Messer Chups e os 2 anos de intensa espera!

Há dois anos atrás fiquei entusiasmado quando descobri que os “Messer Chups” iam actuar no jardim das virtudes de borla. Depois de alguns meses de antecipação finalmente chegou o dia e eu fui arrastado para Trás-os-Montes para apanhar azeitonas enquanto uma amiga minha me descrevia o concerto por mensagens. Eles tocaram três horas.

Este ano voltei a sentir esse entusiasmo graças ao Cave 45 e á Cooperativa Dos Otários, mas desta vez o meu entusiasmo não foi em vão.

A noite começou no oeste com “O Bom, o Mau e o Azevedo”, um quarteto instrumental que tocou lindamente para uma multidão considerável tendo em conta que era banda de abertura. Deram um bom espetáculo de rock fora da lei e foram bem recebidos pela audiência enquanto westerns se passavam no pano de fundo. Ainda tocaram mais uma antes de ir embora só porque os presentes gostaram tanto de os ouvir. Sem dúvida, uma banda para repetir ao vivo e para ouvir melhor em casa.

De seguida tocaram finalmente os “Messer Chups”, com dois anos de atraso na minha existência. Para quem não sabe, três russos que sabem exatamente o que estão a fazer com aqueles instrumentos e todos em perfeita sintonia entre si. Um baterista de óculos de sol que alternava perfeitamente entre rapidez e suavidade sem perder o ritmo, o guitarrista fazia o mesmo com um instrumento diferente, libertando sons incríveis e memoráveis daquela guitarra que ainda não me saíram da cabeça. E a baixista, para além de ser boa musica e ter uma voz tão sensual como arrepiante, era a mulher mais bonita de sempre, sem ofensa a todas as outras mas se a vida é um concurso de beleza ela ganhou.

O pano de fundo era um remoinho de recortes de monstros, vampiros, mulheres nuas e mortos-vivos de filmes de outras décadas onde se assentava a silhueta de cada um deles criando um efeito hipnotizante e ainda mais sensualidade.

Sensualidade á parte, o que importou realmente foi a sonoridade deliciosa que aqueles três russos libertaram sobre o povo da Cave 45, uma torrente de rock experimental do mais dançável possível, o público não dançou mais porque não havia assim tanto espaço de manobra visto que os Messer Chups encheram a casa.

No entanto, certos riffs e melodias eram impossíveis de resistir e os corpos da audiência mexiam-se como múmias com insónias, provocando em alguns casos ataques de dança verdadeiramente epiléticos. De certeza que em todos os cemitérios da cidade, os mortos ouviram a música e dançaram nos seus buracos apodrecidos. Foi um espetáculo inesquecível em que depois de muitas músicas e palmas, a banda ainda tocou mais três ou quatro só para nós.

As noites memoráveis no Cave 45 já são incontáveis, tanto pelo espaço como pelos artistas que lá aparecem. Desta vez não foi exceção, ambas as bandas foram incríveis e há que agradecer aos Ótarios que organizaram isto tudo e me proporcionaram a mim e a muitos outros com grandes momentos. Sem dúvida que mais estão para vir e eu farei os possíveis para lá estar porque no Cave vale sempre a pena.

Texto: João “NOX” Alves | Fotos: Inês Oliveira

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