O metal de regresso a Vagos – parte I

Na página do facebook do evento de Vagos pode-se ler:

“Estamos nos ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos…”

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Poderia ser o inicio de uma nova estória de Asterix e Obelix poderia mas não é, é antes a descrição daquilo que foi um trabalho árduo da Câmara de Vagos e da Amazing Events para não deixar morrer aquele que é já um festival de culto de metal (ler em português como diz um amigo meu) em Portugal.
Eu falo por mim e penso que posso falar por todos vocês que este foi um festival de simultâneos sentimentos logo que acabou o ano passado ficou o sentimento de “vemos-nos para o ano”… em seguido o “estas a gozar não estás? Diz-me que estas a gozar” quando soube da sua mudança para Corroios… seguido de “ah @aralho grande iniciativa da Câmara” e depois foi um seguimento de “ai eu não acredito que eles vêm cá” até ao apoteótico “ai meu Deus… ai meu Deus conseguimos as acreditações”.

Por isso ontem metemos-nos a caminho… em direcção a Vagos e a dois dias de reencontros entre amigos, boa bebida, boa comida… excelente música… este ano até o After Party prometia pelas mãos de António Freitas e os Rockline Tribe aqui entre nós posso dizer que foi curtir até as 6 da manhã.

Vamos então começar pelo inicio, e quando me refiro ao inicio é mesmo à chegada as bilheteiras, sermos recebidos com um sorriso de orelha a orelha é um luxo, da senhora que nos apertou a pulseira com o alicate, ao segurança que nos desejou bom festival…ao que não nos queria deixar ir para o campismo porque segundo ele:

“F@da-se” vocês não mostram as coisas!”

cinco estrelas, o mote deste festival é a simpatia e meus amigos confirmo e atesto que assim é!

A zona de concertos este ano está diferente, a mudar mudasse sempre nem que seja para pior, o que não é definitivamente este o caso, esta mais ampla…mais “arrumada” digamos assim. Menos dispersas, as barraquinhas de comida/bebida estão todas organizadas em frente ao palco o que permite uma maior área para curtir o som. Aqui a apontar algo negativo talvez refira a escassez de locais para sentar, mas como podíamos sempre “abancar” na relva estávamos bem.

Ambiente-2

A abertura deu-se pelas mãos dos Correia, a banda do Algarve esteve mais que à altura de tal tarefa, não conhecia (shame on me) mas fiquei surpreendida pela positiva, uma presença em palco fabulosa , música com um groove delicioso que fez sentir em casa quem ia entrando no recinto e foi ficando a ouvir, a banda de abertura teve uma boa recepção e foi mais que merecido.

Aos acordes de “Down by the lake” a mim já me tinham conquistado e acredito que ao resto do pessoal também. Uma banda a seguir sem sombra de dúvidas.

A banda de Paris Betraying the Martyrs actuou de seguida e agarrou o público aos primeiros acordes prova disso foi que coube a estes senhores o primeiro moshe pit do dia.

A referencia do vocalista Aaron à calamidade que temos sentido nos últimos tempos assim como a homenagem aos nossos bombeiros caiu muito bem o que fez com que todos focassem ainda mais a atenção aos artistas que actuaram com alma e com vontade.

A referir dois pontos a sintonia da voz gutural de Aaron com a limpidez da voz do teclista Victor Guillet assim como uma maravilhosa cover do tema principal do filme Frozen com direito a uma simpática Wall of Death… a Disney nunca mais será a mesma na lembrança dos mais pequenos que este ano e ainda bem abundam pela Quinta do Ega.

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Coube a Vektor a primeira ovacção da noite e a banda veio com vontade de agarrar o público, som potente, poucas paragens entre músicas e muito trabalho aos seguranças que começaram a sentir nos braços o peso do continuo crowd surf que se fez sentir, assim como se começou a captar no ar o cheiro a pó que só um bom mosh pit produz. A banda não defraudou quem se deslocou para os ver e o público não se fez de rogado ao que era pedido.

RAMP foi a banda que se seguiu e verdade seja dita, sejam amados ou odiados mexe com o público de uma forma que se sente na pele. Estes senhores fazem jus ao vinho do porto e estão cada dia melhor e eu como “amante” na área da guitarra não consegui parar de sorrir ao ver a sua actuação, dá gosto ver a energia destes senhores e orgulha qualquer tuga que se preze .Acabaram com uma das melhores deixas para as bandas que se iriam seguir:

“ Em seguida temos missa e depois um funeral negro”

e com a promessa de um novo álbum se “nós quiséssemos” ao que a mim só me resta perguntar – já cá esta?

Fleshgod Apocalypse actuou em seguida e o tempo regrediu em Vagos até Itália do Sec. XVIII, se pensarmos que o cenário de uma banda conta muito para transmitir o que queremos ao público, Fleshgod leva essa máxima a sério, pena o som, eu pelo menos de onde estava senti que haveria algum problema, principalmente no vocalista pelo que não o consegui ouvir como deveria.

Quem estava mais junto ao palco não pareceu sentir o mesmo e a banda manteve o público preso.

Ambiente-4

De Itália rumamos até Transylvania para vermos Vlad o Impalador pela voz de Heljarmadr dos Dark Funeral a banda de black metal de Stockholm manteve o misticismo que era exigido e foi centrando a sua actuação entre álbuns mais antigos e o seu novo trabalho “Where Shadows Forever Reign” foi pelas minhas contas a primeira banda da noite a quem foi solicitado o tão famoso encore.

Bizarra Locomotiva encerrou a noite, pelo menos no que diz respeito a concertos, e já pouco se consegue falar da actuação da banda de Lisboa. O Rui Sidónio e os restantes membros são monstros e fizeram mesmo os mais cansados manterem-se de pedra e cal junto ao palco enquanto cantavam em plenos pulmões temas como “A febre de Icáro” ou “Mortuário”.

É sempre bom rever Bizarra e é sempre divertido ver, pelo menos quem não está habituado à sua actuação, a cara de quem está de serviço quando o Rui resolver fazer a sua incursão pelo meio do público.

A noite terminou como referi acima pelas mãos do António Freitas e os Rockline Tribe e foi festa até o dia raiar.

Como primeiro dia, do primeiro Vagos Metal Fest apenas se pode dizer que superou as expectativas a mil por cento não apenas pelos concertos ou pelas bandas, mas também pela forma como fomos recebidos e por sentir acima de tudo que quem se deslocou até Vagos está genuinamente feliz pela forma como as coisas se proporcionaram.

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Aos habitantes de Vagos em especial ao Vago Delícias o nosso obrigada pela forma como nos recebe sempre e por nos ter permitido “alugar” a mesa para vos fazer chegar o primeiro dia, do primeiro de muitos Vagos Metal Fest.

Logo há mais!

Texto: Paula Marques

Fotos: Domingos Ambrosio

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