Grind In The Cave

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Adivinhava-se uma sexta-feira de festa a sério pela noite dentro, com lotação limitada para tentar conter a decadência saudável que iria descer à cave do Stairway Club para uma noite de grindcore.

No entanto, o sítio ainda estava a meio gás, com a crowd ainda demasiado agarrada ao bar, quando os chilenos Blaxem entraram com um thrash rápido e heavy, que nada faria adivinhar o resto da noite. Cheio de influências misturadas, a voz num gutural arranhado e os músicos super compenetrados faziam as músicas resultar em passagens de thrash para heavy para death para solos e quebras bem conseguidas no meio. Para uma banda jovem, certamente rejuvenesceram a esperança de uma nova geração de músicos que consegue apanhar tanto do bom que já se fez e inventar o seu próprio som, homenageando clássicos mas criando algo original. Mas as pessoas continuavam com medo de se aproximarem da pista e, apesar dos aplausos efusivos, pouca gente entrou na dinâmica, sem serem membros das bandas francesas (a quem Blaxem agradeceram pela amizade), que se divertiam em frente ao palco a fazer flexões e movimentos aeróbicos. A surpresa terá sido o baterista que demonstrou um grande poder e ritmo. Saíram rapidamente assim que terminaram, de cara de poucos amigos, deixando a sensação que estavam à espera de uma recepção mais séria ou mais efusiva.

Ass Deep Tongued (AxDxT) entraram a seguir e sentiu-se quão deslocados estavam os Blaxem, por comparação. Subiram ao palco vestidos normalmente, de preto, com máscaras BDSM negras e interpretaram uma coreografia saída de uma banda Kpop ou algo parecido, com música extremamente pop e auto-tune, ainda por cima em francês. Com bracinhos no ar e demonstrações de amor entre os membros, vêm ao público interagir como em pleno concerto Bieberesco, tirando selfies e batendo nas mãos do pessoal que se dividia entre gargalhadas, olhares confusos e ódio pelo mundo. Voltaram então ao palco, corta a música demoníaca, e começaram a distribuir a brutalidade da banda de apenas 3 membros. O pornogrind destes meninos traduzia-se em pequenas introduções pop homoeróticas, com direito a representações de discussões e abraços sentidos, seguidas de música pesada algo descoordenada e muito crua, num contraste interessante e divertido, mas que não passou disso e que só resultava bem regado a álcool. Ainda houve direito a gente demasiado excitada que teve de ser separada, talvez numa demonstração mal pensada de erotismo homossexual que é, como quem diz, mosh mal feito.

Os franceses Burp apareceram com o vocalista vestido de Popota, com um gorro de cabeça de hipopótamo e um tutu cor-de-rosa, enquanto os outros membros tinham chapéus ou tranças também muito bem escolhidos. A música de fundo que entrou foi um daqueles hits pop que passam na rádio e o público preparava-se já para mais um momento à AxDxT, com interlúdios de humilhação alheia, quando rapidamente desenganaram quem já esperava algo do mesmo género. Esta banda sabia tocar, músicas curtas brutais que finalmente puseram o público a mexer, com meninas aos gritos, semi mosh dançante e muito headbang. Lá se arrastaram os colados ao bar, motivados por um grind mais puro e pesado da banda mais recente do cartaz. Sem dúvida menos preocupados com a apresentação do que com o que transmitiam, não houve mais momentos pop e o vocalista deixou de lado a Popota para poder entregar-se à vontade à música, algo que não passou despercebido entre os presentes, que acompanharam a banda num momento finalmente muito mais grind.

Serrabulho eram claramente a banda mais esperada, com a maioria das pessoas que ainda fumavam à entrada do Stairway a entrar para os ver. Como explicar sem ser que conseguem ir buscar as coisas mais parvas e fazê-lo funcionar? Entre pedaços de Star Whores e Sweet grind of mine com blastbeats, passando por Lady Gaga, ainda acompanhados pelo cavaquinho obrigatório, nada falha ali. São bons músicos que sabem, de facto, parvejar com a música sem que esta perca brutalidade ou coerência. Mais uma vez conseguiram uma grande interacção com o público, que acompanhava a banda num misto de abanar de cabeça, danças folclóricas e berros e tudo o que apetecesse fazer. O chão já fazia aquaplanagem de cerveja e com isto uma fã foi ao chão e abriu a testa. Improvisou-se uns primeiros socorros no WC feminino enquanto a banda continuava, mas foi mesmo preciso chamar uma ambulância que prestou os cuidados necessários. Um concerto digno, portanto, que acabou com o vocalista a chamar as pessoas ao palco para lhes poder dar com uma almofada em cima, espalhando no chão o algodão que pelo menos serviu para ensopar um bocado o líquido.

Aparentemente esperar pelas últimas bandas já não é algo que se faça, e infelizmente Excrementory Grindfuckers subiram ao palco com menos gente que Serrabulho. No entanto, os poucos que ficaram fizeram a festa e a pista era já uma confusão de gente bêbeda sem dignidade – como se quer, obviamente. Esta foi a banda mais antiga do cartaz e cumpriram o que prometeram: não fazer esforço nenhum. Sempre a falar alemão entre as músicas, o que fez algumas pessoas reclamarem, sem qualquer adereço ou atenção ao que faziam, mostraram apenas uma atitude de não quererem realmente saber ou ir de encontro às expectativas de ninguém. A música no entanto não falhou e no final ainda se despediram apropriadamente com um Final Grindown.

O que ficou a faltar foi sem dúvida mais público e um pouco mais de interacção. Falou-se de pouca divulgação deste evento que, no fundo, foi uma réplica mais a Sul do Warm-up Xxxicken Party, e uma boa oportunidade para quem não se pode deslocar tanto a Norte. No entanto, a festa fez-se na mesma, sempre bem regada e bem dançada por quem fez questão de aparecer e participar.

Texto : Inês Torga

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Steel Messiah – Of Laser And Lightning [Review]

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Os Steel Messiah foram fundados em 2013 por Kai Wagner, Marius Rontgen, Daniel Ibach e Julian Scheffold.

No entanto, um ano depois Julian deixou a banda para ser substituído por Marcus Glaser que originalmente tocava em outra banda, os Laser, ao lado de Marius. Começaram então a compor o sue primeiro EP, intitulado ‘Of Laser and Lightning’, que demonstra uma boa dose de Heavy Metal Old School.

Associamos  imediatamente as influência como Iron Maiden, Judas Priest, Kiss etc..

Um excelente trabalho de bateria por parte de Marcus Glaser, onde debita as batidas sempre aceleradas pelo excelente trabalho de pedal duplo, enquanto Marius (vocal e baixo) desencadeia um baixo de encher o ouvido e a sua voz vai encantar ou alienar, dependendo da sua visão vocal focada em cada tema, coadjuvados pelos excelentes riffs de guitarra tocados com grande qualidade, levando a um caminho destruidor por todas as faixas.

É evidente que Steel Messiah é única e exclusivamente heavy metal puro e duro, onde reina o entusiasmo que se torna  contagiante em cada tema.

As músicas são todas elas bem tocadas, embora deixem transparecer uma sensação de que as composições poderiam ser mais bem estruturadas.
O primeiro EP de Steel Messiah, ‘Of laser and Lightening’, tem muito potencial.

A banda tem claramente uma habilidade musical impressionante e ouvido para escrever boa música, se bem que o impacto deve-se á boa produção, criando um todo coeso e poderoso.

Podia se dizer que é um som soa a uma produção do final dos anos 70, mas isso faz parte da identidade que a banda quer associada ao seu estilo. No entanto, este é um começo impressionante para esta banda e será interessante ver como vão progredir quando lançarem um LP.

Enquanto isso podem se deliciar com este heavy metal  da velha escola, Steel Messiah certamente vai deliciar os fãs deste estilo.

Obrigado à Metal Message PR

Texto: Luis Almeida

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Casablanca, o regresso aos palcos no RCA Club

Dia 18 de Fevereiro, o RCA abriu as portas para um momento especial: o regresso dos míticos Casablanca, e que marca o fim de uma ausência de 12 anos dos palcos. Contudo, não vieram sozinhos. O headbang começou oficialmente com os Speedemon que fizeram jus ao nome e provaram ser uma máquina brutal, com riffs de speed e trash bem tensos (como se viu na Road to Madness) capazes de espantarem uma manada de elefantes. Mas, se os elefantes fugiriam, os metaleiros ficaram, com o número de espectadores a aumentar progressivamente.

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Vindos de Loures, seguiram-se os Shivan: um heavy metal bem comportado e eficaz que fez avançar bem a noite. A parelha de guitarristas, Pedro Miguel e Pedro Pereira, lançou-nos uma mão cheia de solos rápidos como flechas.

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Os Attick Demons apresentaram-se para a volta seguinte e que dizer? Tocando na íntegra o E.P. homónimo de 2000, provaram ser grandes músicos com canções capazes de vertiginosa intensidade (Visions) e melodia (Desert Rose). Faltou algo na sua prestação? Sim, mais metros de palco – a energia de Artur Almeida (vocal) parecia inesgotável, correndo dum lado para o outro, divertindo-se e sabendo divertir. São uma verdadeira banda de arena – e merecem estar numa.

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Chegou finalmente o momento alto: o regresso dos Casablanca. Criados em 1988, mostram que os grandes não envelhecem: apenas se tornam melhores. O tempo não passou pelos irmãos Figueira : músicos de alto nível, com muito ainda para dar. Face the Loss in Hell, Parts of a Whole e outros clássicos foram temas obrigatórios entre outros que se seguiram. Foi um concerto a “rasgar”, com alguma comoção, com muitas canções cantadas a meias com o público, terminando com uma cover de Black Sabbath (Paranoid) e com o desejo, entre muitos dos presentes, de que este regresso não seja apenas temporário.

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E o RCA, com esta noite, mostrou mais uma vez porque continua a ser um dos paraísos do metal nacional.

Muito obrigado à Notredame Productions por este incrivel evento.

Foto galeria completa AQUI

Fotos e texto: Jorge Pereira

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Scarecrow – Exterminators of the Year 4000 [Review]

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Scarecrow, o quinteto da Finlândia formado em 1999, revela-nos o seu 4º álbum “Exterminators of the Year 4000”.

Com uma sonoridade algo semelhante a Misfits, este é um álbum de horror punk com tanto de feliz como obscuro. De música cativante ainda que pouco apelativa ao mosh pit, mas de uma produção limpa e de excelente qualidade.

Uma reminiscência do thrash metal com vocais sarnentos, cheio de músculo e melodia. Scarecrow produziram uma união única de hardcore, punk, metal e sludge.

Ao dissecar os nomes das músicas estas dão-nos uma ante-visão do que espera ao ouvinte. As influências metal causam um impacto positivo; como em “Macabre Night” ou “Waiting For The End” com trovoadas de contrabaixo e riffs retalhados. Sentem-se nas transições influências exuberantes de hardcore.

Scream Queen Death Hop” ou “Horror Of The Beach Party” mostram-nos o lado catchy e humorístico da banda, com coros que conferem uma energia extra ás músicas.

Um must have para amantes do género!

Texto: Andreia Vidal

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Sons D’Cave abrem portas para – Wildchair

Hoje abrimos portas para a linha de Sintra, os Wildchair são os senhores que entram na nossa cave e dão-se a conhecer pela própria mão como é hábito.

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Os Wildchair são uma banda lisboeta de rock, mais propriamente da linha de Sintra, formada em 2012 e composta por 4 elementos que tem influências do rock dos anos 90 e uma voz que nos faz viajar por Seattle.

No ano em que arrancaram e até início de 2013, os Wildchair rapidamente começaram percorrer o país com atuações em bares, concertos em Festivais, participações em concursos, nos quais raramente não ficaram no pódio, ganharam prémios como a solicitação para participar no festival da juventude em Cascais etc.

Lançam agora o Single Run (vs. handpuppets) masterizado por Samuel Rebelo e com o vídeo promocional feito pelos próprios.

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Evora Metal Fest 2017

O festival alentejano volta a marcar presença na agenda de eventos de música pesada nacional nos dias 3 e 4 de Março, inserido-se assim uma vez mais na agenda cultural da Câmara Municipal de Évora e completando o cartaz das comemorações do Mês da Juventude desta cidade.

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Este ano marca uma nova posição naquela que será a sua sexta edição, havendo uma aposta na internacionalização do mesmo.

O cartaz é forte, sustentado pela qualidade de quem o compõe. Exemplos disso são os casos da icónica e lendária banda portuguesa Filii Nigrantium Infernalium, a força emergente vinda de Espanha, Crisix, os guerreiros teutónicos Contradiction, a parede de som Process of Guilt ou os os embaixadores do Death Metal nacional fora de portas – Holocausto Canibal. É este grupo que encabeça o festival no entanto têm o forte contributo de grandes valores emergentes da música nacional e não só, como são os casos dos thrashers Prayers of Sanity (Lagos, PT), de Awaiting the Vultures (Évora, PT), Wells Valley (Lisboa, PT), Ghold (Londres, UK), My Master the Sun (Lisboa, PT) ou ThrashWall (Évora, PT).

Contribuindo para a oferta de uma experiência inesquecível, a organização encarregou-se de melhorar as condições para o público, artistas e restantes agentes presentes, seja ao nível da oferta de bancas de restauração, de comodidade no campismo ou recinto do festival assim como de maior abrangência de actividades durante estes dois dias.

Os valores de entrada são:

  • Bilhete dois dias – Pré-Venda (até 23h59 de 28 de Fevereiro) – 15€;
  • Bilhete dois dias – Porta – 17€;
  • Bilhete um dia – 10€.

Para quem quiser, poderá aproveitar as excursões a saírem de Lisboa e Porto, de um e dois dias, pela mão da Alive Tours – https://www.facebook.com/alivetours.pt

Para o segundo dia de festival irá haver a projecção de um documentário pertencente ao trabalho “A Um Passo da Loucura – Punk em Portugal 78-88” da autoria de Hugo Conim e Miguel Newton. Esta actividade será aberta a todos os interessados, sejam possuidores ou não de pulseira de festival.

Em ambos os dias haverá uma exposição do artista natural de Évora, Pedro de La Vega – https://www.facebook.com/pedrohenriquesartwork

O campismo é gratuito assim como o usufruto das Piscinas Interiores – mediante utilização do equipamento obrigatório e limitado a número de utilizadores em simultâneo.

Mas não pensem que a festa termina quando soam os últimos acordes em ambos os dias
pois numa parceria conjunta com a Praxis Club
(Rua de Valdevinos, Évora) irá ter lugar em ambas as madrugadas uma after party na segunda pista desta discoteca. Todos aqueles que detenham pulseira do festival (diária ou dois dias) poderão entrar a preço especial nestas duas noites).

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Primal Attack e o seu “Heartless Oppressor” no RCA Club

Foi no passado dia 10 de Fevereiro no RCA Club que os Primal Attack fizeram a apresentação do mais recente trabalho discográfico, “Heartless Opressor“, com casa cheia e um concerto memorável.

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O novo álbum era oferecido aos membros do público quando adquiriam a entrada para a apresentação.

“Fechámos o ciclo do disco, agora é pôr na estrada e no palco para vocês”

referiu o vocalista Bruno Chaínho entre temas. Os Primal Attack dominaram a noite e levaram o público ao rubro, não fosse este um dia de celebração para eles!

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A abertura deste espectáculo ficou a cargo dos Analepsy e dos Revolution Within.

Os Analepsy mostraram o seu Brutal Death Metal repleto de guturais e riffs de peso aos fãs mais acérrimos que chegaram bem cedo e agitaram o (ainda pouco) público que já estava no RCA Club. O último tema da banda, formada em 2013, contou com a participação do vocalista dos Bleeding Display, Sérgio Afonso, num momento em que se notava uma sala mais composta.

De Santa Maria da Feira surgem os Revolution Within. A banda Thrash Metal provocou a excitação no público, que cada vez mais acompanhava os temas fosse cantando ou dando vida ao pitt. O ponto alto deste concerto surgiu quando, em tom de dueto, Hugo Andrade, vocalista dos Switchtense, se juntou a Raça para partilhar o palco.

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O espectáculo terminou em grande com a banda da noite, Primal Attack, e a festa da apresentação de “Heartless Opressor” vai continuar dia 17 na Cave 45 no Porto.

Loudness agradece à Rastilho Records a oportunidade de participar neste lançamento e também trouxemos um exemplar de “Heartless Opressor” para casa!

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Galeria completa AQUI

Texto: Rita Carmello
Fotos: Jorge Pereira

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