Heavenwood “Leu” Tarot no RCA

A noite ontem não estava convidativa a sair de casa, aliás começo a achar se o Senhor que guarda as chaves lá em cima não terá nada contra mim, já que ultimamente tem sido cada tiro cada melro, mas prometia ser uma daquelas noites que não se esquece tão cedo e quem se rendeu às pantufas e sofá não sabe o que perdeu, já que foi precisamente isso o que aconteceu.

As surpresas começaram logo a entrada, fomos recebidos e carimbados, nós e todos os que foram chegando ao RCA Club, pelo André Matos, sorriso no rosto, sempre com uma palavra simpática, prenuncio do agradável que iriam ser as 5 horas que se seguiram.

Gosto do RCA, é mesmo um gosto pessoal meu, gosto das bancadas superiores, onde se pode assistir a tudo de uma forma calma, gosto da sala em formato rectangular, da posição onde está o bar, da forma como o pessoal se organiza a medida que vai chegando e reencontrando a “família” como gosto de referir… acaba por ser um mar de “olá esta tudo bem?”, mesmo que não saibamos o nome da pessoa que cumprimentamos.

20160402-heavenwood-artigo-1O início da noite coube aos Legacy of Cynthia, e embora, Caesar Craveiro (baixista de Legacy) tenha feito questão de agradecer e de dizer que “são apenas uns putos de Sintra que gostam de tocar” foram apenas e só das melhores bandas em abertura de concerto que eu já assisti.

Uma energia contagiante, de uma união fabulosa que nem o percalço que deixou Mário Lopes momentaneamente sem som na guitarra, abalou a actuação… Oz Villarez agarrou o barco e manteve o rumo até que tudo fosse ultrapassado.

Peter Miller é um animal de palco, um front man de fazer inveja a muitos que assim se auto-intitulam, dá tudo o que tem e a cover “Mad World” de Tears for Fear, foi a cereja no bolo daquela que foi uma actuação estrondosa. A repetir sem absoluta dúvida.

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Tó Pica entrou em seguida e aos primeiros sons de guitarra, relembrou-me o porque deste ser dos meus instrumentos favoritos, só por isso o meu muito e sincero obrigada… e deu seguimento aquela que foi uma noite épica de Rock n’Roll, Tó vibra com a guitarra como poucos e acaba por contagiar quem o acompanha no projecto, David Pais (vocalista), Sérgio Melo (guitarrista), Arlindo Cardoso (baterista) e Pedro Martinho (baixista).

David Pais é um vocalista com energia contagiante, ele brincou com os músicos e com o público, cantou, saltou, vibrou e dei por mim a esquecer-me que estava lá a fazer uma reportagem e acabei colada a bancada a ouvir a música sem pensar em mais nada, apenas numa de curtir o som… e confesso que não me acontecia isso à muito tempo.

A performance terminou com um voo da guitarra de Tó para o público, muito bem recepcionada por Rudy Sagres, presença incontornável em qualquer concerto pela sua simpatia… alias concerto e festival não é o mesmo se não o virmos por lá de sorriso estampado e cerveja na mão.

Iberia20160402-heavenwood-artigo-6 foi a banda que se seguiu e numa palavra para descrever a actuação destes “meninos” a única coisa que me ocorre no momento é p*** que pariu que concerto. Foi um assalto aos sentidos no bom sentido, são tão expressivos em palco na altura desejei ter pelo menos mais 2 pares de olhos para acompanhar tudo o que se passou em cima daquele palco.

Hugo Soares (vocalista) é um bicho de palco a moda antiga, e tenho muita pena que as bandas novas não aprendam com este senhor como se faz, ele brincou com os músicos, flirtou com o público, curtiu como um maluco e ainda nos brindou com um espectáculo que não deixa nada a desejar a qualquer banda de renome que venha de fora.

Músicas como Warriors, Living a Lie ou Hollywood quase deitaram o RCA abaixo tal foi a energia que se sentiu.

Iberia envelheceu como um bom Vinho do Porto e isso ontem mais do que se ver sentiu-se.

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Os senhores da noite entraram em seguida, Heavenwood vinha para mostrar o seu “The Tarot of The Bohemians” mas não foi só isso que mostraram na noite de ontem no RCA, deram um salto até 2008 com o álbum Redemption e o tema 13th Moon, regrediram a 1998 com Swallow e em homenagem ao tempo que se fazia sentir tocaram Rain of July e no fim do seu concerto ainda passaram pelo tema Suicidal Letters, com que encerram o concerto.

Mas antes disso, muito antes disso, já que tivemos o privilégio de os ouvir por quase duas horas foram abrindo o seu Tarot com temas como, The Lovers e The High Prisestess com a participação da sempre fabulosa Sandra Oliveira (Blame Zeus), The Juggler, The Chariot, The Emperor e claro The Empress.

Um concerto com curtas paragens, com muito e boa música mas principalmente com muita entrega da parte de todos. Eu apenas posso pensar que ainda bem que só de arcanos maiores no Tarot existem 22, já que sem dúvida fico com vontade de ouvir as outras cartas interpretadas por Heavenwood.

Foi, na minha opinião, tanto a nível de organização, como de bandas assim como de actuações e de entrega dos melhores que já vi, tanto a nível nacional como internacional e o público correspondem a isso muito bem na noite de ontem já que acredito que a lotação do RCA, tenha passado dos 90%, mesmo com a noite que esteve ontem.

Ao pessoal que se deslocou até lá e fez a festa, a organização, ao Staff do RCA, as bandas em especial aos Heavenwood o nosso sincero obrigada pela noite de ontem, é no conjunto de todos que se faz aquilo que tivemos o prazer de assistir ontem.

Uma noite memorável.

Texto: Paula Marques

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