SWR Barroselas 2016 – Dia 1 [Reportagem + Galeria]

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O Barroselas não é só um festival. O Barroselas não é a “Meca” dos festivais (já que tentar agradar a Gregos e Troianos resulta sempre em fraca figura). O Barroselas também não é só um ritual que se cumpre ano após ano, mochila às costas e maior ou pior preparação para chuva e frio, noites mal dormidas e três dias de muito Metal. O Barroselas são os resistentes ano após ano, os curiosos e os estreantes, os que ficam em casa por um motivo ou outro e acompanham o “stream” e até os que não compram bilhete e vão só pelo convívio. E quem vai ao Barroselas para ganhar “estatuto”, perde em boa parte a essência do Festival. Porque muito do que faz o Barroselas único, é essa mistura. São as bandas “consagradas”, as de “culto”, as “promessas do Underground”. É o Punk e o Black Metal, o Death e o Thrash, o Grind e o Doom e acima de tudo um espirito. “DIY, take no shit”. Steel Warriors Rebellion

DAY I

A abrir o primeiro dia oficial (o dia zero for a reservado ao Concurso de Bandas, com os Mindtaker a garantirem a representação nacional na edição deste ano do Wacken Open Air), No SWR Arena, os Bracarenses Music In Low Frequecies mostraram um pouco do que será o seu primeiro álbum. Algures entre um Rock e um Prog Death/Black. Ainda na SWR Arena, foi o Punk/ Crust dos Repressão Caótica a criar os meus indícios de movimento do público. Estas sonoridades são sempre bem recebidas em Barroselas, especialmente na zona gratuída do festival.

Já no recinto, os Lux Ferre estrearam o palco LOUD! Dungeon. Ainda que sofrendo com um som de guitarras algo embrulhado (algo que se repetiria neste palco ao longo dos três dias), mostraram como uma inteligente escolha de alinhamento (em que temas dos mais recente “Excaecatio Lux Veritatis” foram intercalados com os temas mais antigos) consegue transformar um concerto e manter o público sempre interessado, mostrado que há mais no seu Black Metal que apenas o compasso militarista marcado pelos “triggers” de bombo.

Os veteranos Web tiveram honras de abertura do Palco “principal” o Wonder Workers Abyss. A banda atravessa uma excelente fase, fruto do árduo trabalho ao longo de três décadas. Ainda que debatendo-se com alguns problemas técnicos de ínicio, os WEB não desiludiram na sua dose de Thrash Metal. Um line-up sólido e profissional que entregou aos presentes um excelente prestação, com direito a convidado especial (Miguel “Inglês” dos Equaleft), a mostrar uma faceta “Groove” não muito comum nos WEB.
De regresso ao Palco LOUD! Dungeon, para assistir ao Black Metal dos Islandeses NADRA .Parece comum às bandas Islandesas agarrarem num determinado estilo e imprimir-lhe um cunho pessoal e o quinteto Reykjavik não foge à regra. Quando tiram o pé do acelerador, revelam uma excelente sensibilidade melódica e a capacidade de criarem excelentes “riffs”, ainda que os solos dissonantes sejam um “gosto adquirido/a adquirir”.

A Organização do SWR tinha prometido uma surpresa para ocupar o lugar vago pelo cancelamento dos ABORTED: a escolha recaiu nos SINISTRO. E se alguém tinha dúvidas sobre o burburinho gerado à volta do colectivo, do contrato com a Season Of Mist, o agenciamento pela Avocado e a ideia de que os SINISTRO podem ser “the next big thing”, as mesmas dissiparam-se. A teatralidade de Patricía Andrade assenta perfeitamente nas paisagens sonoras criadas pelo quarteto e tal como a “frontwoman”, por vezes sentimo-nos como marionetes, entre as imagens criadas por José Dinis (que realizou também os videoclips da banda) projetadas nos video-walls e uma certa claustrofobia urbana que emana das composições dos SINISTRO. Imaginem que os grandes Process of Guilt, tinham trocado os Godflesh por doses maciças de Kyuss e Portishead, num equilíbrio entre o peso do “Riff” e a capacidade de criarem ambientes.

E subitamente somos arrancados das paisagens etéreas. E sentimos o peso da terra e o cheiro a Cripta instala-se: é hora de Death Metal, cortesia dos DEMENTIA 13. Circle Pits e Stage Dive, por entre Death Metal “Florida style” ao mais alto nível. Nem os problemas com o Baixo de Zé Pedro no início da actuação mancharam a intensidade da entrega da banda do Porto. Com o álbum de estreia “Ways of Enclosure” ainda fresco, é impossível não começar “headbanging” ao som de malhas como “Orgy of Bloodshed”, naquele que foi um dos melhores concertos dos três dias no Palco LOUD! Dungeon.

Curioso que o Black Metal de bandas como Taake bebe cada vez mais de influências Heavy Metal, escola Mercyful Fate, do que da escola Norueguesa do estilo. O resultado é bem mais interessante que qual tentativa de cópia #667 de “A Blaze…” e os Noruegueses são verdadeiros representantes de uma certa ideia bastante associada ao Black Metal: a individualidade. Ainda que com um início algo morno, o vocalista Hoest cedo se tornou a figura central do Palco Wonder Workers Abyss, bastante interactivo com o público, mas não dispensando o cigarro e a garrafa de vinho. Destaque para “Hordaland Doedskvad Del III” (a meio do set) e “Hordaland Doedskvad Del I” a fechar.

Praticamente desconhecidos da maioria, os HARK encheram o palco LOUD! Dungeon de Sludge/ Stoner com toques mais “Core”. Competente mas igualmente genérico, o trio não entusiasmou por aí além.

As sonoridades Punk/ Crust sempre marcaram presença no SWR, ainda que seja sempre um tiro no escuro apostar nos veteranos, cujos lançamentos discográficos só são igualados em quantidade pelo nº de “acidentes” com substâncias, em cima e fora do palco. Contudo, longe vão os anos de caos desenfreado para os veteranos DOOM: desde o primeiro instante que a banda teve o público na mão, mantendo sempre alta a intensidade. Acima de tudo um excelente concerto a nível de prestação e entrega do quarteto, com direito a “Crowd Surfing” do vocalista Denis e a “Symptom of the Universe” (original de Black Sabbath) versão 200 BPM.

Partilhando praticamente o line-up inteiro com os Nadra, os Misthyrming tentaram superar o som sofrível no LOUD! Dungeon. Foi difícil tentar perceber a impresão “Avangard” (ou USBM) no Black Metal do quarteto islandês. Ainda que para o final da actuação as condições tenham melhorado, foi demasiado tarde para entender o porquê de Nadra e Misthyrming serem duas entidades separadas.

De volta ao palco Wonder Worker Abyss e aos sons Punk/ Crust dos Fredag Den 13:E. Ainda que muitas vezes mais próximos dos Motorhead do que dos Discharge, os Holandeses não pareceram agradar a todos e acabaram a tocar para meia casa. Não parecendo de nada preocupados com isso, o quinteto parecia estar a divertir-se à grande e os fãos e curiosos responderam em igual medida.

A fechar a primeira noite, já na SWR Arena, Vaee Solis e Scum Liquor. Ambas as bandas nacionais com enchente, apesar do adiantar da hora (03:20 era a hora marcada para Scum Liquor). Se os primeiros soaram um pouco deslocados do palco e da hora (já são “demasiada banda” para pequenos palcos), o Drunken Roll dos segundos foi a escolha apropriada para o “time and place”.

Texto e Fotografias: Sethlam Waltheer

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