Uma noite de luz com Carlos Santana

27072016_santana-1

Vamos tentar colocar por palavras o que foi a noite de ontem no Meo Arena, é suposto quando um evento é grandioso e único ser mais fácil transcrever o que sentimos…mas quem inventou essa máxima na realidade não fazia ideia do que falava.

Vamos então começar da forma com que sempre começam os meus textos, pode ser que assim me ajude a mim e não vos baralhe a vocês… uma palavra para descrever a noite de ontem… “transcendental”.

E poderia ter sido pela abertura que nos levou, mesmo a quem não nasceu nessa época, aos tempos idealistas de 1969, quando uma multidão de jovens se deslocou para aquele que foi considerado o primeiro dos festivais, “Woodstock”, e que acabou por ser considerado o início do fim dos idealismos de uma geração que considerava que o amor iria mudar o mundo… foi esse o mote que nos trouxe ontem Carlos Santana… a energia transcendental que a música desencadeia e que só o amor mantém.

Como Santana fez questão de referir:

“É o amor que nos mantém, a luz, deixem as religiões, a política, as bandeiras, desliguem as televisões e all that shit e saiam para a rua, convivam… mantenham a luz e o amor”

E foi… uma noite arrepiante e única, onde até as selfies, as gravações e os telemóveis tiveram muito mais recolhidos, quase que tímidos para não se intrometerem entre nós público e eles músicos.

27072016_santana-7

A noite foi em si um momento, momentos altos houve muitos, tantos que provavelmente não os conseguirei enumerar, pelo que peço desculpa por isso, tivemos o início obviamente que nos fez sentir como o Michael J. Fox e o seu regresso ao passado com “Woodstock intro”, o solo do baixista Benny Rietveld que provou que em palco cada artista tem o seu lugar e demarcou bem o seu, com a arrepiante cover de John LennonImagine”, tocado por ele e cantado a plenos pulmões pela sala em peso do Meo Arena, o solo da magnifica baterista Cindy Blackman Santana, que nos fez acompanhar ao som de palmas de tal forma fortes que ainda hoje sinto as palmas das mãos dormentes, a cumplicidade de baterista/guitarrista… esposa/marido… Carlos/Cindy sentiu-se em todos os cantos da arena e foi tão bonito de se ver…“Roxanne” tocado e magnificamente cantada pelo guitarrista Tommy Anthony… que maravilha de voz… da entrada do saxofonista português Carlos Martins, que nós sabemos bem as peripécias que sofreu para subir ao palco… e que se viu bem que valeu a pena nos olhos rasados a lágrimas que os dois ecrãs da sala mostraram para todos pudermos apreciar.

27072016_santana-6O sorriso delicioso e a voz possante de Ray Greene cujo ritmo e o gingar de ancas levou muitas meninas pequenas e graúdas à loucura… a forma subtil e voz melodiosa de Andy Vargas que ao cantar “Maria Maria” nos fez a todas presentes sentirmos-nos Marias.

Santana foi ontem maestro, delicado e generoso brilhou e distribuiu a luz que lhe é característica por todos os que dividiram o palco com ele… e por todos os que estoicamente durante 3 horas, dançaram, cantaram, pularam, aplaudiram e sorriram…

Envolveu-nos na sua dourada guitarra, fez-nos alpinistas das suas cordas e principalmente cúmplices da sua música, deixou-nos suspensos nas suas palavras quando dizia:

“Tenho pena de não saber falar português, acho tão romântico”

E enquanto entre inglês e espanhol nos deixava de respiração suspensa para não perder pitada do que dizia e nos deixava de pele de galinha, apenas para a acentuar mais ainda quando ia dedilhando “Soul Sacrifice”, “Love makes the world go around”, “Foo Foo”, “Samba pa ti” “Gipsy Queen”, “Oye como Va” e tantas…tantas outras.

Vi 4 gerações ontem no Meo Arena, vi raças diferentes e não vi mas adivinho que haveria, diferentes cores políticas e simpatias clubísticas e não vi distâncias entre nenhumas… havia sim gargalhadas e sonoros “não faz mal” quando no meio do rebolar nos íamos encontrando umas vezes com mais força que outras uns com os outros e vi distintivamente que Santana tem toda a razão quando diz que somos todos uma raça só… bom mesmo era colocar isso em prática no dia-a-dia!

Se o mundo hoje impõe terror e medo, a noite ontem trouxe luz, paz e amor… e no fim quando olhei para quem saia do Meo Arena vi desiludidamente que as calças de boca-de-sino em ganga tingida e remendos patchwork afinal não existiam e que o ano era 2016 e não o mítico ano de 1969!

A todos o meu mais profundo obrigada por mais uma noite memorável e um obrigada especial a Everything is New por a ter proporcionado.

A quem não foi espero sinceramente que o meu texto vos leve até lá nem que seja por instantes.

Até breve!

Texto: Paula Marques

Fotos: Domingos Ambrósio

Advertisements
This entry was posted in Reportagens and tagged , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s