Going Out With a Bang – O segundo dia do Legends Of Rock

“O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro. – Plutarco“

scorpions-1.jpg

Erros todos cometem, mas quando se aprende com eles é sempre uma mais-valia e foi o que aconteceu no segundo e último dia do “Legends of Rock”, as entradas foram orientadas melhor, o horário de abertura de portas foi antecipado, e houve a preocupação dos seguranças de não deixar as pessoas penduradas numa das entradas estando a outra mais vazia. Há que dar valor a isso.

the-dead-daisies-18.jpg

The Dead Daises iniciou a actuação, quinze minutos antes do anunciado, a banda de rock australiana-americana podia ser desconhecida para bastantes dos que se encontravam em Oeiras, mas os seus componentes não. Composta por  JohnCorabi (MötleyCrüe/Union),  Marco Mendoza (Thin Lizzy/Whitesnake), Deen Castronovo (Journey/Bad English), Doug Aldrich (Whitesnake/Dio) e David Lowy, os músicos sabem bem o que fazer para manter o público atento e isso sentiu-se logo após Make Some Noise, se o público reagiu com curiosidade ao inicio a um vocalista muito dentro do estilo Steve Tyler, estava rendido com toda a certeza ao fim da actuação. Excelente forma de começar aquilo que viria a ser mais uma das noites para contar estórias.

the-dead-daisies-24.jpg

Depois foi esperar, entre bater de pés para aquecer um pouco a noite que se tornava cada vez mais fria a medida que passavam os minutos.

O frio era intenso mas a vontade era mais ainda para assistir aquele que muito provavelmente será o último dos concertos da banda alemã em solo lusitano, o tema escolhido para iniciar a noite Going Out With a Bang, foi o iniciar de quase duas horas de comunhão entre a banda e o público, duetos constantes, momentos comoventes de ambas as partes e sorrisos estampados demonstram mais uma vez o porquê de Scorpions serem os “dinossauros” que são no panorama musical, fazem o que sabem e fazem-no bem feito.

scorpions-5.jpg

Is There Anybody There?, The Zoo, We Built This House, Delicate Dance, aqueceram a noite em Oeiras e preparam o público para os temas em acústico que fizeram os casais se juntarem e se abraçarem, para desfrutar Follow Your Heart, Eye of the Storm, Send Me an Angel e Wind of Change.

Momentos altos foram uma constante na actuação dos Scorpions na passada quarta-feira mas um deles terá sido sem dúvida a homenagem sentida ao falecido Lemmy Kilmister, com Overkill e posterior solo de bateria de Mikkey Dee antigo baterista dos Motörhead. Um momento a fazer elevar às alturas o baterista e a alma dos presentes. A actuação terminaria ao som de Big City Nigths com Klaus Meine envolto na bandeira nacional.

A noite ia longa, mas faltavam ainda duas músicas para terminar a com chave d’oiro e fizeram-se ouvir no encore Still Loving You, quase uma declaração de amor entre Klaus e o público e para saltar e aquecer ainda mais o coração e o corpo Rock You Like a Hurricane fechou o concerto e o evento em Oeiras.

scorpions-19.jpg

Legends Of Rock foram dois dias, com alguns percalços, mas que no rescaldo não podia ser mais positivo, a localização é agradável e quem sabe não está aqui o inicio de uma tradição, pelo menos eu e algumas pessoas com quem falei no recinto, gostaríamos bastante.

À Everything is New o nosso agradecimento pelo evento e pelo esforço constante para que tudo corresse bem, erros acontecem mas crescemos com eles, aprendemos e evoluímos e isso não é sinónimo de fraqueza mas de um excelente profissionalismo.

Galeria Completa AQUI
Texto de Paula Marques
Fotografias de Domingos Ambrósio

Advertisements
Posted in Fotografias, Reportagens | Tagged , , , , , , | Leave a comment

Uma noite old school no Estádio Municipal de Oeiras

publico-9.jpg

O destino da passada terça-feira foi o Estádio Municipal de Oeiras, o meu e o de muita gente que esperou pacientemente numa fila interminável, a fila que a perder de vista fez muitos perder senão a totalidade, parte considerável do concerto de Megadeth, cujos acordes iniciais começaram a fazer-se ouvir por volta das 20h30. Quem infelizmente não conseguiu entrar pelo menos conseguiu ouvir e tem de concordar comigo que a setlist foi escolhida por forma a fazer uma viagem pelos álbuns mais carismáticos da banda, inclusive por Dystopia com duas músicas e respectivos videoclips. O álbum está considerado como uns dos melhores dentro do género musical e o prémio é mais que merecido.

megadeth-15.jpg

O concerto deu início ao som de Hangar 18, The Conjuring e The Threat is Real e ao fim da terceira música Dave Mustaine aproveitou para cumprimentar o público e deixar claro que “tinha passado tempo demais desde da última vez que tinha passado por Lisboa” penso que o sentimento entre o público era igual, a banda é amada pelos portugueses e ontem isso fez-se sentir.

Do local onde estava, acabei por sentir um pouco de desgaste na voz de Dave, verdade que o vocalista não vai para novo, mas em certas alturas a música tornou-se quase imperceptível, o desgaste no entanto foi amplamente compensado na entrega, a banda entrou para deixar a alma em palco e deixou, da entrega de Dave ao sorriso de Kiko Loureiro, das palavras para a plateia de David Ellefson à bateria de Dirk Verbeuren tudo serviu para manter o público com atenção redobrada e ouvidos bem abertos para não perder pitada do que se passava em palco. O estádio foi-se compondo ao som de Take No Prisoners, Dystopia, Peace Sells entre corridas desenfreadas para ainda os apanhar em palco e ao som da última música Holy Wars… The Punishment Due já se encontrava bastante completo.

megadeth-9.jpg

Megadeth por si só já é uma banda de culto mas a entrada de Kiko Loureiro (em meados de 2015), acabou por trazer uma lufada de ar fresco e um rejuvenescimento à forma como se apresenta em palco e a banda voltou a fazer sorrir os fãs mais antigos e a mostrar aos novos como se faz boa música mesmo sendo considerado “old school

Uma viagem muito agradável que deixou quem estava e quem chegou com um sorriso no rosto e um desejo de não ter de esperar novamente 7 anos para os receber em solo nacional.

kiss-12.jpg

Agora se a espera pelo regresso de Megadeth foi longa o que dizer de KISS, a banda actuou a primeira e única vez no longínquo ano de 1983 no Dramático de Cascais, pelo menos 50% do público presente no Estádio Municipal nem sequer tinha nascido nessa altura e isso não fez diferença nenhuma. Quem já os tinha visto, recordou a altura em que os concertos eram festa, fantasia e rock n’ roll, quem nunca os tinha visto ao vivo aprendeu o verdadeiro significado de “monstros de palco”. Porque é isso que os KISS são, mais que a música, que os anos de carreira, que as polémicas sobre se já deveriam ou não ter arrumado os fatos de cabedal, eles são espectáculo. Sem meias medidas ou redes de segurança, eles entram e por quase duas horas fazem-nos esquecer onde e quem somos. Por duas horas são eles e nós, línguas de fora e biquinhos de diva, entre pedidos de “sing with me” e glamour, lantejoulas e guitarradas ensurdecedores, foguetes e fogo de artificio… um verdadeiro hino ao “peace, love and rock n’roll”

kiss-3.jpg

Deu tempo para tudo ontem, do começo com Duce, ao Firehouse com o Gene Simmons a cuspir fogo, do solo de guitarra brutal de Tommy Thayer, ao Say Yeah. Passamos pelo Calling Dr. Love, ao solo de Gene e ao cuspir também, mas desta vez não fogo, mas “sangue” enquanto subia, tal qual morcego sugador para as alturas do palco. Aliás voos não faltaram no concerto de terça-feira, após a actuação do tema I Was Made for Lovin’ You, foi o próprio Paul Stanley, que passou em slide por entre o público depois de dizer que queria estar ao pé de nós, para uma actuação magnífica de Love Gun. Vimos também o baterista Eric Singer nas alturas, e ouvimos-o cantar com Black Diamond. O encore não se fez esperar e a banda voltou para mais três musicas, Cold Gin, Detroit Rock City e a mais que desejada Rock and Roll All Nite cantada a plenos pulmões por todos e a demonstrar que muito pouca vontade tinham de arredar o pé da frente do palco. Nesta última e porque todos têm direito ao seu momento foi a vez de subir as alturas Tommy Thayer.

A noite foi de festa e a fazer relembrar os tempos áureos do Rock n’Roll, muita pirotecnia a mistura (os meus ouvidos ainda estão de férias a pala disso), mudanças de guitarra, teatralidade, nuvens de fumo e canhões de papelinhos brancos, confettis e fogo-de-artifício. Uma noite que demonstrou que o público está sedento de gargalhadas e músicas que nos fazem cantar, saltar e principalmente sorrir, foi a prova, se é que era necessário, que não só os KISS não estão preparados para arrumar as botas de plataforma, como ainda fazem cá muita falta.

“…I wanna rock and roll all night and party every day…” e se possível não ter de esperar mais de 30 anos para os ver novamente.

Galeria Completa AQUI
Texto de Paula Marques
Fotografias de Domingos Ambrósio

Posted in Fotografias, Raio-XIS, Reportagens | Tagged , , , , , | Leave a comment

Sons D’Cave abrem a porta para – PAUS

Novo Sons D’Cave, desta feita directamente da capital, para vos trazer PAUS, a banda que se caracteriza como free, ou seja sem conotação de estilo, já cá anda desde de 2010. Mas vamos deixar que sejam eles a apresentarem-se.

Mais uma vez o nosso obrigada à Raquel Lains, da Let’s Start a Fire, pela sempre incansável ajuda.

PAUS - Foto Promo 4 Tomás Brice.jpg

Fotografia de Tomás Brice

Demasiado brancos para sermos do Sul.
Demasiado pretos para sermos do Norte.
Demasiado velhos para sermos do outro lado.
Demasiado curiosos para deixar as colunas de pé.
Rodeados por margens e não querem que desenhemos novos mapas?
Rodeados por margens e não querem que flutuemos como ilhas?
Rodeados por margens e não querem que sejamos marginais?
Rodeados por margens então, bebemos e desaguamos em todas.

PAUS continuam a ser Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria. Um baixo, teclados e uma bateria siamesa ainda são as ferramentas do seu ofício. Um ofício que foi mudando desde que pela primeira vez nos deram a beber da sua música no  ep de 2010 “é uma água”. As canções destes quatro nunca foram bem canções. Sempre foram vontades de estar em sítios estranhos, desafiantes, com cor e horizontes largos.

8 anos, 3 LP’s, 2, ep’s, várias tours internacionais, do País de Gales ao Texas, da Sardenha ao México, a sua viagem levou-os agora à Madeira. A convite de Pedro Azevedo e da família ALESTE, os PAUS foram em Setembro de 2017 filmar e fotografar todo o aspecto visual de um disco que tinham começado a preparar em Julho desse ano. A perspectiva de aterrar no mais longínquo e maravilhoso subúrbio de Lisboa impregnou, ainda antes de chegarem ao Funchal, a música que então estavam a terminar.

A ideia de uma ilha que flutua e não tem sítio certo na geografia, uma ilha esquecida por um continente e de tão feliz por estar esquecida que se encontra na intercessão das Américas, África e Europa, pareceu-lhes naturalmente um retrato preciso do som que estavam a ouvir. Um mapa com fronteiras apagadas, uma ilha que se deixa levar e gosta de quem quer e está sempre à espera do barco é a forma como os PAUS olham para a Madeira e para si próprios, enquanto plataforma criativa. Se soa bem, sabe melhor, então é casa. “Madeira” é o som dos PAUS a apaixonarem-se pelas cores e pelas pessoas que fazem a ilha, gente rodeada a mar, sem condição. “Madeira” são 9 canções e vídeos onde vemos e ouvimos os PAUS sempre em viagem e sempre em casa. Não é só um Disco, é um Videodisco e um Vinil, com edição dia 6 de Abril.

PAUS são hoje o que sempre foram, uma banda à procura e “Madeira” é um postal da felicidade que a banda sente na incerteza.

PONCHA LAIFE


 

Posted in Sons D'Cave | Tagged , , | Leave a comment

Indie Music Fest 2018

IMF18-facebook_cover.png
O Indie Music Fest tem ainda uma mão cheia de nomes e renomes para o cartaz deste ano. Pouco a pouco, alguns deles se revelam, e estas são as novas confirmações dos artistas que marcarão presença no Bosque Mágico, em Baltar, de 30 de agosto a 1 de setembro.
Os passes-gerais para os dias mais encantados do ano estão à venda por 20€ até dia 15 de julho e podem ser adquiridos em www.bol.pt e nos locais habituais.

Os Throes + The Shine são a materialização de uma fusão funky e kudurista com o clássico rock. As suas vibes levam-nos a viajar por vários pontos do mundo, mas destaca-se a eletrónica tropical que atinge o clímax na celebração ao vivo a transbordar de energia. Throes + The Shine são oriundos do Porto e de Angola e já passaram por vários palcos internacionais, mas é no Indie Music Fest que se apresentarão ao público com mais sede de música nacional.

YUZI é uma das mais inesperadas revelações do hip-hop português. Iniciou a sua carreira em 2017 mas já apresenta números esmagadores de views, que certamente nascem devido à sua excentricidade musical e visual. O Indie Music Fest mal pode esperar por fazer parte do #YUZIGANG.

Pé Grande nasce de uma mistura entre a música e a natureza. Entre os acordes e dedilhados folk, viaja até à floresta mais próxima. O projeto começou a ser pensado em 2017, sendo que em Abril de 2018 lança o seu primeiro single, Time To Wake On Dawn, que dará o nome ao EP.

Com um nome inspirado numa vila italiana, os Travo são uma banda criada por cinco rapazes bracarences. Gonçalo Araújo, Nuno Gonçalves, David Ferreira e Pedro Couto são os fundadores deste crescente projeto de rock psicadélico.

Apontando como principais influências na sua sonoridade bandas como SwansEinstürzende NeubautenMão Morta, entre outros, os NU definem-se como “uma banda de rock experimental com um trabalho multidisciplinar que funde na música elementos de outros medium, como a literatura, o vídeo e a performance”. Apostamos neles para despir a crowd em força!
A sexta edição do melhor micro-festival do país promete ser inesquecível e estes são apenas alguns dos grandes nomes a marcar presença. Fiquem atentos!
Posted in Noticias | Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Leave a comment

Alice Cooper lança novo álbum ao vivo “Uma noite Paranormal no Olympia Paris” a 31 de Agosto pela earMUSIC.

Após lançamento do álbum “Paranormal” em 2017, que foi o melhor álbum de Alice Cooper em décadas, a lenda do rock americano levou os seus emocionantes concertos ao vivo numa digressão mundial, acompanhado pela “melhor banda que ele já teve”.

Depois de um ano inteiro na estrada, o “Paranormal tour” terminou em Paris, no dia 7 de Dezembro de 2017 na mundialmente famoso Olympia, um teatro que é icónico no verdadeiro sentido da palavra.
O Olympia, desde da sua inauguração em 1888, testemunhou mudanças no entretenimento e na cultura pop por 130 anos, desde o can-can, passando por Édith Piaf, até Johnny Hallyday e os Beatles, e agora…

Alice Cooper!

0212811EMU_AliceCooper_live_2CD-Digipak_CoverEste concerto de 90 minutos é uma viagem através das criações atemporais de Alice Cooper: clássicos como “Poison”, “School’s Out” e “No More Mr. Nice Guy” são alternados com preciosidades escolhidas a dedo para a alegria dos verdadeiros conhecedores de Cooper “Pain,” Woman of Mass Destruction” e “Paranoiac Personality“, o primeiro single do álbum” Paranormal“.

O álbum que captura o concerto rock and roll é um dos melhores lançamentos ao vivo de Alice Cooper, com os guitarristas de longa data Nita Strauss, Tommy Henriksen e Ryan Roxie, o baixista Chuck Garric e o baterista Glen Sobel em frente a um público entusiasmado .

“A Paranormal Evening At The Olympia Paris” terá lançamente a 31 de Agosto de 2018 pela earMusic no formato de 2 CD digipack, 2LP Gatefold (vermelho e branco) e no formato digital

Fonte: Altafonte Portugal

0213152EMU_AliceCooper_live_2LP-Gatefold_Cover

Posted in Noticias | Tagged , , | Leave a comment

The Codfish Band apresentam “Kings and Queens” feat. Elsa Frias a 13 de Julho

unnamed.jpg“Kings and Queens” é o single de avanço do  álbum sucessor de “Devil’s Tongue”, a sair no final do ano.

Sobre o tema, The Codfish Band dizem:

Kings and Queens”, um blues, foi dos primeiros temas a surgir, e logo à nascença percebemos que daria um belo dueto e só assim tornar-se-ia completo.

Um dia, por sugestão de um amigo comum, fomos ver uma banda ao vivo que segundo ele tinha uma vocalista fantástica. Quando ouvimos pela primeira vez a voz da Elsa Frias ficámos impressionados com o timbre, o poder/força e especialmente a alma e emoção que transmitia em cada tema. Soubemos na hora que era exactamente a voz que encaixava.

O convite foi aceite e a magia começou. A cada ensaio a cumplicidade vocal entre a Elsa e o Luís foi crescendo e ganhando uma dimensão que até ai não existia. Tínhamos finalmente a nossa “Sweet Queen”. Acrescentamos as teclas ( piano e Hammond) do nosso amigo Carlos Garcia e aí está “Kings and Queens” a primeira música do nosso segundo álbum.

O sucessor de “Devils Tongue” encontra-se em fase de produção. Começa calminho mas adiantamos desde já aos nossos fãs que podem aguardar por um álbum com muito RockPower.

A letra do tema, fala sobre uma paixão que não desaparece e que se sente permanentemente debaixo da nossa pele. É o que sentimos pelo resultado final da música e esperamos que vos contagie também. 

The Codfish Band “Kings and Queens” feat. Elsa Frias disponível em formato digital a 13 de Julho.

Fonte: Farol Música

Posted in Noticias | Tagged , , | Leave a comment

Hail to the Prince of Darkness

 

JudasPriest-1.jpg

A noite ontem era de espectativa sentíamos isso no ar, há porta do Altice Arena, entre copos de cerveja que se ia bebendo e o reencontro de quem se conhece e reconhece nas entradas era das primeiras palavras proferidas, “sabes estou expectante para ver o que vai ser a noite”, ninguém tinha dúvidas que seria uma noite memorável e a aposta estava mais que ganha já que foi isso mesmo que aconteceu.

Coube as honras de abertura a Judas Priest, a banda britânica já anda nisto há anos valentes e ontem provou, se é que era necessário, o porquê de ainda passadas tantas décadas, continuarem a ser aclamados por tantos. Rob Halford é um frontman portentoso e nem as constantes saídas para mudança de casacos o fez perder a atenção do público. Temas como “Firepower”, logo no início, “The Ripper”, “Bloodstone”, “Turbo Lover” entre tantas outras mostrou que a idade é algo de B.I. e não influência em nada a prestação vocal de Rob. A banda é uma força coesa, e entra em palco para dar o que têm e mais um pouco a quem se desloca para as assistir e ainda bem.

JudasPriest-14.jpg

 “Hell Bent For Leather” encarregou de deixar uns quantos bastante animados, pelo menos do meu lado assim foi, já que Rob actuou na “garupa” de uma bela Harley… mas o ponto alto da actuação da banda foi sem dúvida a entrada em palco do antigo guitarrista Glenn Tipton, Glenn sofre já algum tempo de Parkinson mas o som que nos trouxe nos temas “Metal Gods” e “Breaking the Law” deixou um gosto agridoce de saudosismo na mente de quem se deslocou ontem ao Parque das Nações.

A frase de despedida ficou a pairar no ecrã: “The Priest will be back” e nós só podemos dizer amén a isso, e esperar ansiosos pelo seu regresso.

270418-EM1-0533.jpg

Foto oficial cedida pela Everything is New

Ozzy Osbourne, o “Príncipe das Trevas” entrou em ovação do público…

” I need you to go fucking crazy, if you guys do that i will go fucking crazy with you, how many crazy you get, i will go crazier”

e o público fez-lhe a vontade, gritou, saltou, cantou e bateu palmas até se deixar de saber se ainda estávamos em Portugal ou na mansão que lhe está destinada no Inferno. A energia subiu exponencialmente ao som de temas como, “Mr Crowley”, “I Don’t Now”, “Faires Wear Boots” , “No More Tears”, “Road To Nowhere”, fazia falta a agulheta de água com que costuma presentear as primeiras filas para refrescar um pouco o ambiente, mas Ozzy não podia deixar os créditos por mãos alheias e baldadas de água não faltaram para fazer as chamas baixarem pelo menos por instantes.

O tempo para descanso de Ozzy , ficou a cargo de Zakk Wylde  e o meddley que trouxe incluiu os temas “Miracle Man”, “ Crazy Babies”, “Desire” e “Perry Mason” e deixou-me a mim com duas questões pertinentes, a primeira era se nos pudemos apaixonar pelo som de uma guitarra, fiquei seriamente a pensar que sim e se Zakk estaria a homenagear correctamente os escoceses e não trazia nada por debaixo do kilt, duvidas a parte  o momento foi de virtuosismo num crescente de tirar o fôlego, fôlego esse que continuou em suspenso com o solo de bateria que se seguiu na ponta das baquetes de Tommy Clufetos. Que maravilha.

270418-EM1-0405.jpg

Foto oficial cedida pela Everything is New

O Príncipe retornou ao som de “I Don’t Whant To Change The World” e terminou com “Crazy Train” mas não estava ainda terminada a noite, Ozzy deu o mote “one more song” e o público acompanhou e continuou a acompanhar com “Mamma, I’m Coming Home”, foi bonito de se ver, quando se dá, recebesse e a generosidade que existiu no palco estendeu-se pela plateia. A noite terminou com “Paranoid” e com o Ozzy de joelhos numa vénia ao público que fez jus ao nome de “melhor público do mundo”.

50 anos de carreira e o Príncipe continua sem ser destronado.

Mais segundas-feiras como a de ontem e pode ser que perca o mau nome que tem. Que noite memorável.

Agradecimento a Everything is New pela sua sempre presente simpatia e por mais uma noite daquelas que deixam boas memórias

JudasPriest-6.jpg

Galeria Completa: AQUI
Texto de Paula Marques
Fotografias de Domingos Ambrósio

Adenda:
Acho importar realçar aqui uma situação que tenho vindo a notar ultimamente nos concertos, é necessário formar os seguranças que acompanham os concertos por forma a não terem a ideia que são todos em formato chapa cinco, a malta de heavy metal faz moche, dá calduços e crow surfing, o que para eles é o início de um desacato para nós e apenas a forma calorosa de nos cumprimentarmos. Ao “programar” a segurança para esses efeitos acabam por ser evitados mal entendidos desnecessários. Noites como a de ontem que reuniu mais de 4 gerações são noites de comunhão musical e não de chatices que seriam facilmente evitáveis.

Posted in Fotografias, Reportagens | Tagged , , , , , , | Leave a comment