À lupa desvenda Yngwie Malmsteen

YngwieProvavelmente se vos disser que iremos falar de Lars Johan Yngve Lannerbäck poucos saberão de que se trata de Yngwie Malmsteen o virtuoso guitarrista Sueco, nascido a 30 de Junho de 1963 em Estocolmo.

Lars (aka Yngwie) teve aulas de piano e trompete e na tenra idade de 5 anos recebeu o seu primeiro violão. Yngwie entra no rock influenciado por Deep Purple e iniciou os seus estudos nas cordas de uma velha guitarra Mosrite seguindo para uma Stratocaster, foi no entanto a sua admiração pelas influências clássicas de Ritchie Blackmore que o levaram a ouvir e apreciar os grandes nomes da música clássica como Bach, Vivaldi, Beethoven, Mozart e claro Paganini.

Detentor do chamado “ouvido absoluto” que nada mais é que a facilidade de distinguir notas musicais de qualquer que seja a fonte, tornam-no dos poucos no cenário musical com tal capacidade.

O que levou o jovem Yngwie decidir seguir a carreira de virtuoso na guitarra eléctrica? Conta a lenda que a 18 de Setembro de 1970 enquanto assistia a um documentário na televisão sobre a morte do guitarrista Jimi Hendrix terá ficado tão espantado com a forma como Hendrix emocionava o público que se decidiu entregar à guitarra… o irónico é que não terá sido tanto pela técnica mestra de Hendrix mas sim o momento em que após quebrar a guitarra terá posto fogo a mesma.

Depois desse momento Yngwie terá mergulhado de cabeça no som de bandas como Deep Purple e usou toda a sua curiosidade para descobrir o segredo das composições.

malmsteen_2Terá sido aos dez anos de idade que o jovem Yngwie (nome supostamente dado pela mãe que era de um antigo namorado) decidiu adoptar o nome de solteira da mãe “Malmsteen” e passou a dedicar todas as suas energias à música deixando de frequentar a escola, era conhecido por ser um estudante problemático que se envolvia constantemente em lutas com os colegas, destacava-se no entanto nas matérias que mais lhe agradavam, o inglês e a arte.

Ao abandonar a escola trabalhou como luthier e terá sido nessa altura que escalopou a escala a uma guitarra o que o deixou bastante espantado com os resultados. Tão impressionado que viria a aplicar o método a todas as suas guitarras.

Aos 18 anos grava uma demo e envia para várias pessoas, inclusive o fundador da editora Shrapnel o que originou ter sido chamado a Los Angeles e para integrar a banda Steeler.

Terá sido no entanto ao assistir ao violinista russo Gideon Kremer que interpretava “24 Caprices” de Paganni que conseguiu compreender e misturar o seu amor pela música clássica e a sua velocidade, energia e teatralidade.

No começo de 1983 assim que se mudou para os EUA Yngwie entra então para a banda Steeler e lança o single “Cold Day Hell” ainda em vinil de 45 rpm com a formação: Ron Keel (vocal e guitarra), Michael Dunigan (guitarra solo), Tim Morrison (baixo) e Bobby Eva (bateria). Logo após o single, Bobby Eva, Tim Morrison e Michael Dunigan saem da banda e em seus lugares entraram Mark Edwards (bateria), Rick Fox (baixo) e Yngwie Malmsteen (guitarra solo).

A nova formação lança em 1983, o primeiro álbum da banda, Steeler (álbum). Após alguns espectáculos para promoção do álbum, a banda termina, e em Agosto entra no recém-formado Alcatrazz, uma banda no estilo do Rainbow, fundada por um ex-Rainbow e ex-Michael Schenker Group, o vocalista Graham Bonnet.

Alcatrazz, com a formação Graham Bonnett (vocais), Malmsteen (guitarra), Gary Shea (baixo), Jan Uvena (bateria) e Jimmi Waldo (teclados), grava o grande álbum “No Parole From Rock’n’Roll”, lançado no final de 1983. Neste álbum Malmsteen já demonstrava como seriam suas futuras composições, já que é possível perceber alguns solos incendiários como, “Kree Nakoorie”, “Jet To Jet”, e “Hiroshima Mon Amour”. Mesmo antes de sair de Alcatrazz é lançado novo álbum em 1984 desta vez ao vivo com o nome “Live Sentence”.

Contudo, Malmsteen sentia-se limitado e o único caminho seria a carreira a solo, abandona então a banda em Julho do mesmo ano de lançamento de “Live Sentence” sendo substituído por Steve Vai.

rockombia-201310091381370024O primeiro álbum solo de Yngwie, “Rising Force”, sai a 15 de Março de 84, e as faixas contam com duelos seus com o teclista Jens Johansson  (que mais tarde entraria para os Stratovarius). O álbum foi gravado em Los Angeles e a produção foi de Malmsteen. O baterista foi o experiente Barriemore Barlow que tocou no Jethro Tull por dez anos e o vocalista foi Jeff Scott Soto que gravou os vocais em apenas uma única faixa no disco. O baixo foi gravado pelo próprio Malmsteen.

Este álbum é actualmente considerado como a Bíblia do rock neoclássico. Chegou ao numero 60 na lista da “Billboard”, algo raríssimo para uma gravação quase que na totalidade instrumental. O álbum também foi indicado para o “Grammy Awards”, pela melhor interpretação de rock instrumental.

Foi o suficiente para Malmsteen ser eleito por várias revistas como melhor guitarrista de rock e ver o seu Rising Force ser considerado o álbum do ano

Em Janeiro de 85, um dos primeiros espectáculos da banda é registado em vídeo na íntegra no Japão e posteriormente lançado em DVD. Apesar do primeiro álbum ser praticamente todo instrumental, na tournée de divulgação a banda tocava muitas músicas letradas que estariam presente no próximo álbum, além de várias covers dos Alcatrazz.

Marching Out é lançado em Setembro do ano seguinte e neste caso as faixas instrumentais são reduzidas a três. O álbum apresenta uma nova formação com Anders Johansson na bateria e Marcel Jacob no baixo. Pouco tempo antes do início da tournée começar, Jeff e Marcel saem da banda e entram Mark Boals e Wally Voss respectivamente. Uma curiosidade neste álbum tem a ver com o clipe da faixa “I See The Light Tonight” onde aparece Mark Boals a cantar mas na realidade o áudio foi gravado por Jeff Scott Soto. Mais um cuja produção é da autoria de Malmsteen.

Ainda em 1985, surgiu o primeiro vídeo gravado ao vivo de sua carreira solo, “Rising Force – Live 85”.

Um ano depois sai o álbum Trilogy onde o baixo é gravado pelo próprio Malmsteen mas tocado na tournée por Wally Voss, pouco antes do lançamento Mark Boalsé é demitido tendo sido Jeff Sollo reconvocado e torna-se o vocalista de mais uma das tournées. Sem fugir ao hábito o álbum é gravado em Los Angeles com a produção de Malmsteem sendo o primeiro a não conter o nome Rising Force

No dia 22 de Junho de 1987, bateu com seu Jaguar numa árvore, do acidente resulta um coagulo cerebral que lhe danifica os nervos motores do braço direito, depois de ter estado em coma por quase uma semana volta a si e descobre que o braço estaria inutilizado, temeroso e teimoso empenha-se numa dolorosa terapia para recuperar os nervos mas as más noticias nunca vem sós e enquanto recupera da sua lesão recebe a noticia da morte da mãe por cancro e que esta quase na ruína já que é roubado pelo  seu manager o que o deixa com milhares de dívidas médicas para pagar.

Para Malmsteen a música foi e sempre será a sua salvação e o resultado disso mesmo é “Odyssey” que não sendo dos seus álbuns favoritos é dos mais aclamados pela sua acessibilidade. O disco conta com o ex-vocalista de Rainbow Joe Lynn Turner que produziu o single “Heaven Tonight” que contou com a gravação de um vídeo que trás  Malmsteen a projecção mundial e um disco de ouro.

Da tournée desse álbum sai o seu primeiro disco ao vivo “Trial By Fire: Live in Leningrad” gravado na Rússia

Depois desta tournée “Rising Force” cai em desuso e os membros seguem caminhos diferentes.

Começa então uma nova fase na carreira de Malmsteen, muda-se para Miami e recruta uma nova banda, desta vez com amigos suecos desconhecidos ao grande público

Göran Edman (vocal, ex John Norum), Svante Henryson (baixo, que tocava em orquestra sinfónica), Mats Ollausson (teclados, conceituado músico de estúdio e arranjador) e Michael Von Knorring (bateria).

Yngwie Malmsteen 04Eclipse é o novo álbum com nova formação e conta com a participação da sua esposa Erica Norberg na música “Devil in Disguise” sendo este um álbum mais comercial. Por uma má produção da Polygram é prejudicado nas vendas nos EUA mas tem um enorme sucesso no Japão e na Europa com discos de ouro e platina.

Nessa época é lançada a sua primeira colectânea “The Collection” com vários dos seus clássicos.

Em 1992 lançou o álbum Fire & Ice, com a mesma formação do álbum anterior, com excepção do baterista Bo Werner. O álbum foi gravado em Miami e Suécia e a produção foi de Malmsteen, com participações de violinistas e um flautista. Um disco não comercial e com magníficas composições. As letras foram compostas com base nos acontecimentos da vida de Yngwie Malmsteen (que se tinha divorciado da sua primeira esposa, a cantora sueca Erica Norberg) e a música estava construída com base nas estruturas barrocas.

Com este álbum, Malmsteen pôde, por fim, realizar um de seus mais fervorosos desejos, gravar com uma orquestra. Isto aconteceu nos arranjos de “Badineire”, originalmente na “Suite Orquestral No. 2” (de J. S. Bach), que está em “No Mercy” e no solo de “Cry No More”.

Aclamado pela crítica, “Fire & Ice” alcança a posição número 1 no Japão e vende 100.000 cópias no dia do lançamento. O disco chegou a ouro e platina na Europa e Ásia.

Mas como tudo na vida deste enorme músico nada acontece de bom sem que o mau se faça ouvir, perde em Janeiro de 1993 o seu manager dos últimos 4 anos Nigel Thomas vitima de ataque cardíaco, em Março de 1993 descobre que esta a ser roubado pela sua editora Elektra e em Julho rompe os ligamentos da mão direita devido a um acidente, nesse mesmo ano em Agosto é vitima de uma prisão.

Em Setembro de 1993, todos as acusações contra Malmsteen são retiradas e em Outubro sua mão recupera, por completo.

Como não há mal que não termine em fartura em 26 de Dezembro de 1993, casa-se com Amberdawn Landin, de quem viria a se separar em 1996.

Em Dezembro de 1994 Yngwie começa a montar seu próprio estúdio e iniciou os trabalhos no seu próximo álbum, Magnum Opus. Esse disco foi lançado em 1995. A formação foi a mesma do álbum anterior, excepto o baterista, que foi Shane Gaalaas. O álbum foi gravado em Miami e a produção foi de Malmsteen e Chris Tsangarides.

No início de Janeiro de 1996, Yngwie Malmsteen põe a funcionar o “Studio 308” e convida vários amigos (incluindo Joe Lynn Turner, Jeff Scott Soto, David Rosenthal, Marcel Jacob, Jens Johansson e Mark Boals) para um projecto.

Por muitos anos, Malmsteen teve o desejo de gravar algumas das músicas com as quais cresceu e que o influenciaram de alguma maneira; nessa lista encontravam-se canções de “Deep Purple”, “Rainbow”, “Scorpions”, “Rush”, “U.K.”, “Kansas” e evidentemente, Jimi Hendrix.

Com estes amigos e mais os irmãos Johansson na bateria e algumas faixas de teclado, o álbum Inspiration começou a tomar forma, até que em meados de Abril o disco já estava pronto, com a capa pintada por Asari Yoda. O álbum foi gravado em Miami e na Suécia, a produção foi de Chris Tsangarides e Malmsteen.

Em Junho de 1997 Malmsteen voou para Praga (República Tcheca), para tocar com a famosa “Czech Philharmornic Orchestra”, com mais de cem anos de existência. Em três dias de gravação intensiva, com o maestro de Atlanta, Yoel Levi, a cargo da batuta, o esperado álbum Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in E flat minor Opus1 seria lançado em 1998.

A 6 de Março de 1998, nasce o primeiro filho de Yngwie, Antonio Yngwie Johann Malmsteen, na cidade de Miami, fruto de seu terceiro casamento. Com o nascimento do filho, Malmsteen amadureceu, ignorou os problemas com músicos e voltou a usar o nome “Rising Force”.

Ainda em 2001, os espectáculos  de Yngwie com orquestra “New Japan Philharmonic” no Japão foram gravados para lançamento em CD e DVD.4

Foi durante um desses concertos com a New Japan Philharmonic que Malmsteen foi surpreendido com a chegada de alguns representantes do governo chinês, os quais, o convidam a excursionar por aquele país.

Vale ressaltar que Yngwie Malmnsteen foi pioneiro ao abrir o mercado da antiga U.R.S.S. (União Soviética), até então fechado ao “ocidentalismo” no seu regime comunista. Agora, Malmsteen voltava a repetir essa façanha na China, onde o rock não era aceite pelo governo socialista.

O ano de 2008 é marcado pela capa da edição da “Guitar World”, onde Malmsteen aparece sozinho, em vez de compartilhar com outros músicos.

Ao longo desse ano, Malmsteen ainda aparece noutras capas de revistas especializadas, incluindo “All Access”, “Crusher Magazine”, “Fuzz”, “Guitar Player”, “Roadie Crew” e “Vegas Rocks”.

Mas, talvez, o maior reconhecimento de 2008 chegou em Outubro, quando Yngwie Malmsteen é introduzido no “Rock da Fama Hollywood”, na Sunset Boulevard em Hollywood.

Em 2009 é lançado Angels of Love, um álbum acústico completamente instrumental, de baladas, contendo re-leituras de antigos clássicos de Malmsteen e algumas faixas inéditas tocadas ao violão, com arranjos orquestrais. Algumas das faixas teve a participação do tecladista Michael Troy Abdallah.

Para surpresa de todos, a canção “Angels Of Love” (inspirado em sua esposa, April) atingiu o topo da lista de música “New Age”, do site “Amazon.com”.

O reconhecimento do lugar de Yngwie Malmsteen na história da música continuou a prosseguir. Na “Time Magazine”, Malmsteen foi-se incluído como um dos “10 maiores guitarristas”.

Em Fevereiro de 2015 foi induzido ao Hall da Fama da Música da Suécia, pelas suas contribuições musicais nos últimos trinta anos. No mesmo mês, é confirmado que o músico está a trabalhar num novo disco que deve ser lançado este ano.

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Notas Finais:

Para quem conhece Yngwie terá noção que cortei muito da sua carreira musical mas escrever todos os álbuns, tournées, filmes e documentários criados por este magnifico artista iria tornar, este já longo texto, com o triplo do tamanho. Penso que consegui compilar os seus melhores e piores momentos, pelo menos para mim.

Conheci o músico com o álbum Rising Force e terá sido ele que despertou a paixão que sinto quando ouço os acordes de uma guitarra eléctrica, conheço a sua forma de tocar ao fim dos primeiros segundos de música e ao longo de quase 20 anos que sigo a sua carreira ainda me arrepio com os seus arpejos e os seus longos trinados.

Foi e será sempre para mim… O Guitarrista! O Mestre! Com ele aprendi a apreciar música mas aprendi também que não existem barreiras na música e que os estilos não são propriedade de ninguém. É também graças a ele que aprendi a ouvir e a apreciar a música clássica, da subtileza de Bach ao jovialísmo de Paganini.

Muito mais haveria para escrever mas quando a paixão é muita e o desejo de saber ocupa a mente não é difícil pesquisar mais e mais sobre quem nos desperta o interesse.

Foi um prazer dividir esta minha paixão com os leitores da Loudness espero sinceramente que sintam a ler o prazer que foi escrever!

Até lá boa música \m/

Paula Marques

Discografia:

  • 1983 – Steeler
  • 1983 – No Parole from Rock ‘n’ Roll
  • 1983 – Live Sentence
  • 1984 – Rising Force
  • 1985 – Marching Out
  • 1986 – Trilogy
  • 1988 – Odyssey
  • 1990 – Eclipse
  • 1992 – Fire & Ice
  • 1994 – The Seventh Sign
  • 1995 – Magnum Opus
  • 1997 – Facing the Animal
  • 1998 – Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra
  • 1999 – Alchemy
  • 2000 – War to End All Wars
  • 2002 – Attack!!
  • 2005 – Unleash the Fury
  • 2008 – Perpetual Flame
  • 2009 – Angels of Love
  • 2010 – Relentless
  • 2012 – Spellbound
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