente satisfatórios. Senti-me mal por não ter visto a começar mas foi por uma boa causa. A noite ficou ainda mais negra quando eles tocaram.

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De seguida foi mais uma banda que deixou toda a gente mesmo excitada, até o vocalista de “Stoned Jesus” foi buscar uma t shirt deles antes de tocar. Três suecos chamados “Truckfighters” vieram para dar porrada em camiões e tocar stoner metal daquele mais energético e com Groove. A audiência ficou tão louca como o guitarrista irrequieto da banda que não se fartava de saltar e correr por todos os lados, sintonia perfeita entre músicos e apreciadores de música. Um concerto longo e agradável carregado de poder deixou toda a gente esfomeada por mais combates de camiões.

A acabar o festival de vez, outra banda sueca veio espalhar o doom de uma vez por todas. “Salem’s Pot” vieram mostrar a toda a gente que um gajo num vestido consegue ter mais pinta que muita gente. A começar com “Tranny Takes a Trip” eles levaram nos por uma viagem de riffs lentos e assombrosos e ataques repentinos de Groove misturado com blues e stoner que culminaram em “Nothing Hill” onde as nossas cabeças esqueceram o conceito de gravidade e simplesmente abanaram. Depois a festa de carnaval tocou “Just for Kicks” e incluíram uma dose de “Creep Purple” para manter o efeito da música nos nossos cérebros.

Como gostamos tanto do efeito, ficamos e insistimos por outra música e eles tocaram outra, encerrando um dos concertos mais memoráveis do festival na minha opinião e o festival em si.

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E foi assim que toda a gente ficou bêbada e pedrada na praia no Sonic Blast. Tem sido assim já há alguns anos e esperemos que continue assim, o festival continua a crescer e a melhorar desde a primeira vez que lá fui, tem sido difícil não voltar todos os anos para mais stoner doom delicioso.

Texto: João Alves

Fotografias: Inês Oliveira

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