Blame Zeus – “Identity” (Raising Legends Records, 2014)

O Rock dos Blame Zeus comporta uma vasta amplitude de influências estilísticas que são acomodadas ao longo das 13 canções de “Identity”. A sensibilidade com que o constroem, torna desde início perceptível a experiência musical dos membros do colectivo.
A força dos refrões, é aqui, um dos pontos de destaque. Não resisto a imaginá-los a serem entoados por plateias numerosas, em salas lotadas ou em festivais de grande dimensão. Esta imagem ganha força, por exemplo, num momento como “Accept”, em que algo me remete para um paralelismo com a música dos germânicos Guano Apes. Talvez a serenidade das guitarras, ou alguma semelhança nos timbres das Sandras. A dimensão de uma banda será, muitas vezes, uma questão de mediatização e de nível de exposição. Os Blame Zeus apenas perdem, para muitos nomes do Rock internacional, neste capítulo do número de pessoas atentas ao que fazem.
Diferente do referido tema “Accept” é a entrada com “Falling of the Gods”. Este avisa-nos que o Rock dos Blame Zeus tem também elementos mais pesados e que prometem por pescoços a mexer. Na terceira faixa, “Sleep”, temos um exemplo do que de melhor a banda faz. Um tema bem estruturado que contempla as diversas identidades dos Blame Zeus. Em “Clocks” e “Crazy” a veia mais pesada anda à solta com riffs de guitarra ao ataque. Esta última, em conjunto com “Broken”, figuram na galeria de refrões mais orelhudos do disco. Já o tema “Receiver” aumenta os níveis de sensibilidade e sensualidade, com os momentos mais calmos de todo o disco. “Shoot them down” é, para mim, a composição mais interessante do alinhamento. É um tema curto, com um balanço delicioso e onde Sandra brilha ao explorar os seus dotes vocais. Após “Bed”, que recria um ambiente mais íntimo, surge “The Apprentice” a fechar o disco, com uma estranha cadência viciante no riff principal.
“Identity” é um álbum de estreia que expõe bem as qualidades de uma banda com potencial para continuar a crescer. Fiquemos atentos.
[Emanuel Roriz]
