EVERYTHING ENDS TOUR @ TOCA – Braga (06-06-2015)

Os Flattenn abriram esta noite de Metal com o seu Thrash pintalgado de Death em alguns momentos. A Banda bracarense conta com uma maquete editada em 2011 e encontra-se de momento a trabalhar no seu novo registo discográfico. As composições dos Flattenn parecem-me partir dos Riffs estudados por Vítor Pereira, o guitarrista principal do grupo. Com base nestes, criam uma barreira de som com ganchos que se podem tornar bem cativantes. Recentemente acrescentaram à sua formação um segundo guitarrista, que vem adensar a sonoridade do grupo. Uma maior frequência de rodagem em palco poderá ser o segredo para que os Flattenn soltem a sua verdadeira essência.

Flatten

Já lá vai algúm tempo desde que tinha recebido novidades dos The Ransack pela última vez. Algures entre 2004 e 2010, ou 2011, estes eram uma presença àvida em vários eventos e com uma rotina discográfica regular. Foi bom, ouvir pela voz de Shore [vocalista e guitarrista], a notícia de um novo trabalho de estúdio que estará terminado em breve. Mas ainda melhor do que isso, foi constatar que os The Ransack preservaram a sua essência, resistindo à passagem do tempo. Os aspectos que saltavam à vista nas prestações do grupo em alturas de maior actividade continuam lá. A composição musical bem elaborada, o pormenor técnico e o groove contagiante estão bem vivos. O concerto foi uma espécie de retrospectiva da discografia do grupo, tendo-se ouvido grande parte dos temas mais icónicos do grupo.

Ransack

Os Equaleft são uma banda diferente. Arrisco dizer que, em Portugal, seguem uma orientação sonora única que rompe com o tradicionalismo. Os elementos musicais que utilizam são inesperados. O poder devastador de momentos simples contrasta com a melodia cativante. E que dizer da fúria descontrolada que surge sem aviso? Esta sonoridade contagia de imediato. Quem ainda não conhece poderá a início estranhar. Mas com certeza, as entranhas de cada um irão reagir. Bem ou mal, não sei. Os Equaleft arriscam. Fazem música, de uma forma pouco comum e praticamente única, pelo menos, no panorama nacional. Assim, arriscam-se também, a deixar um vinco bem definido no universo da música extrema. A secção rítmica é avassaladora e parece ser constituída em conjunto pelas duas guitarras, baixo e bateria. Miguel Inglês assegura os vocais com uma presença notória e extremamente competente.

Equaleft

Acompanhando os WEB ao longo da tour “Everything Ends”, o espetáculo dos Equaleft baseia-se essencialmente no alinhamento do seu mais recente disco, “Addapt & Survive”. “…the chameleons”, “Tremble”, “Heroes of nothing”, “Human” ou “Hymns of Obedience” foram alguns dos temas que abalaram as estruturas da antiga Sala 2, dos Cinemas Bragashopping.

Fernando Martins [vocalista, baixista] não permitiu que o concerto dos WEB começasse, enquanto a reduzida plateia se amontoasse em frente ao palco da TOCA. É com um crescendo de entusiasmo que o primeiro tema nos é atirado à cara, “Taking the world”. Thrash Metal como manda a regra e com o som em perfeitas condições!

Após várias audições atentas ao novo “Everything Ends”, lançando durante o mês de Maio, a expectativa estava em alta. Não saiu defraudada. Os WEB estão num nível de qualidade acima da média. Excelente interação com o público e entre elementos da banda. Dinâmicos nas movimentações em palco, sem comprometer a performance. As novas músicas resultam perfeitamente ao vivo. Seja no registo mais lento e introspectivo de “Death is my Enemy”, na raiva  de “All turns into dust” ou na brilhante “False prophets”. Esta última proporcionou um dos momentos de maior agitação do público com a já famosa “Wall of Dance”. Sim leram bem…Dance. Curiosos? Venham-se divertir num concerto dos WEB.

web

Para o final estavam guardados dois temas já bem conhecidos dos seguidores do quarteto, Insanity e Awake, ambos do álbum “Deviance“. Fernando Martins tem tudo o que um frontman necessita, Víctor Matos e o seu grande carisma, a guitarra solo de Filipe Ferreira e a força rítmica de Pedro Soares são os WEB em 2015. Como  se viu inscrito em algumas t-shirts que por lá vi, “25 years and this is just the beggining”.

O cartaz apresentado merecia uma casa bem mais composta. Em certos momentos não foi fácil arrancar reação ao público mas, quebrada a timidez inicial, as movimentações tomavam lugar na sala. Com mais público a festa teria sido maior, mas mesmo assim ela aconteceu! Quem lá foi, acredito que tenha saído da TOCA com a satisfação de ter assistido a bons concertos e de ter constatado que continuam a haver excelentes músicos em Portugal. Estes, merecem ser ouvidos.

Texto: Emanuel R. // Fotos: Ana O.

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