SWR Barroselas 2016 – Dia 2 [Reportagem + Galeria]

DAY II

Contra todas as espectativas, o S. Pedro resolveu entrar no Espírito SWR e poupou os festivaleiros: sem chuva (excepção para os breves aguaceiros de Sexta) e com uma amena temperatura, o segundo dia da XIX edição do SWR começou oficialmente às 17:00 com o Brutal Death Metal dos espanhóis Bokluk. Seguiram-se Balmog e com eles a primeira agradável surpresa para muitos dos presentes. O Blackned Death Metal do trio espanhol encarna bem o espirito e a sonoridade Celtic Frost, acrescentando um forte cunho pessoal (o tema final é um claro exemplo) e mereciam de facto outro destaque no cartaz.

Os nacionais Grunt têm sido bastante falados pelas internets nos últimos tempos, não só pelo seu trabalho, mas porque a banda tem sido alvo de censura e boicotes (chegando a ter uma data cancelada) devido à sua estética e performance S&M. E nesse aspecto os “ Boys”, não desiludiram. Os presentes tiveram direito a duas Dominas e um Slave que ao longo da prestação do trio (quarteto em palco) entreteram uns e escandalizaram outros. Polémicas à parte, a banda é extremamente eficaz na sua visão mais mecanizada de Grind (“Goth Girls Don’t Say No” é brilhante no seu propósito).

Com Decayed regressámos às sonoridades Black Metal. Novamente a gozarem de uma excelente forma, descontraída q.b. (o “prego” no início de “Twilight Incantations” passou quase despercebido), com um bom som e prestação do trio que reúne três dos mais influentes músicos nacionais no género). E se é J.A. que comanda o trio, a postura mais “laid back” de Vulturius acenta perfeitamente na veia mais “old School” da banda. Destaques para “Last Sleep” (da demo-tape “Thus Revealed”), o já clássico “Drums of Valhala” e “Spikes, Leather and Bullets”. Para o fim, um encore improvisado, via o original dos Sodom “Blasphemer”.

Já o Funeral Doom de laivos ora de “grim” Black Metal ora Southern Rock dos Norte-Americanos Usnea, completamente encobertos por fumo num palco às escuras foi mais intimista: no LOUD! Dungeon o trio conseguiu recriar o ambiente soturno dos álbuns, apoiado em apontamentos acústicos que intercalam com os riffs “tuned way down” e no ocasional Blast Beat.

Os Monolord tiveram azar e rebentaram o amplificador de baixo logo no inicio, recaindo no Guitarrista/ Vocalista e no Baterista a responsabilidade de ir entretendo o público enquanto os problemas técnicos eram resolvidos. E daí em frente foi um crescendo de intensidade Stoner do trio Sueco, quase que hipnoticamente sujeitando a audiência do Wonder Workers Abyss a memórias nunca vividas dos 70’s.

Mais uma sova, mas de Brutal Death/ Grind, cortesia dos espanhóis Bodybag. O duplo ataque vocal (entre o baterista Dopi e o baixista Corey) e os riffs mais “groove” (se é que se pode considerar “groove” o “back beat” estilo Napalm Death) trazem um travo “Old School” e o trio é bastante competente, mesmo quando tira o pé do acelerador.

Os Marduk eram sem dúvida uma das bandas mais aguardadas de todo o fim-de-semana, mas no final do concerto não conseguiram eliminar uma certa áurea de desilusão nos fans. A banda mostrou-se competente, ainda que um pouco em piloto automático. Mas o profissionalismo e os anos de estrada contam muito nestas ocasiões, e com um set variado (curiosamente foram os temas mais recentes a suscitar maior entusiasmo por parte do público) a banda Sueca entregou uma excelente prestação. Destaque para “The Black” (recuperada do álbum de 92 “Dark Endless”) e “The Blond Beast” e para a falta do clássico “Baptism By Fire”.

Quanto aos Inverloch, os australianos sofreram com um som algo confuso das guitarras. Ainda que o vocalista convidado (Arne Vandenhoeck dos Marche Funèbre) tenha cumprido na perfeição o seu papel, o Death/ Doom dos ex-diSEMBOWELMENT merecia ser apreciado em melhores condições.

Bastaram 3 cordas de baixo para os veteranos Grave demostrarem estar em excelente forma. Percorrendo todo o catálogo da banda, tornou-se óbvia a consistência dos temas antigos (como “Turning Black”, “Into the Grave” e a recuperação de “Eroted” do EP de 91 tece um especial sabor nostálgico para quem acompanha a banda à décadas) junto dos mais recentes e actuação do quarteto sueco foi um desfilar de clássicos sempre em nota positiva.

Continuando no Death Metal mas recuando aos primórdios do género e infundindo-o com uma dose q.b. de Black Metal, os Belgas Possession foram a agradável surpresa da noite. Apenas com um par de Ep’s lançados, a banda despertou a atenção da influente Iron Bonehead Records e a julgar pela prestação do quarteto no palco LOUD! Dungeon poderá tornar-se um dos nomes de referência no Blackned Death Metal.

Para o final, o Grind bem-disposto dos Checos Spasm. Verdadeiras personagens de palco (e fazendo jus à ideia que são sempre os mais certinhos os mais “kinky”), o trio baixo/ bateria e voz. Uma prestação demolidora intercalada com um discurso humorista, com direito a “Phaedophilic Kindergarden Party” no encore.

Para os mais resistentes, a noite na SWR Arena ainda oferecia os Gosgásmico Pornoblastoma e os Clockwork Boys.

Fotos e Texto: Sethlam Waltheer

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