Review: Moloch – “Verwüstung”

Moloch402308, o alter-ego do multi-instrumentista e vocalista Sergiy Fjordsson, desde 2004 (de acordo com Metal-Archive), já lançou perto de 90 demos, splits, EPs, compilações e álbuns completos, o total geral é, sem dúvida, maior se incluírem as gravações que circularam apenas entre pequenos grupos de amigos e colegas. Só em 2014, Moloch participou em splits com Sabbat, Krieg e Nunslaughter, lançou dois EPs (Horizont e Die Isolation), e produziu um álbum chamado Verwüstung.

O álbum inclui dois tipos de música, do que deduzo eu que são duas paixões musicais divergentes de Fjordsson. A primeira faixa (“Todesstille“) e a última (“Verwüstung“) são composições em dark ambient sem palavras. São muito diferentes das seis músicas intermédias, mas não se ligam a estas. Ambas possuem uma sonoridade que mais se assemelham a etapas de um ritual, em “Todesstille” uma limpeza como forma de preparação para o que está para vir e “Verwüstung” que proporciona um momento de reflexão após a tempestade emocionalmente angustiante do black metal que o precede.

Todesstille” (morte silenciosa) é hipnótico e meditativo, com uma base de zumbido, tons vibrantes e agudos com ondas quase etéreas que pulsam e brilham. A música é tão absorvente que, quando irrompa “Blutmond“, vem como um choque. Todas as músicas intermédias são criadas a partir de riffs cativantes e um drumwork que nos capta todos os sentidos. É cheio de sangue e de tempestades de neve, e dá-nos o primeiro rasgar auditivo na sua totalidade do estilo vocal de Moloch.

A voz de Moloch, o seu derradeiro instrumento, à sua maneira, soa angustiado, os seus quase uivos agonizantes e os seus gritos de alma destroçada, como tivesse sido aberta e exposta. Nos picos desses desabafos emocionais, ele soa como um lobo solitário latindo sobre o massacre da alcateia. Esta voz é o aspecto dominante deste álbum, e uma parte integrante do que torna tudo tão intenso.

A intensidade emocional da música é de um tipo particular: a música atmosfericamente é fria e desolada. Ambos sentem-se quando Moloch tem tendência a entrar em ataques poderosos, como “Negativitat” (Negatividade) e “Die Kalte der Ewigkelt” (O Frio da Eternidade), e quando cai em lamentações processuais, como em “Nur de Tod its wirklich” ( Apenas a Morte É Real), a música está impregnada numa desolação que raspa o desespero. No entanto, os riffs são tão acentuadamente trabalhados e a percussão é tão variada e potente que as músicas são emocionantes, bem como frígidas. E há momentos de beleza genuína; a melodia da guitarra que, eventualmente, flutua à superfície em “Spiritueller Selbtsmord” (Suicídio Espiritual) é bastante triste, mas notável.

Antes da longa composição final do álbum, Moloch oferece “Du Bist Nichts In Dieser Sterbenden Welt” (Tu Não És Nada Neste Mundo Decadente), que começa com um solo baixo em arpejo, longo e lento,e em seguida, passa para algo muito próximo do black metal lo-fi de décadas atrás. Talvez escusado será dizer, é absolutamente deprimente.

O efeito acumulativo destas músicas é simultaneamente electrificante e desgastante. É quase um alívio quando “Verwüstung” começa. É mais do que 11 minutos de música ambiente, com longas derivações de espaços periodicamente animados por notas do teclado ecoantes e momentos de melodia envolvente. “Do Outro Mundo” é a expressão a ser aplicada.

Verwüstung é um álbum emocionalmente trágico. Enquanto a produção é mais do que bruta, encaixa-se no estilo de música para tortura. O instrumental poderia ser um pouco mais claro, mas receio que a depressão abismal iria perder alguma da sua adrenalina. Esta é o depressive e atmospheric black metal na sua forma mais pura. Embora eu nunca tenha ouvido outras obras de Moloch, posso dizer que Verwüstung atraiu-me o suficiente para começar a árdua tarefa de retrocesso através de oitenta e sete composições.

Texto: Ágata Winter Euphoria Moreira

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