Trocamos ideias com Luxuria de Lillith

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Luxuria de Lillith nasceu em 1998, conta já com diversas demos, 4 Cd’s oficiais e a promessa de um 5º ainda para 2017. A sua música carrega luxúria, erotismo, satanismo e um peso orelhudo cantado em português. O trio de black metal está a iniciar a sua Tour pela Europa e conta com duas datas em Portugal. 22 de Setembro no Metalpoint no Porto e dia 23 no Le Baron Rouge em Barcarena, Sintra. A Loudness não poderia deixar de estar presente no seu concerto, mas em jeito de aperitivo, trocou umas palavras com a banda.

LM: Muito obrigada pelo vosso tempo e por responderem às nossas perguntas! Comecemos pelo inicio, o que vos levou a iniciar este projecto à 18 anos atrás? O que vos motivava naquela altura?

Alysson Drakkar: Salve guerreira do Metal!!! A honra é toda minha em participar deste primeiro contacto. E claro agradecendo o suporte da Loudness neste momento de rituais de muito metal extremo. Sim, fundei Luxúria de Lillith em meados de 1998, mas comecei a tocar em bandas de Death Black Metal ainda nos anos 1989. Quando fundei Black Always com alguns headbangers de Goiânia em Goiás e depois, outros projectos que não deram muito certo. Assim, surgiu esta banda que eu gostaria de compor e criar músicas e temáticas obscuras. O que motivou mais ainda, foi cantar em português, o Brasil é um país muito grande e existem muitos públicos.

LM: Após todos estes anos o que vos influência e inspira? Sentem que as vossas influências evoluíram ao longo do tempo?

Alysson Drakkar: A banda evolui constantemente e nas idas e vindas, vivenciei inúmeras experiências com diversos músicos em eventos, shows, festivais e nos estúdios de gravação. Muitos se foram, mas muitos vieram para fortalecer a banda obscura. E ao longo do tempo, as composições foram sendo lapidadas e melhor produzidas, onde pude compor e gravar quatro discos oficiais e diversas demos e alguns Eps. Dois álbuns oficiais como: A Volúpia Infernal e Sucumbidos pela Carne foram lançados em formato LP e CD. Nos shows, as experiências foram ganhando força e mais intensidade nas apresentações, atualmente a banda é composta por Yngrid Arkana e Murilo Visceratum.

LM: Ressalvamos a vossa opção por cantar em português num estilo musical onde não é muito habitual isso acontecer. Foi uma escolha vossa consciente? Nunca pensaram ou tentaram o inglês, por exemplo?

Alysson Drakkar – Sim, certamente o inglês fará parte da discografia de Luxúria de Lillith, mas a idéia de fazer um Black Metal Brasileiro, cantado em português, surgiu ainda muito jovem quando tinha meus 17 anos, com dificuldades para entender línguas estrangeiras, e quando expressadas em português as músicas soavam bem melhor, confiantes e melhor expressadas. Foi dai que surgiu esta ideia de cantar em português. Gravei diversos álbuns em português e houve uma grande aceitação pelo público da América Latina com influência dos clássicos nacionais: Sarcófago, Sepultura, Amen Corner e Vulcano.

LM: Como sentem a cena musical hoje em dia comparando‐a 18 anos atrás?

Alysson Drakkar – Muitas coisas mudaram para melhor, naquele tempo não tínhamos recursos tecnológicos, não havia internet para todos, e poucos discos que chegavam eram muito disputados. Por sorte, começamos a tocar em pequenos shows e isso trouxe visibilidade das novas tendências que o metal incorporava a cada ano. Hoje além de toda mobilidade, instrumentação mais refinada, temos a maturidade e a experiência que a música nos proporcionou. Yngrid Arkana baixista e backing vocal, tem sido uma grande parceira nesta atuação, dando continuidade a este grande trabalho possibilitando novos contactos pelo mundo, e fortalecendo cada vez mais nossas apresentações por onde passamos, uma música mais compromissada com o trabalho e fortalecimento de nosso espaço cultural Black Metal!

LM: Falem‐nos um pouco sobre o vosso novo álbum a sair ainda este ano: Qual será o nome? Já existe previsão de data? Qual o princípio/tema? O que o distingue dos vossos álbuns anteriores?

Alysson Drakkar – Sim, a previsão é que em dezembro de 2017 consiga terminar este novo álbum intitulado ‘Gehennom’ um disco bem diferente de todos os outros já produzidos anteriormente, primeiro por se tratar do disco mais pesado já produzido pela banda. Um álbum conceitual, onde Alysson cria um universo ficcional para dar continuidade a sua temática obscura. A proposta temática que desmitifica as crenças humanas em seus próprios berços em nove contos ficcionais distribuídos em nove músicas que surpreenderá aqueles que já conhecem bem nosso trabalho.

LM: Obrigada pela honra de iniciarem a vossa primeira Tour Europeia por terras lusas! Como se sentem em relação a estes dois meses a espalhar luxúria pela Europa? Quais são as vossas expectativas? O que podemos esperar das vossas actuações?

Alysson Drakkar – Sim, para nós algo totalmente novo e espero poder conhecer bem mais, meus amigos e aliados do metal extremo. E, claro conhecer a diversidade cultural existente na Europa. Estamos muito felizes por esta realização e ansiosos claramente!!! Apesar das experiências em todo território brasileiro, e ter tocado na Bolívia e no Peru. Agora teremos a chance de expressar nossa fúria ao antro do Metal mundial. A banda atualmente é composta por um power trio forte, guitarras pesadas, e vocais rasgados e guturais, com elementos do Black Metal sombrio e ao mesmo tempo brasileiro com refrões e letras em português.

LM: Como esperam que seja o futuro para Luxúria de Lillith?

Alysson Drakkar – Sim, Luxúria de Lillith se prepara para iniciar seus melhores álbuns, estou com diversas composições no gatilho para produção de discos e novos videoclipes. Pretendo até 2019, realizar outras duas turnês pelos continentes americanos e na Ásia. No Brasil, teremos a chance de realizar um giro por todo território nacional. De mãos deste universo ficcional criado por Alysson Drakkar, a horda profana deseja dar continuidade a história que envolve o primeiro álbum ‘Gehennom’ pelas terras da Argentina em 2018. O que nos dará impulso para as produções videoclípticas da horda. Apesar das tecnologias e das atualizações, a horda se mantêm sob o manto dos temas obscuros, sombrios, deslumbrando o horror da existência humana e seus profundos pesadelos.

LM: Querem deixar algumas palavras aos nossos leitores?

Alysson Drakkar – Sim, grande amiga! Deixo aqui minhas palavras de muito orgulho e felicidade em estar com vocês, compartilhando este trabalho tão importante para a cena brasileira com vocês de Lisboa e Porto. Queremos brindar com nossos amigos e aliados da cena Black Metal de Portugal para manter sempre viva a chama do Metal Negro! Um grande abraço irmãos das sombras e do caos!!! Nos vemos no Metalpoint e no Le Baron Rouge!!! Salve Hellbangers!!!

Muito obrigada pelo prazer de nos concederem esta entrevista! Vemo‐nos no vosso concerto a 23 de Setembro cá em Portugal! Boa viagem! \m/

Texto: Andreia Vidal

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Gothic girls, fado e protesto – Uma entrevista a David J, fundador dos Bauhaus e Love and Rockets

As Warm-Up do Reverence Santarém contam com David J Bauhaus.jpg

Foto retirada da Internet
Entrevista gentilmente concedida a Loudness após o concerto no Sabotage cuja reportagem pode ser lida AQUI. Mais uma vez o nosso agradecimento pela incansável ajuda e simpatia da Raquel Lains

LOUDNESS: Sabemos que esta é a tour de apresentação de “Vagabond Songs” e também que se baseia nas histórias de algumas pessoas com quem te tens cruzado. Como é que surgiu a ideia para a composição deste álbum?

DAVID J: Bom, a ideia surgiu porque esta tem sido a minha vida desde sempre. Ando na estrada há muitos anos e acabo por cruzar-me com muita gente, sobretudo porque faço muitos living room shows. Ocasionalmente toco em clubs e a maior parte das vezes são terceiros que escolhem o local, por isso os concertos tanto podem acontecer numa loja de tatuagens como em igrejas, capelas, um quartel de bombeiros… e regularmente acabo por tocar mesmo em salas de estar. Tudo o que escrevo reflecte muito a minha vida, por isso a maior parte das vezes escrevo em tour e acabo mesmo por gravar os temas enquanto viajo. Foi assim que cheguei a este álbum. Não o planeei de todo! Aliás, nunca planeio o que escrevo ou gravo, apenas acontece ter uma boa colecção de temas sobre um determinado tema.

L: Esses living room shows acabam por acontecer sobretudo nos Estados Unidos, certo?

D: Sim, sobretudo nos Estados Unidos. Mas eu gostava de começar um circuito desse género aqui, embora vocês tenham estes concertos em venues mais pequenas, há já algumas pessoas a promoverem algumas living room sessions por aqui e eu acho importante, porque afinal torna qualquer experiência mais íntima. Acabo por conseguir estar com as pessoas, senti-las mais perto, perceber como é que chegaram até à música. É comovente e faz-me sempre querer retribuir-lhes de alguma maneira.

L: Sabemos que a ideia inicial era conseguir que esta tour fosse além-fronteiras estadunidenses. Para além deste concerto em Lisboa, o que mais está planeado?

D: Vou andar pela Europa com esta tour durante quatro semanas. Vou estar no Porto amanhã, depois tenho mais dois concertos em Praga, vou também estar pela primeira vez em Bucareste e Budapeste, depois Torino, vou estar uma semana em Berlim porque também vou gravar lá, e finalmente Londres.

davidjbackhires-sm.jpgL: Os temas do álbum falam de pessoas inseridas em que contexto? Estas histórias são sobre promotores e outros músicos, ou sobre fãs?

D: Bem, sobretudo pessoas com quem me cruzo em contexto de concertos, claro. Mas muitas vezes é mais do que isso. Há algumas love songs no álbum, por isso é fácil de perceber que muitas vezes acabam por ser histórias sobre gente bastante próxima.

L: E dentro destes temas há algum momento ou história que te tenham marcado especialmente?

D: O tema que sem dúvida me ficou mais marcado foi “The Day That David Bowie Died.” Simplesmente fluiu. Eu estava perto de Portland a fazer mais alguns living room shows e no dia em que o último álbum dele saiu, comprei-o logo. Lembro-me perfeitamente de que nesse dia tinha tocado em Seattle e nessa mesma noite, hospedado numa casa bastante agradável, com uma cave escura e acolhedora, encontrei o ambiente ideal para ouvir o álbum. Senti-me instantaneamente arrebatado pelo “Black Star.” Quando o voltei a ouvir, já com uma visão e contexto diferente, quebrei completamente… é um álbum triste. Eu conheci o David Bowie pessoalmente e tudo me veio à memória, especialmente com aquela última faixa “I Can’t Give Everything Away” que alude a parte de outra música dele, “A New Career in a New Town” em Low. Isto porque eu estava em tour com Bauhaus e lembro-me que havia uma jukebox algures e eu estava a tentar escolher uma música, até que me apercebo que há alguém atrás de mim e ouço uma voz perguntar-me: “Posso escolher uma?” Era o Bowie e claro que eu disse logo que sim. Ele escolhe uma faixa chamada “Groovin’ WIth Mr. Bloe” de Mr. Bloe e eu instantaneamente reconheço e percebo de onde veio a harmónica que ele usou em “A New Career in a New Town”, e ele começa a dançar à minha frente. Estávamos só os dois e aquilo foi tão surreal, com ele a dançar e a sorrir para mim. Por isso quando ouvi o “Black Star” e na noite em que soube que ele nos deixou, aquela parte da música voltou a tocar e para mim foi um momento tão pesado e intenso. O que ele está a dizer é que sabia que ia morrer e eu acho que ele sabia exactamente quando é que isso ia acontecer. “New Town” representa um afterlife e “a new career” o que ele vai estar a fazer nesse local, nesse momento, e perceber isso deixou-me desconcertado. Dou por mim a chorar copiosamente num quarto de hotel e o instinto foi pegar na minha guitarra e começar a tocar aqueles acordes e cantar aquelas palavras. Estando no estúdio em Portland, para além de gravar outras músicas, claro que tive que gravar também aquela.

L: Ainda sobre o álbum, mas também sobre o concerto de hoje, afinal o que se passa com as raparigas góticas de que tanto ouvimos falar nestes temas?

D: O primeiro tema “Goth Girls In Southern California” foi uma visão que eu tive. Estava em San Diego, na Califórnia, à espera que dessem uns ajustes na minha guitarra. Era verão, estava mesmo muito calor e era perto da meia-noite, quando vejo esta rapariga gótica deslumbrante. Com um estilo quase fúnebre, claro, véu preto, vestido preto, botas pretas, luvas de renda pretas, uma sombrinha preta… e eu voltei a entrar na loja à procura da minha guitarra e dizem-me que vão precisar de mais meia hora, que eu posso usar uma das salas deles enquanto espero, que também tinham lá uma guitarra, no fundo para me entreter. Então foi mais um tema que escrevi ali mesmo, em vinte minutos. Já as outras músicas acabam por fazer parte de uma temática, inserida neste álbum. Quando reúno as minhas músicas para um álbum, mais do que uma colecção de temas, eu gosto de seguir uma narrativa e por isso há sempre um contexto, uma temática associada. Por exemplo, o tema “In The Wake Of The Lady Blue” não é exactamente sobre uma rapariga gótica, mas sobre uma quase gótica e linda rapariga que conheci em New Orleans e de quem senti alguma falta. A última música de que falamos, “Vesuvio’s Window” também inspira um sentimento de “saudade”, algo que se perde, com um sentimento melancólico e ao mesmo tempo delicioso associado a ela. Eu não diria que ela era gótica, só uma rapariga muito bonita que me observava da janela e quando nos cruzámos ela perguntou-me se eu era o Doug e eu disse que não, até que outro rapaz apareceu e confirmou-lhe ser o Doug que vinha de Inglaterra, pelo que ela respondeu: “Hi, I’m Valerie. I’m so happy you’re english, I love everything about England!”

L: Mudando um pouco de assunto, esta não é a tua primeira vez em Portugal, certo?

D: Não! De todo! Já estive cá imensas vezes com Bauhaus por exemplo, que são muito populares por cá. Nós chegámos a tocar para mais de 12 000 pessoas numa das nossas visitas.

L: E qual é a tua opinião sobre Portugal, sobre as pessoas?

D: Eu adoro Portugal! Gosto mesmo muito das pessoas e da cultura. Eu apaixonei-me por Portugal logo na primeira vez que cá estive, é um lugar muito bonito e interessante. E toda a descoberta do fado, é quase como a versão portuguesa do blues… e eu nem sequer falo nada de português, mas a música consegue transmitir tão bem o sentimento. Eu costumo ouvir bastante, tenho alguns álbuns em casa, coisas muito antigas… por acaso agora não me estou a conseguir lembrar de nenhum nome em particular.

R-10417388-1497014696-9164.jpeg.jpgL: Uma vez que estes concertos também acontecem apenas com voz e uma guitarra acústica, qual a particularidade associada aos concertos acústicos quando comparados com outro tipo de concertos?

D: Estar em palco apenas com uma guitarra acústica torna-se sobretudo mais desafiante, tanto para o artista como para o público. A ligação que se forma também é mais forte e a mim agrada-me particularmente despir uma canção, até às suas componentes mais básicas, mais simples. Quer dizer, é a versão mais honesta de qualquer canção. Qualquer tema meu, até os temas que escrevi para os Love and Rockets começavam por ser apenas e tão só isto. É assim que apresento as músicas à banda, na sua verdadeira essência, como se fosse a alma de uma canção.

L: Tendo em conta que este concerto está inserido nos warm-ups para um festival que incide sobretudo no psicadelismo e stoner rock, o que tens a dizer do destaque que este tipo de sonoridade tem hoje em dia?

D: Acho que há muitas bandas a fazer um excelente trabalho nessa área. Eu gosto muito de música psicadélica e há bandas que sem dúvida merecem todo o destaque que têm tido, como é o caso dos Tame Impala, Black Angels e tantas outras.

L: Alguma vez pensaste que a tua/vossa música se fosse tornar tão influente? Na tua opinião, qual foi o vosso papel na história da música e nas bandas que se dizem influenciadas pelo vosso estilo hoje em dia?

D: Quando começámos a tocar, nós só tocávamos aquilo que queríamos ouvir. Era tão simples quanto isso. Tínhamos que ser autênticos, mesmo que isso se revelasse algo pretensioso. Aquele era o nosso verdadeiro eu, mas nós achámos desde sempre que éramos “the bee’s knees”, que éramos espectaculares, tanto em Bauhaus como em Love and Rockets. Mas também sabíamos que era algo que podia durar apenas um ano, e por acharmos que podia ser algo fugaz tentámos sempre dar e tirar o máximo que podíamos da música, da experiência. Também exigiu alguma resiliência da nossa parte porque, mesmo sabendo que éramos bons, nunca deixámos de ser outsiders. No entanto a influência que tivemos com Bauhaus, por exemplo, é até hoje muito surpreendente para mim. Nunca pensámos que íamos ter tamanha influência.

L: Que tipo de som é capaz de influenciar a tua escrita e música hoje em dia?

D: Eu continuo a funcionar como uma esponja até hoje! Tal e qual como acontecia quando era adolescente. Estou sempre a pegar em coisas novas. Uma das influências mais recentes é, por exemplo, Karel Kryl. Era checoslovaco e as músicas dele andaram por aí nos anos 60 e 70, um compositor revolucionário, com muitas canções de protesto. Descobri este nome quando estava em Portland, numa roulotte de comida, e puseram a tocar uma cassete com música checoslovaca dos anos 80 e mesmo sem perceber nada do que ele dizia, o som relembrava-me de alguma maneira o Leonard Cohen. Havia algo de autêntico naquelas músicas e eu perguntei-lhe o que estávamos a ouvir, ele demonstrou-se satisfeito pelo meu interesse e explicou-me detalhadamente quem era Karel Kryl. Contou-me que durante as invasões russas aquela música tinha sido banida e que Karel tinha sido perseguido, mas que continuou a compor e a actuar, a divulgar a sua música mesmo sob ameaça de morte. Fui pesquisando traduções das letras e tudo isto fez com que eu o admirasse ainda mais, e em Praga pretendo tocar uma música dele que se traduz em “His Majesty, The Executioner” e como podem imaginar, rapidamente fiz uma ponte entre essa letra e a situação que se vive com Trump hoje em dia. Mesmo sendo escrita nos anos 60, é uma letra actual e extremamente relevante.

L: Para terminar a nossa entrevista, achas que a música continua a funcionar como forma de protesto e revolução nos tempos que correm?

D: Bem, a música nos anos 60… talvez também nos anos 70, mas sobretudo nos anos 60 a música tinha uma grande influência nesse aspecto e foi extremamente relevante nesse contexto. A verdade é que isso nunca vai voltar a acontecer, há demasiadas distracções, há sempre muita coisa a acontecer. No entanto, quando as pessoas estão num concerto ou ouvem uma determinada música com que se conseguem identificar, isso pode dar-lhes esperança e alimentar-lhes o espírito. Portanto a música continua a ser relevante e estes concertos que tenho feito, sem uma banda atrás, têm-me permitido ver de que maneira a minha música continua a poder mudar a vida de uma pessoa. Talvez tenha deixado de ter uma mensagem universal como nos 60’s, mas passou a ter uma mensagem pessoal, bastante relevante e cheia de significado na mesma. Outra coisa importante que eu vejo acontecer hoje em dia é a regeneração da música ao vivo, as pessoas voltaram a mover-se e a sair para ouvirem a música ser tocada ao vivo e estar com os artistas, e eu acho que o mundo hoje em dia está tão louco que apenas a música pode ajudar a recuperar alguma da esperança.

Texto: Andreia Teixeira

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XXXAPADA NA TROMBA de regresso em 2018

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O mítico festival de grindcore e freak friendly XXXAPADA NA TROMBA está de regresso em 2018 à casa que o viu nascer – o RCA Club em Lisboa!

O evento, que terá lugar nos dias 19 e 20 de Janeiro e conta com as actuações de Katalepsy (Rússia), Extermination Dismemberment (Bielorussia), Gutalax (Républica Checa), Grog, Analepsy, Serrabulho, Korpse (Holanda), Omnipotent Hysteria (Reino Unido), Bleeding Display, Guineapig (Itália), Kaliyuga (França), HochiminH, Besta, Dead Meat, Embrace Your Punishment (França), The Voynich Code, Trepid Elucidation, Shoryuken, Burned Blood e Systemic Violence – convidados especiais para a after-party do festival.

Como foi habitual nas edições anteriores, irá haver também uma forte componente visual e figurantes, entre outras surpresas, fazendo disto um evento especial que transcende a parte musical em si. Os bilhetes para os dois dias do festival, que já se encontram disponíveis, podem ser adquiridos através do email: xxxapada.fest@gmail.com pelo valor de 30 euros! Poderão também efectuar a pré-reserva da tshirt, que tem o custo de 10 euros, que poderá ser paga e levantada à porta no dia do festival!

Contamos com todos vocês para fazer deste tão aguardado regresso uma festa completamente inesquecível.

Fonte: XXXapada na Tromba Press Release

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Dog’s Bollocks lança o EP “Single Malt Blues

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A dupla de Blues/Rock de Torres Novas Dog’s Bollocks lançou o EP “Single Malt Blues” já disponível no Spotify e encontra-se neste momento a promover o seu trabalho.

Fica acima uma pequena biografia da banda e a promessa de uma entrevista em breve.

Stay Tune.

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Riding Pânico, banda de culto da música alternativa portuguesa, dia 16 de Setembro no Sabotage

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Os Riding Pânico são já uma das bandas de culto da música alternativa portuguesa. Fábio Jevelim (PAUS), João Nogueira (Cruzes Credo), Makoto Yagyu (PAUS), Miguel Abelaira (Quelle Dead Gazelle), Shela e Zé Penacho (Marvel Lima) são os músicos que integram o projecto.

O sucessor de “Homem Elefante” foi gravado, misturado e masterizado no HAUS estúdio e constrói-se em torno de oito temas que segundo o comunicado «reafirmam o espaço de culto que os Riding Pânico assumiram no rock instrumental nacional».

Gravação, mistura e masterização ficaram nas mãos de Makoto Yagyu, Fabio Jevelim e Miguel Abelaira.

” Pensar que tudo começou numa incendiária tarde de 2004 é um exercício que tanto tem de nostálgico como de fútil. Se, por um lado, dá um certo gozo notar que foi daqui que brotaram dezenas de experiências no underground português, quer pela sua influência, quer pela sua própria mão, por outro os Riding Pânico não se detiveram nunca naquilo que já foi, e sim naquilo que pode ser no presente. Daí a distância que vai entre um disco e o outro, sendo Rabo de Cavalo “apenas” o terceiro da sua carreira. A música dos Riding Pânico, supergrupo no inverso (já que os seus membros se tornaram, grosso modo, “super” a partir de projectos posteriores) não se delimita pelo tempo, e sim pela ideia; não é arbitrária, volátil, e sim fusão da velocidade de uma faísca com a vontade eléctrica de se ser, para sempre, como naquela tarde em que um grupo de amigos procurou o que não encontrava em mais lado algum. Res ipsa loquitur: o grupo de amigos foi-se alterando ao longo do tempo, mas não a sua ideia. Em Rabo de Cavalo, os riffs correm como uma água-viva, a bateria perde-se e parte-se, o grooveainda pulsa, qual coração de criança, sob um caos improvisado. Tudo em nome de um espírito indecifrável, de um rock que, mais que ser pós- qualquer coisa, é única e exclusivamente Portugal, sobretudo da sua sombra, do que não está imediatamente ao alcance. Tudo porque o pânico não é controlável: cavalga-se.”

Para quem quiser comprovar Riding Pânico tocam já amanhã dia 16 de Setembro no Sabotage Club.

Mais informações AQUI
Fonte: Lets Start a Fire

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Grandfather’s House lançam segundo videoclip para assinalar edição de disco

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Foto créditos Tiago Cunha

Sorrow” é o segundo single do novo álbum de GrandFather’s House, “Diving”, que será editado a 15 de Setembro. Este segundo single, assim como o primeiro “You Got Nothing To Lose”, conta com videoclip produzido e realizado pelos leirienses CASOTA Collective, responsáveis por alguns dos melhores telediscos feitos em Portugal nos últimos tempos. Protagonizado por António Cova, este vídeo mostra o protagonista preso numa sala, como preso dentro de si, da sua própria cabeça – transportando qualquer um para essa loucura, que a própria letra do tema quer ilustrar.

Finalmente, Grandfather’s House irá mostrar todo o trabalho que foi desenvolvido ao longo de quase um ano e que contou com o apoio do espaço GNRation (Braga) na sua concretização. Nesta tour levam Nuno Gonçalves (teclas) que irá acompanhar a banda em todos os concertos ao vivo, assim como terão a honra e a oportunidade de partilhar o palco com Adolfo Luxúria Canibal que também participou no disco. Para este novo registo criaram uma imagem diferente ao vivo, Élio Mateus e João Novais são os responsáveis pelas projeções e visuais durante o concerto.

Grandfather’s House é uma banda de Braga que surge em 2012. Com Tiago Sampaio na guitarra, Rita Sampaio nos sintetizadores e voz e João Costeira na bateria, contam até hoje com mais de 250 concertos dados por todo o país e internacionalmente. Com o seu primeiro EP “Skeleton”, editado em 2014, percorrem Portugal na sua promoção. Em 2016, editam o longa-duração, “Slow Move”, sendo aclamados pelo público e pela crítica tendo, com este, lançado dois singles “Sweet Love Making” e “My Love”.

Actualmente, preparam o lançamento do seu terceiro disco – “Diving” -, resultado de uma residência artística no espaço gnration (Braga), contando com as participações de Adolfo Luxúria Canibal, Nuno Gonçalves e Mário Afonso, na voz, teclados e saxofone, respectivamente. Com um método de composição mais complexo, que contou com a participação de mais um elemento em todos os temas – o músico convidado, Nuno Gonçalves (teclas) – a banda, explora assim, uma sonoridade mais densa.

Fonte: Let’s Start a Fire

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Sons d’Cave abrem portas para My Trulies

As portas voltam a abrir, desta vez para os lados do Porto e trazem My Trulies fica aqui a apresentação a cargo da banda.

Esperamos que gostem e já sabem apoiem!

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Os My Trulies são uma banda independente de Rock Alternativo do Porto.
A sua formação atual, composta em 2016, tem como elementos, Evel Gomez (voz), King Pherno (guitarra), António Mogrobero (guitarra), Joe Desouza (baixo), Pico Moreira (bateria) e Jack Morgan (teclas).
Devido às diferentes influências musicais de cada um dos seus membros, que passam por The Stooges, Talking Heads, Nick Cave, Pixies e outros, os temas originais dos My Trulies traduzem-se numa junção de estilos que lhes permite ir do hard rock ao funk, ao pop, aos blues e ao psicadélico, sem estabelecer limites para a sua sonoridade.
Os seus concertos são marcados por uma grande energia contagiante, onde é difícil ficar parado perante a figura do vocalista Evel Gomez, que dá toda a sua alma em cada actuação.
A banda foi selecionada para os “Rituais emergentes” em 2013 no Porto, adquirindo o estatuto de banda “emergente” e já passou por vários palcos conhecidos, tais como o Hard Club, Maus Hábitos, Plano B, Tertúlia Castelense, etc…mais recentemente estiveram no Funchal, no evento “Fica na Cidade 2017” para o qual foram convidados.
Em 2012 lançaram o seu álbum de estreia “In the City” onde reuniram 6 temas dentro do seu rock mais vibrante.
Fizeram o circuito das FNAC’s um pouco por todo o País e o seu single “Dress up in black” passou em várias rádios nacionais.
 Agora em 2017 lançam o seu novo single/vídeo “Turn Around”, perspetivando mais um single/vídeo para este ano, assim como um álbum fresquíssimo a caminho.
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