Sinfonia no Paradise Garage

Domingo era daquelas noites em que não tinha saído de casa, sabem? Aqueles dias que apenas apetece ficar de rabiosque no sofá, a vegetar em frente a TV?

Ainda bem que não cedi a tentação…tivesse cedido e estava neste momento a bater com a cabeça na parede até fazer sangue.

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Talvez por ser vesperas de mais uma semana de trabalho o inicio dos concertos tenha sido antecipado em meia hora, o que apanhou não só a plateia desprevenida mas também a maior parte dos fotografos, é sempre bom ver os sprints improvisados quando assim acontece, mas a verdade é que mesmo assim, Melted Space agarrou a sala aos primeiros acordes.

Com um som forte a fazer lembra um Gótico Rock com tendencias Opera Rock mas mantendo as raizes no “old metal” (se é que old metal existe, pelo menos nao para mim) a banda francesa cativou o público com a sua alegria e cumplicidade em palco.

Verdade seja dita nunca vi o Paradise Garage com uma plateia tão genuinamente feliz como a que vi ontem à noite.

Com 4 vocalistas que se foram revezando em palco, foram mantendo a energia sempre em alta, duas vozes femininas e duas masculinas sendo que uma delas com uma força gutural espantosa. O certo é que no conjunto tanto de forma melodica como harmoniosa o quarteto funciona muito bem.

Musicas como “Trust and Betrayal” deixaram um gostinho de querer ouvir mais.

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Myrath entrou de seguida, mais ao menos à hora que tinha sido anunciado o inicio dos concertos, a banda da Tunisina entrou e arrebatou com a bailarina portuguesa de dança do ventre… e se só por si a musica não fosse o suficiente para captar a atenção de todo o público presente, os movimentos pélvicos da moça captou a atenção dos mais resistentes. Não que a banda precise, já que a sua música a lembrar a melodia dos finais dos anos 80 mas com a leveza do som tunisino por si só bastava.

Mais uma vez alegria em palco e na plateia não faltou, músicas como “Get your freadom back”, “Desert Calls” ou “Nobody’s Lives” fizeram o público cantar e pular em uníssono com a banda e a bailarina arrebatou toda a gente inclusive Russell Allen que não a deixou de referir chegando a afirmar que estava a praticar os seus movimentos.

Os reis da noite entraram de seguida, e aqui o termo é o correcto, já assisti a concertos onde o da noite não pertenceu à cabeça de cartaz, mas ontem não foi definitivamente esse o caso.

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Symphony X mostrou ontem o porque do nome da banda, já que em palco os músicos são por si só uma sinfonia e se existem “front men’s” , Russell Allen ontem foi “o front men”, a energia daquele homem é contagiante… sedutor com o publico, brincalhão com os músicos e sempre atento transformou ontem o Paradise Garage num espaço seu e manteve quem por lá estava, numa casa mais uma vez esgotada, preso aos seus movimentos.

Dançou, cantou, puxou pelo público e dividiu momentos só dele, de uma maneira tal que a única forma que tivemos de retribuir foi mostrando o porque de o público português ser dos mais apreciados por bandas de todo o globo terrestre.

“Can you believe it” foi a frase que conseguiu articular quando a plateia os chamou de volta entre palmas e canticos para um encore de mais duas músicas entre elas “Set the World on Fire”e “Legend”

Mas a noite foi de partilhas e confissões não apenas de música, momentos onde Russell falou do facto de se dizer que o metal esta a morrer e onde pediu para os fãs não deixaram nunca de apoiar as bandas que gostam… de referir que somos na realidade uma familia, nós os amantes da música pesada… e somos mesmo, a verdade é essa… já passamos por tanto e mantemos nos fieis ao metal, fieis ao nosso estilo de música independentemente de tudo…momentos onde referiu que não pudemos salvar todos como gostariamos e onde mencionou o facto de ter pedido, dois dias antes do inicio da tournee um amigo por overdose, para depois nos brindar com uma sensibilidade estrondosa “Swan Song”…ou com uma energia arrebatadora entre troca de mascaras “To Hell and Back” fizeram do domingo 28 de Fevereiro uma noite para recordar durante largos anos.

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E para que possam ter um gostinho disso mesmo deixamos um pouco do que foi a noite de ontem.

À Prime Artists e aos membros do Paradise Garage, em especial à menina do bengaleiro (desculpa não saber o teu nome) por ter deixado o nosso fotógrafo carregar a bateria da máquina fotográfica, imprevistos que acontecem os nossos sinceros agradecimentos pela forma como sempre nos recebe e pelos momentos que nos entregam…momentos ao mais alto nivel…daqueles que são feitas as melhores memórias

Texto: Paula Marques

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