Raio-XIS visita em pormenor Booby Trap

Regressamos a casa…sabe tão bem que nem imaginam… Acreditem que nestes meses que começamos este projecto já li muitos Raio-XIS… de bandas e artistas conhecidos aquelas que nunca ouvimos falar! Já me ri com muitas e fiquei triste com outras porque se sente nas palavras a dificuldade que hoje em dia se sente para se ser artista.

Este que vos trago hoje poderá ser até a data aquele com que mais concordo e com que mais me identifico depois de todos os que me passaram pelos dedos enquanto os transcrevo para o blogue para os colocar a vista de todos!

Tenho orgulho que isso tenha acontecido com uma banda portuguesa… por isso e porque já me alonguei de mais deixo-vos com Booby Trap!

Leiam…aproveitem e principalmente apoiem a gala que estes meninos se propõem a fazer… eles merecem 🙂

unnamed (1)1. Qual o vosso percurso musical?

Os Booby Trap começaram em 1993, numa altura em que os seus elementos andavam a coçar o rabo pelas cadeiras da escola secundária, e como putos cheios de borbulhas que eram, achavam que podiam conquistar o mundo do alto da sua adolescência e inocência. Como o mundo naquela altura já era um sítio complicado para sobreviver, achamos que mandar vir com tudo e todos era uma forma de o conseguir, daí termos optado pelo punk-hardcore-crossover-rap-thrash…metal.

Dadas as influências musicais dos elementos, a coisa fluiu naturalmente e passados uns meses, em Dezembro de 1993, estávamos a apanhar o comboio para o estúdio Rec’n’roll para em 3 dias gravar, produzir e masterizar uma demo-tape imortalizada com o nome “Brutal Intervention” com o alto patrocínio da editora “Martelo Pneumático” do nosso grande amigo João Paulo “Granada”.

Milhares de cópias dessa demo-tape levaram o deck do nosso baterista João Miguel à exaustão… Sim, nessa altura a cassete era o mp3 da época, e CD era coisa de “menino fino”.

Depois disso, o mundo ficou rigorosamente na mesma, nada daquilo que berrávamos mudou seja o que for, por isso achámos que não estávamos a berrar o suficiente, e decidimos tirar por completo partes limpas de guitarra como as que se ouvem nos temas “No Conformity”, “Smells like shit”, “Mankind sucks” ou “I love you“, e pôr o vocalista a apertar os “cojones” e levar as vocalizações a outro nível.

E assim lá fomos, em 1996, novamente ao Rec’n’roll para mais uma sessão relâmpago de 3 dias de produção, que deu origem a 10 temas editados pela “Fast’n’Loud” um split-cd entitulado “Mosh it up“.

Após toneladas de concertos, sexo e aromas marroquinos, o mundo continuou a girar exactamente da mesma maneira… a nossa adolescência e inocência perdeu-se.

Percebemos que apertar os “cojones” do vocalista tinha o seu limite, e que há sempre quem afine as guitarras mais graves e mais “pesadas” que tu.

Então e que tal umas férias para ir brincar ao jogo da vida? E assim foi… em 1997.

E fomos todos brincar á vida com outros brinquedos e com outras pessoas durante 15 anos.

Passado 15 anos, o Nuno (guitarra) e o Ricardo (baixo) continuavam a curtir o jogo da vida que criaram entretanto, e foi melhor deixá-los estar entretidos, que os Booby Trap nunca foram de estragar a festa a ninguém.

Já o Pedro (voz), o Wild (guitarra) e o Miguel (bateria), embora entretidos com a vida, acharam que conseguiam brincar a mais qualquer coisa ao mesmo tempo.

Faltava um baixista, Carlos Ferreira, que devia de andar com a vida desocupada, para o recreio estar completo, e o Wild que se desenrascasse com a guitarra sozinho, que o orçamento não dava para mais.

E assim foi.

Se dantes queriamos mudar o mundo, agora já só queremos que o mundo não nos mude a nós. Daí continuarmos com o mesmo estilo, mas berramos só para conseguir sobreviver… e tem o dom de ser menos traumático para os “cojones” do vocalista (a descendência dele agradece).

Assim, em 2012, damos uns concertos de “desbunda”, criamos uns temas, e em 2013 lá vem a ideia peregrina de gravar um novo registo para a posterioridade.

Para memória futura fica o nome “Survival“, o nome do tão suado trabalho, editado em CD em Novembro de 2013 por conta e risco próprio.

Posteriormente re-editado pela “Non Nobis Prod.” em CD e plataformas digitais em 2014, e pela “SASG Records” em vinil no mesmo ano.

Desde aí que andamos a promover o registo, e a compor o próximo trabalho.

2. Como caracterizam o vosso projecto?

O nosso plano nos Booby Trap já foi “dominar o mundo”, agora é no máximo a nossa alternativa a ir à missa ao domingo. Já tentámos outras coisas, mas continuamos a achar isto mais divertido… Aleluia.

3. Quais as vossas referências no mundo da música?

Considerando que somos uma banda de “punk-hardcore-crossover-thrash…metal” e não necessariamente por essa ordem… e não exclusivamente assim limitada, dava para ficar aqui todo o dia a debitar nomes de bandas… e olha que nós conhecemos algumas.

4. Como artistas o que vos encanta no mundo e se pudessem mudar a mentalidade das pessoas com a vossa música o que gostariam de mudar?

Nada e tudo ao mesmo tempo. Já vivemos o suficiente para acreditar que tudo é possível, e que não se deve acreditar em nada nem em ninguém.

Nesse sentido, só se pode contar com quem está, e com quem tem vontade e motivação de estar. Não se pode mudar a mentalidade de quem não tem vontade de mudar.

O que nos encanta é a nossa vontade de continuar num projecto que nos mantem mentalmente…vivos.

O projecto Booby Trap é a nossa “fonte de juventude”… a nossa sanidade mental num mundo lunático e desenfreado na sua busca incessante pelo “santo graal” monetário e onde a areia do tempo não pára.

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5. Local onde gostariam de tocar ao vivo? E com quem?

O sítio é relativamente irrelevante sempre que te sentes entre amigos e “companheiros de armas”.

Considerando os sítios mais descabidos onde tocámos nos anos 90 na altura do verdadeiro “underground”, diria que os sítios onde tocamos agora são melhores.

Lamentavelmente, em termos financeiros a “cena” está péssima.

Tocavamos em sítios piores, mas eramos mais requisitados e melhor pagos nos anos 90.

De quem é a culpa é irrelevante, mas é um factor a ter em conta quando estamos a falar de indivíduos que já não vivem á “pala dos papás”.

Em suma, onde e com quem já pouco importa…desde que nos paguem. Soa estranho, mas a vida custa a todos. Não estamos à espera de ficar ricos com isto, mas também não é a “visibilidade” dos locais que nos convidam para tocar que nos pagam as contas da mercearia, ou a “visibilidade” das outras bandas que lá vão tocar que nos pagam a conta da electricidade.

6. O que acham que seria necessário mudar em Portugal quanto ao apoio que existe aos novos projectos e novas bandas?

A “cena” punk-metal em Portugal é rica em projectos, e acontecem vários eventos se estiveres atento, pode-se até lamentar terem pouco público em várias ocasiões, mas não vale a pena criticar seja quem for. É preciso é persistir e fazer melhor.

Cabe às bandas criar as ondas sonoras mágicas que fazem com que o público levante o cú do sofá e os vá ver ao vivo, ou vá comprar o merchandise…que façam com que os promotores se entusiasmem em contactar e contratar para tocar…que façam com que as editoras apostem em as registar em plástico para vender e… ganhar dinheiro.

Esqueçam os subsídios do estado, os “morangos com açucar” e afins…neste estilo de música é tudo á bruta, é tudo ganho na base da porrada… apoios é para meninos do papá…afinal “és um homem ou és um rato?” Então age como tal (se fores um rato também).

7. Projectos para o futuro?

Temos temas e planos para um novo registo fonográfico, mas sem grandes pressões, até porque não somos pagos á hora por isto.

Temos alguns concertos marcados, e que, quem nunca viu Booby Trap pode, e deve aproveitar, ou corre o risco de morrer estúpido e ignorante (e merece).

Estamos a pensar (quase semi-seriamente) em organizar um festival de beneficência para angariar dinheiro para ajudar a contribuir na despesa de cerveja dos Booby Trap… onde nós não tocamos (nos instrumentos não, na cerveja sim) e para o qual vamos convidar umas quantas bandas para tocar à borla. Até ao momento já se ofereceram 69 bandas para tocar á borla no evento. Também já fizemos contactos junto das cervejeiras nacionais no sentido de garantir o patrocínio do evento, mas inexplicavelmente ainda não obtivemos resposta, nem sequer uma grade de minis.

8. Por último descrevam-se numa única palavra

Armadilha

 

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