Ataque nórdico no RCA

Mais uma noite de festa no RCA, desta feita para receber os The Haunted e companhia, a noite prometia ser dura e ainda bem que ia com isso na cabeça, já que me permitiu sair são e salvo da actuação dos nórdicos, senhores de mais uma noite memorável para os lados de Alvalade (elações clubísticas á parte).

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Coube aos Revolution Within a abertura das hostes, num RCA frio e vazio, atrevo-me a dizer que eramos mais no ”pit” que o público presente, mas nem isso arrefeceu a actuação da banda. Raça é um frontman de excelência e em cima do palco mostra bem o prazer que tem em fazer o que faz. Temas como “Silence”, “Until i see the devil dies” ou “Pure Hate” mostram que o valor da banda e o seu estatuto no panorama nacional. A banda sabia ao que ia e cumpriu muito bem o seu papel.

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Os senhores que se seguiram vieram de Espanha, mais propriamente de Bilbao e apanharam ainda uma sala vazia e um pouco, chamemos tímida, as tentativas de puxar pelo público teriam sido mais frutuosas fossem elas proferidas em castelhano, acabo por não saber se terá sido o inglês que foi mal percebido ou se o público se estava a guardar para o que vinha a caminho. The Descent lá foram presenteando o público com temas como “New Millenium Spawn”, “Dead City Gospel” ou “The Day After” mas a pouca interacção do público acabou por afectar um pouco a prestação da banda.

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A mais “calma” das 4 bandas da noite, foram os Norunda, a banda luso-espanhola apanhou uma sala mais composta com público a interagir, principalmente com Pedro Mendes (W.A.K.O.) e sobretudo com Ruben Cuerdo, que para além de grande sentido de humor é um exímio guitarrista (pelo menos eu gostei muito). No final ainda a tivemos direito a uma actuação do guitarrista no meio do público. Temas como “Pushing to the limit” e “Dynamite” fizeram a delicia de quem já se encontrava numa sala a ser preparada para a recepção dos Nórdicos.

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The Haunted entrou ao som de “Fill the Darkness with Black” e aí é caso para dizer que “all hell breaks loose”  (pelo menos para mim que estava na 1ª fila e tive de fugir), Foi um concerto muito intenso, quase sem paragens, com Ola Englund a demonstrar o seu virtuosismo com a guitarra ou não fosse ele, como nos confessou em privado, um fã incondicional do malogrado Dimebag Darrell! A banda atacou os ouvidos dos presentes sem piedade com temas como “The Flood”, “Spark”, “D.O.A.” ou ainda “Hate Song”. No final Marco Aro, que não parou um segundo ainda deu uma “volta olímpica” carregado pelos fãs nunca parando de cantar.

Não posso deixar de agradecer ao staff do RCA pela forma sempre simpática com que nos recebe e à Notredame Productions por mais uma noite, daquelas que nos dão memórias e sorrisos.

Galeria Completa: AQUI

Texto e fotografia: Jorge Pereira

 

 

 

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Nas raízes da brutalidade

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Passaram-se três anos desde a última visita dos Nile a território nacional, mas nem por isso faltava entusiasmo e expectativa para receber a tour de apresentação do seu mais recente “What Should Not Be Unearthed.” O regresso fez-se no passado dia 16 de Fevereiro pelas mãos da Notredame Productions, no RCA Club em Lisboa, com direito a passagem no Porto no dia anterior e um elenco de luxo, do qual fizeram parte os No More Fear, Exarsis e os míticos Terrorizer.

A abertura das hostilidades ficou a cargo dos italianos No More Fear e do seu death metal. À hora marcada, mesmo para quem ainda estava na fila para entrar, já se faziam ouvir os primeiros acordes da sonoridade mais melódica que iríamos ouvir durante as próximas horas. Com alguns banners em palco e uma atitude simpática, conseguiram captar a atenção dos presentes e embalar a sala ainda a meio gás.

Os Exarsis apresentavam-se pela segunda vez em Portugal, tendo esta sido a sua estreia pela capital. Os gregos viajaram então até cá, ainda com o seu mais recente trabalho “New War Order” entre mãos, lançado o ano passado. Já com oito anos de carreira, provaram ser um excelente aperitivo para os que seriam os dois pratos principais da noite. Trouxeram aquele thrash metal com um trago a speed, que chega de jeans justas, cinto de balas e cabelo desalinhado, e brindaram-nos com meia hora do seu registo rápido e caótico, por vezes a roçar o maníaco. Com um registo vocal algo inesperado para o estilo, mas que encaixa perfeitamente com a energia interminável de toda a banda, desde as cordas à bateria.

Um dos momentos mais aguardados da noite era, sem dúvida, a passagem dos Terrorizer por aquele palco. Sam Molina, Lee Harrinson e o indomável Pete “Commando” Sandoval, único membro original da banda, serviram-nos um verdadeiro festim de blast beats com direito a pauladas no lombo, literais e metafóricas. Os punhos em riste foram constantes, ou pelo menos visíveis, naqueles curtos momentos em que não eram arrastados pelo mosh. Uma lição de grind e death de um para um e, embora longo, atrevemo-nos a dizer que entre os presentes bem podíamos ficar ali mais duas horas, naquela intensa demonstração de tough love.

Sandoval mostrou que a idade é só um número e levou-nos numa verdadeira viagem, com potência no máximo e uma rapidez sobre-humana. Harrinson e Molina não falharam, e nem eles ficaram indiferentes à energia do público, constantemente em movimento no palco, a trocarem de microfones e a pedirem mais e mais de nós. Fizeram toda a sala mover-se com malhas do clássico “World Downfall” e deixaram ainda a promessa de um novo álbum para breve, com direito a apresentação do novo tema “Sharp Knife“, onde se demonstrou que não pretendem dar descanso à sua já típica assinatura castigadora. Depois disto foi preciso que nos encostássemos às cordas e começou a preparação, física e mental, para a brutalidade do technical death metal que chegaria pela mão dos Nile.

Depois de um curto intervalo, apagaram-se as luzes e a intro fez com que nos sentíssemos instantaneamente transportados para o antigo Egipto. Sendo já esta a terceira viagem dos Nile pela Europa com esta tour, o quarteto estadunidense regressava a Portugal sob a premissa de nos dar a conhecer o seu mais recente “What Should Not Be Unearthed.” Contudo, e para extremo deleite de todos os presentes, a setlist da noite revelou-se uma verdadeira viagem no tempo, com direito a inúmeros temas que todos souberam acompanhar. Com momentos de mosh escolhidos vivia-se uma atmosfera ligeiramente diferente, mas única, e foi novamente claro que o alinhamento daquela noite conseguira juntar públicos distintos. A banda revelou se bastante satisfeita com este regresso, sobretudo pelo terno reencontro com a sua fiel base de fãs nacionais. Perto de uma hora de concerto voltou a saber a pouco, mas acabámos por ser recompensados com temas dos seus três primeiros álbuns “Among the Catacombs of Nephren-Ka“, “Black Seeds of Vengeance” e “In Their Darkened Shrines“, de onde se destacaram “Kafir!“, “In the Name of Amun” e o próprio “Black Seeds of Vengeance“, que encerrou a noite da melhor maneira.

Mais ou menos aficionados, todos apreciámos esta viagem às raízes da brutalidade e acomodou-se o “bichinho” que nos deixa sempre a pedir por mais.

Texto: Andreia Teixeira

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“Rituals Amongst The Rotten Tour”, Lisboa RCA, 10.02.2018

Segunda noite das duas datas portuguesas da “Rituals Amongst The Rotten”, num RCA de lotação esgotada de antemão. Um cartaz que se relevou surpreendentemente eclético, pese as raízes Black Metal das bandas.

Já com o RCA quase cheio, os Franceses Svart Crown revelaram-se a proposta mais tradicional (leia-se “directa”) do espectro “Black/ Death Metal” da noite. Na estrada a promoverem o seu quarto longa duração (e o primeiro para a Century Media) “Abreaction”, o quarteto mostra que conseguiu sair um pouco da encruzilhada Vader/Behemoth que marcou os seus primeiros lançamentos e temas como “Lwas” (logo à abrir) e “Orgasmic Spiritual Ecstasy” revelam uma banda já dona de uma identidade própria que urge descobrir um pouco mais.

Svart Crown

Com uma costela mais “Gothic Black Metal”, os Carach Angren constituíam só por si nome interessante no cartaz e não desiludiram quem se deslocou à sala de Alvalade de propósito para os ver. Desde o “Corpse Paint”, ao teclado “mágico”, aos gestos e esgares do vocalista Seregor, o quarteto mostrou em quase igual doses teatralidade e capacidade de escreverem boas canções. Quando são bons (a popular “When Crows Tick on Windows” ou “Bloodstains on the Captain’s Log”), os Holandeses conseguem construir musicalmente um suporte sonoro e dramático, tela perfeita para uma forma de “story telling”, na tradição da “Rock Opera” (além do mítico King Diamong, o mestre Snowy Shaw nos seus NotreDamme vêm-nos à cabeça). Quando são menos bons (“In De Naam Van De Duivel”, ou “Bitte Totet Mich”) assemelham-se mais a um filme do Mestre David Lynch: um exercício estético belo, mas sem fio condutor.

Carach Angren

A gozarem um ponto alto da sua longa carreira, os gregos Rotting Christ ignoraram por completo o período 1996/ 2010 (de “Triarchy Of The Lost Lovers” a “Aealo”: nem um tema!!) e dividiram o seu setlist entre o presente e o passado mais longínquo. Escolha interessante e que resultou aparentemente bem, já que o quarteto logo de início mostrou que já é “grande demais” para o palco do RCA. O renovado interesse que o álbum “Rituals” (2016) tem causado em torno dos “manos” Tolis Têm permitido a muitos descobrir uma das bandas mais ecléticas que resta das promessas europeias da década de 90. E em palco, a banda cumpre com mestria, tanto na execução técnica, como na própria postura (onde nem a incitação a um “Wall of Death” fica descabida). Musicalmente, das hipnóticas “Devadevam” e “Apage Satana” ao colosso que é “Elthe Kyrie” ou às obrigatórias visitas ao passado (“The Sign of Evil Existance”a meio do set, “666” e “Non Serviam” no encore), os gregos têm discografia suficiente (mesmo ignorando sete álbuns!) para manterem sempre os níveis de atenção altos. Espaço ainda para a homenagem às suas raízes, relembrando um outro Black Metal europeu (a cover de Thou Art Lord “Societas Satanas”).

Rotting Christ

O nosso especial agradecimento ao “staff” do RCA e à promotora  “Ritos Nocturnos” , que faz desta forma a sua entrada na “major league” com o pé direito.

Galeria Completa: AQUI

Texto e fotografia: Sethlam Waltheer

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Camarro Fest – Um terceiro ataque à cidade do heavy metal

Mais um fim de semana e partíamos a terceira edição de um festival que já conquistou o seu espaço no coração do público nacional. Dois dias que conduzem todos os espíritos perdidos a conjurar na margem sul, mais propriamente no Barreiro. No passado dia 2 e 3 de Fevereiro estivemos na Sociedade de Instrução e Recreio Barreirense “Os Penicheiros” e voltámos com muitas histórias para contar.

Dia 1

Acabados de chegar, damos de caras com os My Enchantment já em palco. O death metal melódico e uma imagem forte foram devidamente acompanhados por máscaras, capas e uma atmosfera sombria, pejada de teatralidade, e rapidamente se revelaram o aquecimento perfeito para uma noite que ainda muito prometia.

O death metal daria rapidamente lugar ao black metal atmosférico dos já nossos conhecidos Gaerea. As referências folk e a ligação obscura que mantêm com os elementos naturais continuam a ser alguns dos seus pontos fortes. As máscaras e a tinta que usam para cobrir parte do corpo são elementos fundamentais para que se gere uma atmosfera desesperante, a par dos registos vocal e instrumental sufocantes.

Attick Demons

Depois de uma atribulada viagem, foi hora de regressar exactamente onde estávamos, na companhia de outras tantas sonoridades metálicas mais clássicas. Os Speedemon oscilam entre o speed, power e thrash como tão poucos são capazes e foi com alguns temas do EP lançado em 2015 que voltámos a sentir os pés na terra. Fizeram-se sentir as primeiras intenções de movimento, embora tímidas e a partir daqui e se sentiram as primeiras manifestações de movimento.

Se há nomes que dispensam apresentações no panorama nacional, um desses nomes é Analepsy. A banda tem vindo a tornar-se uma presença constante nos palcos nacionais, e nos palcos de inúmeros festivais de grind e brutal death metal internacionais, sempre pelos melhores motivos. Para além desta bagagem invejável, continuam a deixar marca por onde passam, nos estreantes e nos restantes. Uma bateria que nos acerta constante e cirurgicamente nas têmporas, um trio de cordas que torna o headbanging um mal menor e uma voz castigadora fizeram parte do menu do dia, e nós agradecemos.

Gaerea

Foi dentro de uma escuridão tão somente iluminada por velas que vemos os The Ominous Circle subirem a palco, seres sem cara que chegam de norte para nos entregar uma sonoridade que paira entre o death e black metal, e que tanto tem dado que falar, até além-fronteiras. Trazem consigo o frio e a agressividade de uma atmosfera cortante, que em muito contribui para que o seu “Appaling Ascension” figure em numerosas listas dos melhores álbuns de 2017. Ainda assim, é indispensável assistir ao ritual com os nossos próprios olhos, onde figuras perdidas libertam chamas a par e passo de riffs cuidadosamente desenhados entre a técnica e a melodia.

Quando o corpo se preparava para o descanso, o Barreiro relembrou-nos de que esta noite ainda não tinha sido dada como terminada. Se algumas bandas não fazem por merecer palavras, outras simplesmente não precisam delas. Estes híbridos Scum Liquor, metade rock, metade punk, não se comprometem e, talvez por isso mesmo, nunca desiludem. Rápido e cru, como se quer, o quarteto comandado por Neverendoom continua a deixar um rasto de destruição, e desde que a missa saia bem regada, pouco ou nada é preciso acrescentar.

Dia 2

No segundo dia chegámos ao Barreiro com alma renovada e confessamos que uma das melhores coisas que aquele espaço oferece é, sem dúvida, o bar exterior ao recinto onde acontecem os concertos. A sociedade está mais do que preparada para receber todos os que se juntam para comer, beber ou simplesmente conversar e mais uma vez se percebe o porquê de se organizarem eventos como este. Sob o risco de soar cliché, sentimos-nos em casa na “cidade do heavy metal”, segundo palavras de uma das bandas presentes.

Sacred Sin

A primeira banda a subir a palco foram os New Mecanica, que depois do lançamento de um single com direito a vídeo no final do ano passado, se atiraram aos lobos e mostraram a todos os presentes aquilo que podemos esperar do seu álbum de estreia, “Vehement”, a sair ainda este ano. Groove e atitude positiva marcaram a actuação da banda e deixaram-nos (ainda mais) na expectativa para aquele segundo dia de festival.

Os Attick Demons já quase dispensam apresentações e foi com o seu heavy metal clássico que embalaram todos os presentes, onde não faltaram temas do seu mais recente trabalho “Let’s Raise Hell”. Para além de ser impossível não acompanhar aquele ritmo contagiante com algum headbanging, acabamos também a ceder à energia interminável do vocalista e acompanhar refrões, riffs de guitarra e uma ou outra pose mais épica.

O hardcore estava em minoria no cartaz, mas nem por isso se deixou abalar. Os For The Glory estrearam-se no Barreiro e foi claro que muitos se deslocaram até ali apenas para os ver tocar. Apesar de intercaladas com alguns imprevistos na bateria, a atitude DIY e boa energia não faltaram. Mesmo sem ser um dos pontos altos do festival, as movimentações do público fizeram-se sentir e surgia assim o primeiro mosh pit da noite. Do início ao fim não faltou vontade de puxar pelos presentes, sinceros agradecimentos e, claro, a lembrança de que o nosso underground pouco deve a rótulos e o apoio pode e deve partir de todos.

The Ominous Circle

Numa fase em que passam grande parte do seu tempo na estrada, encontramos os Sacred Sin, que também têm sido presença assídua nos nossos festivais de Inverno. Depois de algum tempo afastados dos palcos, contam agora com o seu “Grotesque Destructo Art”, lançado em 2017, e um novo guitarrista, para continuarem a castigar o público com o seu death metal oldschool, onde nunca deixam faltar os clássicos de uma banda com mais de 25 anos de carreira.

Os Filii Nigrantium Infernalium são daquelas bandas incontornáveis no que à história do necro rock’n’roll e black metal nacional diz respeito. Outra banda que não deixa espaço para dizer que já cansa ver outra vez, anunciou um regresso em força (e novos temas) após um longo período de espera, e demonstra continuar naquele que podemos considerar o seu ponto alto no que a actuações ao vivo diz respeito. Com um frontman simplesmente inspirador, falou-se da besta, dos salmos, de “Necropachacha” e até daquelas decisões mais corriqueiras do dia-a-dia. Um público dedicado e sedento marcou a diferença, tendo contribuído para um dos momentos altos do festival.

Systemik ViØlence ou G.I.S.M. dos pobres, pelas palavras de Iggy Musäshi. Instável, inconformado e perigoso. Caos e desordem generalizada provam que este conjunto de foras da lei estão determinados a virar qualquer um do avesso. Literal e metaforicamente, a mim, a ti e à tua avó. Sim, isso, afinal sob o mote “Punk é protesto” ainda cabemos todos. O objectivo continua a ser despertar reacções nos dormentes, que, a avaliar pelo status quo, somos todos. Num after party onde poucos pareceram muitos, não ficou pedra sobre pedra, e em tom de despedida libertou-se um tímido inconformismo, com direito a húmidos afagos (de escarros) e balaclavas perdidas.

Filii Nigrantium Infernalium

Mais um fim de semana entre amigos, onde não faltaram boas bandas, comida, bebida e as tais histórias para contar. Ficamos em stand by, à espera de um quarto ataque à cidade do Barreiro.

Galeria Completa AQUI

Texto de Andreia Teixeira
Fotografias de Andreia Vidal

 

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XXXapada na Tromba 2019

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Após uma edição de grande sucesso do festival, está na hora de vos revelar os novos nomes para a edição de 2019. A organização do XXXapada Na Tromba tem o prazer de vos anunciar que as bandas Meat Spreder, Grog, Serrabulho, Crepitation, Dehydrated, Hymenectomy, Rato Raro, Anihilation e Pornthegore se vão juntar ao cartaz. Este, que já conta com a presença de Gut, Prostitute Disfigurment, Brodequin, Cripple Bastards, Devangelic, Inhume, Tu Carne, Epicardiectomy, Fleshless, Analepsy, UxDxS, Satan’s Revenge on Mankind, Undersave e Monigo, promete dar o mote para uma edição que decerto irá superar por completo todas as expectativas!

Já começaram também a aceitar pré-reservas dos bilhetes para a próxima edição, sendo que os primeiro 100 estarão disponíveis num pack promocional de bilhete + tshirt por apenas  40 euros! Relembramos, no entanto, que o pagamento desta reserva será feito futuramente, numa data a revelar em breve pela organização. Para mais informações relativamente aos bilhetes enviem um email para:xxxapada.fest@gmail.com

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Novidades de EnChanTya

28053837_10213596794061545_1644465184_nApós o lançamento de seu álbum de estreia pela Massacre Records, chamado “Dark Rising“, os Enchantya anunciam que a banda começou a gravar seu próximo álbum no dia 10 de Fevereiro, nos Pentagon Audio Manufactures Studios, com o incrível Fernando Matias (SINISTRO) no controle.

O novo álbum intitulado “On Light And Wrath” possui 11 faixas.

 

EnChanTya convidou Ricardo Oliveira (My Enchantment, Attick Demons) para gravar a bateria.

Mais notícias estarão disponíveis em breve.

Fonte: Enchantya

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LVHC a coesão no Underground Português

Mais um fim de semana, mais uma voltinha. 2018 chegou determinado a não nos dar descanso e ainda só estamos em inícios de Fevereiro. Desta vez a “carrinha de reportagem” da Loudness parou pelos lados de Linda-a-Velha, para acompanhar o festival organizado por um dos núcleos mais antigos e coesos do nosso underground musical.

O Linda-a-Velha Hardcore Fest apresentava novo cartaz recheado para os dias 26 e 27 de Janeiro, a acontecer na Academia Recreativa de Linda-a-Velha, e se há coisa de que esta organização se pode gabar é de conseguir apresentar de ano para ano alinhamentos que agradam a gregos e a troianos.

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Dia 1

Escusado será dizer que o factor referido em muito contribui para o ambiente que ali se vive, e a primeira banda a actuar no festival foram os lisboetas Roädscüm, a abrir hostilidades com um feeling oldschool e atitude inconsequente de cigarro nos beiços, onde três vozes e guitarras afinadas fizeram os poucos parecerem muitos, ao acompanhar as partes mais catchy de temas como “Primal Call” e “Streets Of Decay.” Antes que pudéssemos entregar as nossas orelhinhas a satanás, pudemos presenciar um tributo a Lemmy e a uma incursão de guitarra no meio do público.

A segunda actuação do dia ficava a cargo dos Scum Liquor que trazem da Amadora o seu apetite por destruição e uma insaciável sede. Tem percorrido os palcos de norte a sul com a sua No Rehab Tour e a Academia de Linda-a-Velha não foi excepção. Encontraram um público a meio gás, mas a verdade é que algumas bandas têm a capacidade de fazer qualquer sala parecer cheia, e foi este o caso. Quem está, está, quem não está, estivesse.

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Em representação de sonoridades nortenhas, foi altura de vermos os Booby Trap em palco e presenciar a estreia da banda naquele festival. Donos de uma energia e groove contagiantes, responsabilizaram-se por fazer mover os presentes e com a abertura de um mosh ainda tímido, apareceram também os primeiros destemidos no crowdsurfing. Foram curtas baladas dedicadas a amigos e restantes presentes, entre as quais se ouviu o tema “Nightmare” e uma cover de “Ace Of Spades.”

Os Theriomorphic apresentaram-se com a sua já conhecida formação e foram uns dos porta-estandartes do death metal oldschool no evento. Foi entre o equilíbrio minucioso entre a agressividade e a melodia que encontrámos o registo vocal dinâmico de Jó e João Duarte, combinado com alguns riffs de guitarras mais orelhudos. Numa performance coesa, revisitámos os clássicos e pudemos ainda ouvir um dos temas que virá a integrar o novo álbum da banda, com o título “Fire”, tocado pela segunda vez ao vivo.

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Num dia carregado de sonoridades mais pesadas, foi sem dúvida refrescante cruzar sentidos com os Backflip, que nos relembraram que os alicerces daquele evento ainda assentam no hardcore. No primeiro concerto do ano dado pela banda, aproveitou-se para disseminar a mensagem de que a união faz a força e que tanto as bandas como o público só têm a ganhar com a organização de eventos onde é possível ocorrer uma fusão de estilos e família. Com uma actuação forte não deixaram ninguém indiferente e prometem novidades para este novo ano.

De uma lista de bandas que se têm mantido bastante activas fazem parte os Sacred Sin, que mesmo contando com mais de vinte anos de carreira, demonstram bem que é possível uma constante reinvenção sem perda de identidade. Para além de nos apresentarem temas do seu mais recente trabalho “Grotesque Destructo Art”, continuamos a poder contar com alguns clássicos, bem como algumas surpresas, como foi o caso da apresentação de um novo membro e guitarrista.

Os Dr. Bifes e os Psicopratas fecharam o dia com um espírito mais descontraído e uma atitude irreverente, tão bem acompanhada pelos seus trajes e caracterizações. A primeira dica foi para que nos chegássemos à frente para que se perdesse a ideia de que estávamos num baptizado, e a partir daí perdemos-nos entre piadas, balões e algum stagedive.

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O segundo dia avizinhava-se ligeiramente mais caótico, uma vez que olhando para o cartaz se podia reconhecer um certo regresso a casa, com bandas conhecidas e um tom definitivamente mais hardcore.

Com Somber Rites pudemos contar com algumas caras que não nos são de todo estranhas no meio, embora ocupem normalmente posições ligeiramente diferentes, como é o caso do vocalista. Os cinco membros deste recente projecto, já com bastante potencial, aproveitaram para nos dar a conhecer alguns temas e deixar a mensagem de que ainda têm muitas cartadas na manga para este percurso que agora começa.

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Do Algarve a Lisboa vieram os também já nossos conhecidos Patrulha do Purgatório e o seu repertório continua a fazer os presentes acompanhar letras de que se continuarão a lembrar uma semana depois. O movimento na sala continuou ao som de temas como “Enterrado na Loucura”, “Na Minha Terra” e “Lisboa a Arder”, sobrou espaço para um pequeno tributo a Mata-Ratos e a participação de uma voz convidada.

A terceira banda do dia foram os Doink, também eles vindos de norte e com vontade de encher os ouvidos presentes de música pirata. Apresentaram a sua sonoridade num registo diferente, com uma atitude, letras e sobretudo voz sendo rapidamente associadas à vida nos subúrbios. Sem desistir de um público que por vezes se demonstrou público, lá conseguiram pôr os presentes a acompanhar um ou outro tema.

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Entre pausas para convívio, acompanhado de comida e bebida, no piso de baixo da Academia de Linda-a-Velha, chegava a hora de assistirmos ao regresso dos Last Hope. Longe dos palcos durante dois anos, a banda apresentou-se com garra, num regresso em forma mesmo com o vocalista com um braço ao peito. Rapidamente se demonstrou que se sentiam em família, tanto pelas dedicatórias de alguns membros como pelo número de pessoas que acompanhavam as suas letras, deixando também a mensagem de que em breve teriam novidades para os fãs.

Os Alien Squad são uma banda de Leiria e contam já com mais de 25 anos de carreira. Pegaram em temas dos seus três álbuns lançados e marcaram a diferença naquele dia com uma sonoridade mais thrashy. O público continuou a responder bem e as movimentações na sala, embora tímidas, lá continuaram.

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Caso ainda não tivesse ficado claro, é com estes eventos que se prova que o que não falta em território nacional são excelentes bandas e que é o espírito de entreajuda entre as pessoas do meio, artistas e público, que se mantém a cena viva. Nada melhor do que guardar para o fim a actuação de Grankapo para nos recordar isso mesmo. Já bem conhecidos pela comunidade hardcore, não só se fazem acompanhar por uma forte base de fãs, como não deixam esmorecer a vontade e atitude necessárias para recrutar mais alguns. A música é dura, mas feita para a “família” e foi sobretudo nestas actuações mais tardias que ainda se revelou o fôlego dos presentes.

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Como não podia deixar de ser, o encerramento deste LVHC voltou a estar a cargo dos Trinta & Um, banda que se dedica à organização deste evento ano após ano. Foi claro que a banda continua a ser a mobilizadora de muita gente que ali se desloca e no caos, que durou do início ao fim, perdeu-se a timidez do público e o stagedive não arredou pé. Foi então esta a nossa oportunidade de participar nas celebrações dos 20 anos de “O Cavalo Mata”, com muito discurso por parte de Zé Goblin, onde continua a ser clara a mensagem de protesto e ao mesmo tempo de união. Entre sinceros agradecimentos a todos os presentes e membros da banda quase se verteu uma lágrima, e foi impossível ficar indiferente ao espírito que ali se vive. Determinados a não deixar de pé o que quer que fosse que tivesse sobrado da festa, entregaram-nos mais uma hora de punk hardcore português à séria e a promessa de um LVHC 2019. Saímos de alma renovada.

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Texto de Andreia Teixeira
Fotografias de Andreia Vidal

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