Dos países nórdicos ao calor do Hard Club

A vida de estrada tem muitos imprevistos. Para quem viaja de autocarro em tour, deverá ser um feliz acaso conseguir completar uma jornada de concertos sem incidentes. Os Profane Omen, na viagem de Madrid até ao Porto, tiveram problemas com uma das rodas do atrelado do autocarro, e com isso tiveram um atraso de seis horas na viagem. Foi assim, que o simpático Jules Naveri [vocalista] justificou à Loudness Magazine, em bom português, o atraso da banda na subida a palco.

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A sala 2 do Hard Club, que ainda se encontrava um pouco longe do número máximo de presentes que iria albergar no auge da noite, recebeu então a abordagem generalista com que os Profane Omen adornam as bases do thrash metal. Ao longo dos cerca de 30 minutos que passaram em palco, mantiveram um nível constante de energia e de coesão musical. É nos momentos em que entram na onda mais roqueira que os Profane Omen se tornam mais interessantes, com vocalizações melódicas, riffs e solos munidos de um groove bem divertido caracterizando assim, e muito bem, o estilo Death n’ Roll que associam às suas músicas. fintroll_hardclub_artigo-1A comunicação com o público foi uma constante, sempre com Jules a expressar-se no seu português de sotaque brasileiro em que numa das intervenções referiu a vontade que há muito tinham que vir ao nosso país. Foi também com esse sotaque que interpretaram “Polícia”, tema original da banda de rock brasileiro – Titãs – que foi popularizado pela versão gravada pelos Sepultura durante a década de noventa.

A banda encerra assim o primeiro momento musical da noite que esteve por pouco de não acontecer. A simpatia do vocalista assim como a excelente prestação em palco de todos os elementos deixou a vontade, a quem assistiu a este espectáculo, de continuar a acompanhar o seu percurso principalmente naqueles que não conheciam o seu trabalho.

Oriundos da Dinamarca, os Hatesphere, devastaram a audiência do Hard Club com a sua furiosíssima descarga de thrash metal moderno. A cada música o ataque era cirúrgico, investidas incisivas e fustigantes provocaram agitação entre os presentes. Dos Hatesphere deve-se também realçar a composição musical. As dinâmicas e as estruturas que aqui apresentaram são de um nível merecedor de nota.

Aqui já se vê uma sala mais composta notando-se, com clareza, que parte do público presente de deslocou por causa desta banda. Sem desilusões, este foi um concerto marcado pela óptima postura da banda em palco com momentos de interacção com público que se mostrou bastante receptivo alimentando vários momentos de euforia alternados entre circle pit e crowd surfing.fintroll_hardclub_artigo-3

À entrada em palco dos anfitriões Finntroll a sala encontrava-se já com uma bonita moldura humana, ainda que houvesse espaço para mais. A ocasião era especial. Os Finntroll encontram-se de momento em digressão a comemorar o 10º aniversário do lançamento do seu “menino de ouro” Nattfodd. A primeira parte do espectáculo consistiu na interpretação da totalidade deste álbum. A ordem pela qual as músicas foram tocadas era bem conhecida entre o público. Assim, à medida que “Fiskarens Fiende” se aproximava do fim, o entusiasmo cresceu de forma acentuada e a melodia de “Trollhammaren” provocou uma das reacções mais entusiastas da noite. Um verdadeiro hino ao Folk Metal , este tema marcou a noite pela influência que este teve no público. A partir daqui foi um autêntico bailarico grotesco que espelhou tudo o que este espectáculo tinha para oferecer.

Na passagem pelos restantes álbuns, a música Solsagan do quinto álbum da banda –Nifelvind– marcou um dos momentos mais sombrios da noite, não fosse este um dos temas tocados que mais demonstra a influência do black metal que tanto caracteriza a banda, embora mais vincado em determinadas fases da carreira.

Foi após o tema Jaktens tid do álbum homónimo lançado em 2001 que se deu como finalizada a primeira parte do espectáculo. Chegou então o encore recheado com quatro músicas épicas, para grande contentamento do público. As duas primeiras, “Skogsdotter” e “Häxbrygd”, ambas do mais recente álbum da banda lançado em 2013 –  Blodsvept e “Under bergets rot”  do Nifelvind que é um dos singles mais ouvidos da banda em diversas plataformas musicais disponíveis na internet.

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É com o tema “Rök” que assim se coloca uma verdadeira pedra na noite que então terminava da forma mais surpreendente. Contrariando tudo o que se estava a prever no início da noite, no final vimos uma sala composta e um público bastante satisfeito tanto pela qualidade das bandas como do som.

Fica assim a vontade que haja rapidamente uma próxima vez, na esperança que esta tenha a adesão merecida pelas bandas.

Este foi um evento promovido por SWR inc. – sonic events

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