Ghost celebra missa no HardClub

Esta sexta fui á missa e foi um milagre satânico ter conseguido porque quando comprei o meu bilhete já só havia dois. Entrei na sala 1 do Hard Club no preciso momento em que os Dead Soul subiram ao palco. Dois guitarristas e um vocalista que devia ser vampiro (como estava de óculos de sol parecia que a luz o estava a incomodar) começaram a noite com uma mistela de blues industrial e rock eletrónico bastante agradável.

A sala já estava quase lotada e o concerto deles foi muito bem recebido pela audiência no geral. Musicas como “The Fool” e “Burn Forever” foram um bom preludio para o que vinha depois.

A seguir, ficou toda a gente a ouvir cânticos angelicais (alguém comentou que as notas femininas deviam ser efeito do vibrador oficial da banda) e a olhar para dois lençóis pretos no palco, um que cobria a bateria e outro o teclado. Antes, muito antes de eles subirem ao palco, a sala já estava cheia e já só alguns poucos aguentava com a antecipação, quase todos os técnicos de som receberam salvas de palmas aleatórias, não ajudou que o palco estivesse coberto de nevoeiro e não era possível perceber se as figuras que andavam lá de um lado para o outro tinham mascara ou não, algo me diz que isto foi intencional.

O que certamente foi intencional foram as luzes, estas estavam a perder intensidade gradualmente, com muita lentidão. Eu suspeitei que isso fosse a contagem decrescente para o início da cerimónia e as minhas suspeitas estavam correctas. Tudo isto antes de eles lá porem os pés.

Finalmente as luzes apagaram-se por completo e dos amplificadores começou a emergir a “Masked Ball” de Jocelyn Pook, um a um, as “Nameless Ghouls” foram aparecendo no palco enquanto o público perdia a cabeça com palmas e assobios. Com todas as ghouls já em palco, começaram a tocar a “Spirit” enquanto o microfone estava lá especado no meio sozinho e abandonado.

Mas quando chegou a altura, no preciso segundo em que a letra começa, o “Papa Emeritus” terceiro simplesmente apareceu no meio do palco, podia jurar que os outros o conjuraram do inferno para o concerto, foi verdadeiramente fantasmagórico e levou o público a novos níveis de histerismo.

De seguida e sem pausas “From the Pinnacle to the pit” para apelar rapidamente às pessoas que não ouvem álbuns mas vêm vídeo clips. O som e a presença de palco deles é algo que vale a pena assistir, mas em certos casos não dá pra resistir ao movimento repetitivo a que a música compele o pescoço. O mesmo se verificou nas seguintes três musicas “Ritual”, “Com Clavi Con Dio” (a primeira musica de sempre que ouvi deles) e “Per Aspera ad Inferi”.

No decorrer da noite mencionaram duas coisas, a temperatura elevada (geralmente é o trabalho deles por toda a gente quente e molhada segundo o Papa, mas até este foi obrigado a tirar a roupa e o chapéu mais tarde) e o facto de aquela ser a primeira missa de sempre em solo nacional das suas majestades infernais e tocaram a “Majesty” do novo álbum.

De seguida, quem estava na fila da frente recebeu um presente especial que eu não consegui perceber o que era, sei que duas freiras distribuíram qualquer coisa e que a audiência da linha da frente foi avisada para não meter as mãos onde não devia. O Papa assegurou ao resto da audiência que nos podíamos apalpar uns aos outros á vontade enquanto as freiras faziam o seu trabalho e tocaram uma música sobre prazer e canibalismo, “Body and Blood”.

Depois tocaram mais duas do “Meliora”, “Devil Church” e a música que também tocaram ao vivo no Late Show com o Steven Colbert no Halloween, “Cirice” e deu perfeitamente para ouvir a trovoada.

Seguiu-se a “Year Zero”, a música que está para o “Infestissuman” como a “Cirice” está para o “Meliora”, o público cantou em uníssono os nomes todos dos senhores do inferno enquanto o “Papa” nos conduzia com gestos como um maestro a uma orquestra, aliás, ele fez isto em muitas outras músicas, não estou a chamar missa a este ritual á toa.

Acabaram por tocar o “Meliora” quase todo e ainda um cover de Roky Erickson, “If you have ghosts”, mas a noite foi concluída com o “Infestissuman”. Primeiro e antes do cover, “Ghuleh/ Zombie queen” uma musica que muitos casais á minha volta acharam extremamente romântica porque começou um festival de linguados, não há nada mais amoroso que zombies e súcubos.

Encerraram a cerimónia blasfema com uma mensão sarcástica ao facto de acabarem os concertos sempre com a mesma música e um orgasmo colectivo em que pediram ao público se estava disposto a “sing very loudly a song about fucking for satan” palavras do Papa. “Monstrance Clock”, uma musica que me faz lembrar da altura em que estava em Inglaterra, apesar de a musica só ter sido lançada depois de eu voltar, maquinações do diabo. Depois de uma noite de união, toda a gente se veio ao mesmo tempo ao som do relógio pelos Ghost, pelo filho de lucifer e pela boa música.

Digam o que disserem dos Ghost, gostem ou não do som deles, dão um grande espetáculo, se voltar a haver missa, contem comigo para carregar com o incenso, acender as velas ou virar crucifixos ao contrário.

Texto: João Alves

Agradecimentos a César Ramos pelas fotos

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