Moita Metal Fest 2015 – Reportagem

Muito se tem falado do Moita Metal Fest, não caminhasse este já para a pré-adolescência no auge dos seus 12 anos. Desde 2003 que este festival tem vindo a marcar posição seio do underground de uma forma crescente tanto em quantidade de bandas como em qualidade.

Este ano não foi diferente! Com um cartaz de luxo (certamente que assim o podemos designar), a Sociedade Filarmónica Estrela Moitense recebeu as quase 1500 pessoas (dados da organização) que consumiram toda a energia que aquele espaço tinha para oferecer nos passados dias 27 e 28 de Março.

O primeiro dia contou com um número mais reduzido de bandas em relação ao segundo, no entanto o mesmo não se verificou com o número de pessoas presentes. Na noite anterior, de 26, o Paradise Garage recebeu os Vader com data única em Portugal e no próprio dia 27 os Moonspell apresentavam o seu novo álbum no Coliseu. No entanto estes não foram motivos para que a Sociedade Filarmónica da Moita não testasse o seu limite máximo de carga. Pelo contrário, provou o quanto este festival já conta com o seu próprio público que tem vindo a ser fiel ao longo das várias edições e cada vez com mais conquistas.

Por contratempos na viagem, quando lá chegamos já tinham tocado os Jackie D. e os anfitriões da festa Switchtense. Quando entrámos no recinto era vez dos Terror Empire!

Se quando entramos o espaço encontrava-se a meio gás, após os primeiros riffs da banda de thrash metal de Coimbra soarem, o espaço depressa se compôs. Com um som poderoso que às vezes fugia um pouco para o death metal e uma excelente postura em palco depressa conquistaram o público e com certeza arrecadaram novos fãs, referindo-me àqueles que ainda não os conheciam.

Os Iberia continuaram a fazer a festa até à banda que se seguia. Estes senhores da “velha guarda”, na estrada desde 1988, já passaram por diversas formações e hoje (desde 2013) contam com Hugo Soares na voz que tanto caracteriza a banda no seu contexto hard rock/metal por vezes com pitadas de glam. Entre os autênticos hinos que marcaram a carreira da banda, o  tema “Hollywood” é sem dúvida merecedor de destaque.

27032015_moitametalfest-3

Desta forma dávamos quase por encerrada a primeira noite de concertos mas não sem antes atuarem os tão esperados More Than a Thousand. Proveniente de Setúbal, esta foi a primeira vez que tocaram neste festival. Sem desilusões, como já têm habituado os seus fãs, a banda de metalcore que comemora este ano 15 anos de carreira brindou-nos com a sua simpatia e energia em palco. É impossível não se gostar desta banda. O ambiente que eles criam quando estão em palco é inexplicável e a energia é tão grande e tão positiva que não deixa ninguém indiferente. Nem mesmo os mais “sépticos” a este estilo musical se deixam afastar deste arraial humano que se ali se viveu.

First Bit, It’s Alive, I am the Anchor, Heist, Fight your Demons, Cross my Heart, No bad blood, entre muitos outros temas foram entoados naquele espaço. Entre momentos mais calmos como durante o tema “Midnight Calls” e de euforia como foi o caso do tema “We wrote this song about you”, cantado juntamente com Fábio Batista, vocalista dos Hills Have Eyes, o cenário estava todo devidamente montado.

27032015_moitametalfest-5

A empatia desta banda, tanto entre os elementos como com o público é tão forte que proporcionam sempre enormes espectáculos como foi o caso no Moita Metal Fest. Muitas vezes o palco foi invadido pelo público desejoso se estar em contacto com os elementos da banda que em demasia acabava por resultar em algum constrangimento a quem estava a assistir. No entanto a banda conseguiu lidar bem com isso, para contentamento dos fãs.

Findado o concerto, chega então a hora dos festivaleiros se voltarem a reencontrar, a beber uns copos e a colocar a conversa em dia como o ambiente proporcionava.

Depois de fechar os olhos umas duas horas, dá-se início ao segundo dia. A vila está calma e preparar-se para, em poucas horas, receber o público para este segundo dia cheio de concertos.

O alinhamento começa com os lisboetas Borderlands. A banda de progressive metalcore chamou-me especial atenção pelo facto de ser uma banda composta por elementos bastante jovens (pelo menos aparentemente) mas com um som muito bom, sem falhas e bastante incisivo. De seguida surgiram os tão esperados Analepsy a abrir o circle pit do dia. Esta já é uma banda com nome definido no contexto Brutal Death Metal e tinha uma legião de fãs à espera deles que não saíram desiludidos, mesmo com os contratempos iniciais com o microfone do vocalista. Chega então a vez dos Destroyers of All que se encontram de momento a gravar o seu primeiro álbum. Com um rasgo thrash/death metal deixaram o público num alvoroço, mostrando serem uma banda com muito para dar. Rumámos então até ao norte com os Colosso que deram continuidade à onda que se estava a viver então mas num tom mais pesado de progressive death metal. Para acalmar um pouco entraram em palco os punk rockers Albert Fish com um estilo muito Bad Religion e Rancid. Do oceano Atlântico chegaram, mas não a nado certamente, os madeirenses Karnak Seti que nos contemplaram com o seu metal moderno, seguindo-se de os algarvios Crossed Fire. Chega a vez dos Miss Lava entrarem em palco para dar a provar o bom do rock n’ roll que ainda de faz, no nosso país. Após este momento mais tranquilo da noite chega a vez dos Wako que proporcionaram o som pesado aliados a grandes momentos de mosh e circle pit. Sem ficar atrás, os Grog continuaram a festa sem se esquecerem do cariz solidário do evento, relembrando que uma percentagem do valor do merchandise que tinham à venda revertia para instituições de solidariedade.

Chega agora a hora dos cabeças de cartaz (considerando assim os dois grandes nomes que encerra este festival) Onslaught e Bizarra Locomotiva.

A primeira destas duas veio alimentar um público sedento de thrash metal e de ver a banda ao vivo. Foi sem dúvida uma surpresa a relação que os elementos da banda, sobretudo o vocalista Sy Keeler, manteve com os espectadores que não pararam do início ao fim. Foram entoados grandes temas como “Soud of Violence”, “66’Fucking’6”, Killing Piece”, “Metal Forces” entre outros. Nota-se também que a banda estava bastante satisfeita com a aprovação do público que estava em completa apoteose sonora. O único ponto negativo deste concerto foi este ter terminado de forma um pouco repentina, sem anúncio prévio de “last song” nem encore.

27032015_moitametalfest-18

Para terminar o festival em grande, entram os Bizarra Locomotiva que tinham estado na noite anterior como convidados especiais dos Moonspell no Coliseu dos Recreios. Como seria de esperar, não deixaram os créditos por mãos alheias. Aliás nunca o fizeram e não seria agora que o iriam fazer. Rui Sidónio continua com uma presença fabulosa e uma energia estonteante. Mantendo sempre preso a si o mais cansado dos fãs que se encontrava no recinto, torna cada espectáculo que realiza não só memorável mas único.

Mais do que o espectáculo de bandas em palco que se viu ali, foi o que se viveu no “andar de baixo”. As pessoas reflectiam o que estavam a sentir pelos momentos que se estavam ali a viver. Momentos esses que não seriam possíveis sem o esforço e a dedicação de todas as pessoas envolvidas na organização deste evento assim como do restante staff. Desde o pessoal que estava à entrada, ao do bar, ao do churrasco (que preparava aquelas sandes de entremeada maravilhosas), pessoal do som, luz e todos os restantes que não estão enumerados estão de parabéns.

Apesar de esta ter sido a primeira (de muitas com toda a certeza) vez no Moita Metal Fest, parece-me que a inovação deste ano relativamente ao campismo foi bem-sucedida. Espaço acolhedor, prestíssimo do local onde estava a ocorrer a festa proporcionou às pessoas que vieram de longe uma estadia 5 estrelas (wc limpinhos e água quente fizeram as delicias dos presentes). Os seguranças que não tiraram pé do campismo permitiram também que nos sentíssemos seguros e à vontade para não andarmos carregados com tudo às costas.. eles foram sem duvida brilhantes e eram de uma simpatia tremenda.

Mais uma nota merecida a uma excelente iniciativa no festival a recolha de roupas e bens alimentares que revertia para as instituições do concelho. Não sabermos como terá corrido esta angariação, mas a contar com o bom coração de todo e qualquer metaleiro que se preze, temos a certeza que terá sido, assim como o festival, um grande sucesso.

Bem, não tenho mais palavras para transmitir a quão satisfeita fiquei por ter vivido dois dias tão bons e sem dúvida que a viagem desde “a margem sul do Douro” valeu a pena!

Fica um sincero e obrigada e os votos de para o ano nos encontrarmos novamente para mais convívio, vivências e reencontros.

Texto e Fotografias: Ana Oliveira

Advertisements
This entry was posted in Reportagens. Bookmark the permalink.

2 Responses to Moita Metal Fest 2015 – Reportagem

  1. Flavio Pereira says:

    “Analepsy a abrir o circle pit do dia. Esta já é uma banda com nome definido no contexto grindcore”

    Algo está errado aqui….Grindcore! Onde?

    ..de qualquer das formas, esta uma boa review do fest

    Like

  2. loudnessmag says:

    Flávio, antes de mais obrigada pela observação! Já alteramos a questão do estilo musical 😉

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s