Entregamos a alma no MEO Arena ao som de Iron Maiden

IronMaiden2016-1A noite era de festejos, não deixem reformular o dia foi de festejos, de cânticos, de hinos e de abraços, foi esta a energia que senti ao chegar ao Meo Arena pelas 19h00.
Muitas bandeiras a cintura, cachecóis na cabeça, a cor verde e vermelha misturada com o preto que dava um colorido não tão habitual num típico concerto de metal.
Mas a noite nada tinha de típica, era atípica desde de domingo… à pergunta de Bruce Dickinson:

“Alguns de vocês chegaram a dormir a noite passada?”

A resposta foi um sonoro NÃO… se isso foi motivo para a noite ter sido morna, nem pensem… morna só mesmo pela condensação de suor que se foi criando e que nem o mais forte dos ar-condicionado conseguiu dissipar.
No rescaldo da noite ainda li no facebook:

“Pela visão que tenho das pessoas no comboio o concerto de Maiden foi do @aralho”

E foi … foi mais um daqueles que dissemos quando olhamos para a lista …
”Sim já posso morrer feliz”

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A honra de abertura coube a “The Raven Age”, com uma sala já bem composta e receptiva e com um início de homenagem já que o baterista Jai Patel fez a sua entrada envolto na bandeira de Portugal, já é a terceira vez que os ouço e se no início a banda era qualificada como a banda “do filho de Steve Harris”, baixista de Iron Maiden, cada vez mais estão a trilhar um caminho que os afasta desse estigma. E ainda bem.
Os “miúdos” tem uma presença fabulosa em palco, energia, boa disposição, sempre um gesto ou uma palavra para o público que aos poucos foi aderindo com saltos, palmas e mesmo um ligeiro “trautear”, eu que já os conheço posso dizer que a evolução de Gojira, para Tremonti e posteriormente Maiden tem sido fabulosa e acredito sinceramente que ainda os vou ver uma quarta vez, desta como cabeça de cartaz… assim espero.
O concerto terminou com um chamar colectivo pelos esperados da noite, mas a espera ainda se fez por uns 40 minutos, já que um concerto de Maiden que se preze tem sempre um espectáculo visual de se lhe tirar o chapéu e ontem não foi excepção com chamas, caldeirões e ruinas…

Por isso foram mais cânticos “Campeões nós somos campeões” que se foram ouvindo, junto com alguns despertares para a música de fundo que ia tocando, umas goladas de cerveja… melhor muitas goladas de cerveja, o que nem sempre é boa ideia principalmente quando não se dorme e o calor é muito… que diga quem saiu em braços e nem o concerto pode curtir… uma animação de plateia.

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As luzes apagaram-se com a visão nas telas gigantes de uma selva, um avião aprisionado e uma mão que os auxiliou ao enviar a banda na tour de 2016 e assim que o som do avião se desvaneceu em palco Dickinson entrou, envolto em mistério nas suas roupas de explorador que manteve em várias músicas durante as 2 horas que se mantiveram em palco.
Aos primeiros sons de If Eternity Should Fail, o mundo poderia ter acabado lá fora que dentro do Meo Arena ninguém dava por nada, foi uma correria louca de arrancar camisolas e atar a cintura enquanto se atiravam literalmente para o meio da arena.

Não se pode dizer que houve momentos baixos durante a noite, houve momentos mais altos que outros, a cada grito de Dickinson:

“Scream for me Lisbon!”

A energia subia e mantinha-se por lá, foi um crescendo de energia tão grande que a segunda-feira, do início de uma semana cansativa se transformou em sexta e todos assumiram ter dois dias de descanso a seguir.

Uma mistura de gerações que em uníssono cantaram, Children of the Damned, Tear of a Clown, The Red and the Black, The Trooper, Powerslave, Death of Glory, enquanto atrás paneis gigantescos ia homenageando os álbuns correspondentes. As mesmas gerações que vibraram com a entrada de Eddie ao som de The Book of Souls, onde após a “fuga aparatosa” de Gers o conseguiu apanhar… ficava o concerto por ali se Dickinson não lhe tivesse “arrancado o coração” restituído a energia a Gers e atirado com ele ainda pulsante para o meio da pista.
Aliás energia não faltou a nenhum dos membros da banda… ainda dizem que a idade é um problema.

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Hallowed be thy name, Fear of the Dark e Iron Maiden, este com a entrada de um insuflável gigante penso eu que seria, terminou a actuação da banda. Pelo menos a actuação antes do encore que se iniciou com a entrada da Besta, novo boneco (isto só para aqueles dois tem de ser dois caminhões no mínimo)
Harris entrou em cena vestido com a camisola da selecção como uma homenagem mais que justa aos nossos atletas, domingo passado foi sem dúvida de ouro para quem tanto se sacrifica pela bandeira de Portugal.
The number of the beast, Blood Brothers e Wasted Years deram a noite por terminada com um sonoro “Obrigado” de todos os membros mas ainda demorou algum tempo para que quem lá estava se tivesse apercebido ou ganho vontade de descer a terra e voltar ao mundo ao som de Always look on the bright side of life.

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Como foi e bem referido por Dickinson, cada um dos que lá estavam, foram pelo amor à música, ninguém quis saber dos clubes de futebol, da religião, da política ou da nacionalidade (se bem que se fosse francês não ia ninguém garantir a sua segurança… brincadeira!)…não sei quantos eramos, nem se o Meo esgotou (embora acredite que se não esgotou pouco faltou para isso) o que sei é que por mais de 4 horas fomos unos… vou reformular outra vez por mais de 48 horas fomos unos e espero sinceramente que seja um sentimento a manter.

A Everything is New o nosso sincero e sonoro obrigada por mais uma das noites que vão criar memórias para se contar em volta de uma fogueira.

Texto: Paula Marques
Fotos: Domingos Ambrósio

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