Entrevista a Ricardo Dias (Heavenwood)

HEAVENWOOD – Ricardo Dias ( Compositor, Guitarrista e Vocalista )

Os HEAVENWOOD utilizam 2 vozes (Ernesto Guerra e Ricardo Dias )

Entrevista realizada para a Loudness Magazine por Emanuel Roriz & Ana Oliveira.

Esta entrevista foi realizada em meados de Setembro de 2015 enquanto ainda decorriam as sessões de gravação do disco. Neste momento, o trabalho já se encontra em pré-venda. Fiquem então a saber um pouco daquilo que foi o processo de edificação de “The Tarot of the Bohemians”.

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1. Em primeiro lugar, verificamos que o nome do álbum (“The Tarot of The Bohemians”) remete-nos a uma temática um tanto espiritual. Como surgiu esta ideia?
O Título do álbum remete ao título da obra do ocultista francês Papus que em “The Tarot of the Bohemians “ descreve e decifra de uma maneira muito peculiar, metafórica e de certa forma mística o conceito do Tarot de Marselha. Este álbum é uma homenagem a um ser humano que teve o dom de estabelecer uma ponte firme entre o conceito de humanismo e espiritualismo, além de outros feitos.

2. Há alguns meses que temos vindo a seguir toda a atividade via facebook do processo de gravação em estúdio, tanto na página dos Heavenwood como do André Matos da Raising Legends Records. Estavam a prever que este processo de estúdio viesse a ser tão longo? (Consideram que este processo esta a demorar mais do que o previsto?)

Tínhamos a perfeita noção que seria moroso, não de uma forma perjurativa, mas no âmbito de que a gravação, produção e até alguma composição em estúdio assim o exige.
Fomos extremamente metódicos, exigentes e perfeccionistas de modo a que ao somarmos estes factores anteriores de uma forma coesa e concreta, pudéssemos dar asas à criatividade.
Os arranjos orquestrais são de facto uma espécie de “terreno pantanoso“, aliás pouco vulgar em termos de composição e utilização pelas bandas portuguesas (ou mesmo internacionais ). Isto porque, orquestrar implica e exige o triplo de tudo o que esteja relacionado com a mera gravação dos Instrumentos Musicais convencionais do Rock/Heavy. Infelizmente é verdade e uma dura realidade. É extremamente difícil conciliar estes 2 universos tão extremos, mas ao mesmo tempo tão próximos.

3.Os arranjos orquestrais no “Abyss Masterpiece” ficaram nas mãos do compositor russo “Dominic G. Joutsen”. No entanto, no “The Tarot of The Bohemians”, esse trabalho de composição está a ser feito pelo Ricardo Dias. Essa opção foi por uma questão de necessidade, desafio ou já tinham esse objetivo em mente?

Para este 5ª álbum dos HEAVENWOOD decidi assumir a responsabilidade de dar continuidade ao processo levado a cabo no “Abyss Masterpiece “(2011 LISTENABLE RECORDS), tem vindo a ser uma tarefa extremamente complexa, as Orquestrações são 100% tocadas e gravadas de forma a humanizar ao máximo cada instrumento. Esperemos que no próximo álbum consigamos trabalhar com uma Orquestra real. De qualquer forma o facto de não utilizarmos uma Orquestra real não significa que o trabalho efectuado para este novo álbum seja de inferior qualidade ou performance. Para este “The Tarot of the Bohemians “ utilizamos os melhores Softwares e Samples utilizados nas Soundtracks dos mais variados sucessos de cinema, compositores e bandas de relevo.

4.O processo de orquestração está a ser acompanhado por algum compositor especialista na área da música clássica ou está a ser composto exclusivamente pelos Heavenwood em estúdio?

O processo foi elaborado e tocado / gravado por mim com a devida assistência na Produção e Engenharia de Som do André Matos no RAISING LEGEND Studios ( Porto )

5.Os álbuns “Diva” e “Swallow” foram misturados por Gerhard Magin ( Theatre of Tragedy, Crematory ) nos estúdios COMMUSICATION Massacre Records “Alemanha”. O “Redemption “foi misturado por Jens Bogren ( Opeth, Paradise Lost, Amon Amarth, Amorphis ) nos FASCINATION STREET STUDIOS “Suécia” e o “Abyss Masterpiece” foi misturado por Kristian “Kohle” Kohlmannslehner ( Powerwolf, Crematory, Benighted ) na Alemanha. Atualmente, o “The Tarot Of The Bohemians” vai ser misturado pela primeira vez por um produtor português. A escolha do produtor é baseada pela sonoridade específica que procuram para cada álbum? Ou foram outros motivos que vos fez chegar até ele?

O Processo de Mix e Master será um processo de certa forma inovador para o mercado nacional, ele será trabalhado entre Portugal e a Alemanha, ou seja entre o André Matos ( Raising Legends ) e o Kristian “Kohle” Kohlmannslehner ( Powerwolf, Crematory, Benighted ) , penso que o resultado e processo de trabalho será extremamente interessante !

6. Este álbum já conta com convidados de peso como Franky Costanza (Dagoba) o regresso de Daniel Cardoso (Anathema), que também participou nas gravações de “Redemption” e “Abyss Masterpiece” e ainda Sandra Oliveira dos Blame Zeus. Como resumes a participação de cada um? Estão a contar com mais alguma participação especial neste álbum? Estas participações responderam da forma que era esperado?

7.O Franky Costanza participou em dois temas, “The Lovers” e “Wheel of Fortune”. A escolha dos temas seguiu algum critério em específico?

Sim de facto estamos muito satisfeitos com toda a dose de profissionalismo, dedicação e inspiração de todos os músicos envolvidos neste processo. Recentemente adicionamos a participação do Fadi Al Shami dos ARAMAIC ( Dubai / Palestina ) que veio trazer uma essência 100% oriental em termos de sonoridade e vocalização ao tema “ The Hermit “. Relativamente ao Franky Constanza dos DAGOBA foi ele próprio que optou por esses 2 temas, acredito que tenha identificados com o conceito, letra e mensagem das respectivas.

8. Além da voz de Ernesto Guerra, a voz do Ricardo sempre foi uma característica dos Heavenwood. Quais são os critérios para o processo da colocação de ambas as vozes? De que forma é feita a escolha das partes em que entra o Ricardo?

Os HEAENWOOD ao longo destes anos de carreira conseguiram traçar uma personalidade musical, desenvolver fórmulas e “truques“ de composição. Acaba por ser instintiva a forma como os temas são compostos. Da minha parte tenho por norma compor tudo mentalmente, depois passar para o papel e depois para o Instrumento / Estúdio. Eu e o Ernesto Guerra temos uma química de comunicação e trabalho em estúdio natural e intuitiva. Regra geral associamos quer o teor das letras, quer a expressão musical da banda aos momentos do texto. Para mim, pessoalmente falando, temos a obrigação de dar vida ao argumento, que neste caso são as letras

9. Já existem ideias, ou trabalho a ser desenvolvido para o artwork do álbum? Imaginamos que dada a fonte de inspiração existam variadas formas de embelezar este trabalho.
Essa matéria está em fase de desenvolvimento e não deixará de ser algo que tomaremos como uma decisão secundária, em termos de prioridades. Neste momento estamos 100% focados na música.

10.Este álbum conta com 12 temas, cada um relacionado a uma carta. Existem planos para darem continuidade a esta temática, criando mais música baseada nas restantes cartas do baralho de Tarot ?

Sim, este será a 1ª Parte do conceito “ The Tarot of the Bohemians “ de Papus.

11.Para a concretização deste álbum optaram pela plataforma Crowdfunding para obter os fundos necessários. No entanto, apenas conseguiram atingir 27% do objetivo ficando um pouco aquém do pretendido. Este fator limitou ou alterou de alguma forma os planos e objectivos que tinham traçado inicialmente para este trabalho?

Penso que acabou por ser um excelente estudo de mercado para todos seguirem, tem existidos outros casos lá fora como por exemplo o dos ORGY ( u.s.a ). Apostamos provavelmente no “ cavalo mais fraco “ que foi a plataforma portuguesa PPL, tendo em conta as Plataformas Standartizadas do mercado mundial. Mas o que importa é que serviu de impulso para reunir as condições, rumar caminho ao objectivo e eis que ele aqui está em pleno desenvolvimento.
12.Já há previsões para a data de lançamento do álbum?

Contamos que assim seja antes do final de 2015 [e aí está ele, já disponível para encomenda].

13.Há intenções para realização de festas de lançamento (Datas/Locais)? Vão seguir o modelo dos últimos lançamentos da Raising Legends (Bilhete + CD)?

Sim obviamente mas nada em concreto ou estabelecido para já. Esteja atentos às novidades pois haverão diversas surpresas…e limitadas !
14.Em que tipo de edições (CD / CD + DVD / Digital?) poderemos ver o álbum ser comercializado?

Edição física e digital. Para o mercado nacional o disco terá uma edição limitada exclusiva sendo que á posteriori será editado para o resto do mundo por outra Editora

15.Por último, a nível de espetáculos de promoção em Portugal e fora de portas, há objectivos que gostavam de cumprir? Têm já algum plano traçado?

Tocar pouco, mas bem…como em tudo na vida.
Visitem e estejam a par do processo de gravação em estúdio do novo álbum dos HEAVENWOOD, assim como outras novidades no facebook oficial dos HEAVENWOOD ou da RASING LEGENDS

Podem também adquirir o album “The Tarot of Bohemians” aqui

*Obs. As perguntas 6 e 7 são respondidas em conjunto

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