À lupa recorda Panzerfaust de Darkthrone

darkthrone_panzerfaust_by_giggly_goatwizards-d57pmv5A 5 de Junho de 1995, a Moonfog Productions lança o Panzerfaust dos Darkthrone. Controverso seria um termo adequado para descrever este álbum, se bem que por razões bem diferentes do seu predecessor. Se as preocupações em relação ao Transilvanian Hunger jazem sob a declaração Norsk Arisk Black Metal, surgem por sua vez no Panzerfaust pela composição das suas músicas, e pela sua qualidade de gravação.

Quanto à evolução do álbum, não será rebuscado categorizar a sua estrutura como simétrica. Removendo a última faixa, e aproveitando a divisão do álbum em duas partes, as músicas seguem uma lógica descendente em termos de velocidade, sendo sempre a primeira altamente melódica, a segunda fortemente inspirada nas do Morbid Tales de Celtic Frost, finalizando a terceira com uma ligeira sensação de Doom Metal. O álbum é encerrado por uma singular declamação de um poema de Tarjei Vesaas, um escritor Norueguês do século XX.

Com mais atenção ao detalhe, e mantendo a separação tomada apresentada no parágrafo anterior, reparamos que En vind av sorg e Hans siste vinter (respectivamente, a primeira e quarta faixa) usufruem do rápido porém leve e atmosférico efeito que é a associação do Tremolo picking com Blast beat. É nestas ricas composições, evitantando escalas mais graves, que encontramos as semelhanças ao trabalho levado a cabo em Translvanian Hunger. A voz do Nocturno Culto é em certas críticas referida como um entrave à apreciação da beleza. Por minha vez, discordaria, acrescentando que a conseguida adição de um elemento tão rude e violento só realça a enfática beleza das melodias com que nos deparamos.

Triumphant Gleam e Beholding the Throne of Might (respectivamente, a segunda e quinta faixa) transportam-nos para a primeira vaga de Black Metal. A influência do Morbid Tales é sentida no ritmo, nas sucessões de acordes graves, e até numa tentativa de semelhança à voz do Tom G. Warrior. Em Triumphant Gleam, contrastam as velocidades.

No último patamar, encontramos The Hordes of Nebulah e Quintessence (respectivamente, a terceira e sexta faixa), testemunhos da já referida influência do Doom Metal. O ritmo cai numa desintegrante e monótona sucessão pedestre. Encontramos algumas lembranças de Under a Funeral Moon. Hordes of Nebulah é caracteristicamente minimalista e repetitiva, se bem que Quintessence usufrui de qualidades melódicas.

A última música assemelha-se a algo conotado como paisagem sonora. A austera voz de Fenriz soa entre metálicos instrumentos de sopro, ao som de uma lenta cadência de percussão.

Este álbum, como referido na introdução, foi alvo de imensa controvérsia. Em certas frentes, rebaixa-se não propriamente a qualidade de gravação, mas o volume das misturas; noutras, critica-se a divergência do trabalho de voz em relação aos três álbuns anteriores.

Quanto às críticas ao volume da inebriada voz, por vezes referida até como absorvente do som dos instrumentos, refiro que em nenhuma circunstância senti semelhante efeito, e que em caso algum me impediu de apreciar o trabalho instrumental. As restantes opiniões são mais difíceis de contra-argumentar. Seria inadequado criticar alguém pelo seu gosto, neste caso, por preferir uma voz que descrimina o seu efeito atmosférico para adoptar um carácter mais embrionário, por trabalhar. Acrescento, concluindo, apenas possíveis factores que podem ter influenciado semelhante decisão da banda. Aquando o lançamento do álbum em causa, o Black Metal já se revelava um género de que algumas bandas, conceituadas até, objectivamente se começavam a afastar. Um óbvio regresso à primeira vaga de Black Metal poderia ser interpretado como a afirmação de um ponto de vista, de fidelidade musical e ideológica ao movimento no qual foram, entre outros, pioneiros. Aos olhos (ouvidos) de muitos, a banda pode ter pecado por tanto ter elevado a fasquia, sim, mas se existe tanta vontade em ouvir em Panzerfaust os três álbuns que o antecederam, porque não optar por isso mesmo?

Manuel Santos 15/12/15

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