Club Souto junta folk às noites de rock

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Pela primeira vez no Club Souto, o rock vai ter a companhia da música folk. Os franceses TURFU juntam-se a FUGLY e Decibélicas a 16 de Fevereiro, no Círculo Católico de Operários de Barcelos (CCOB). O Club Souto é uma iniciativa do festival Souto Rock e a entrada tem o custo de cinco euros.

Os TURFU são um duo composto por bateria e acordeão. Inspirando-se no techno, na música repetitiva, tradicional e de dança, assim como de matéria brilhante e mágica, constroem juntos um reportório de festa, de amor e de amor pela festa. É a terceira aparição da banda francesa em Portugal, depois de ter actuado no festival Andanças (2017) e Byonritmos (2018). No dia anterior ao concerto de Barcelos, lançam o álbum de estreia e prometem ser uma das maior promessas da música de festa do ano.

O habitual rock está a cargo dos FUGLY. Três anos depois do primeiro EP, após muito sangue, suor e lágrimas, os FUGLY seguem o seu percurso em busca do caos e da excentricidade frenética do noise e do garage, bem como a cura para a ressaca, com o novo disco “Millennial Shit”. Os FUGLY já actuaram nos mais importantes festivais nacionais e agora chegam ao Club Souto para mais uma sessão de garage rock ao gosto dos millennials.

A abrir a noite estão as Decibélicas. Estrearam-se em Barcelos no Milhões de Festa (2018) e voltam a brindar as margens do Cávado com o seu punk contaminado, descomprometido e sujo. As Decibélicas são compostas por Leonor, Mara, Fernanda, Perdiz, Vanessa, André e Patrícia.

Depois dos concertos terminarem no CCOB, há ainda El Rabat dj set, no bar Quina Duque.

A edição de 2019 do ciclo de concertos Club Souto arrancou em grande com Dirty Coal Train, Victor Torpedo e Rusted Sun. Depois da noite de 16 de Fevereiro, o Club Souto tem uma sessão de encerramento a 1 de Março, no CCOB.

Fonte: Souto Rock

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Wrath Sins anunciam a saída do baterista Diego Mascarenhas

Os Wrath Sins anunciaram a saída do baterista Diego Mascarenhas. Após ano e meio, termina o ciclo do mesmo na banda portuense, ele que ficou encarregue da substuição de Diogo Márlon em 2017 e de Eduardo Sinatra (baterista de sessão de “The Awakening”).
A banda informa que se encontra já a trabalhar no próximo trabalho, sucessor do aclamado “The Awakening” com o novo membro com quem têm vindo a trabalhar a ser anunciado no presente mês.
A banda é um dos nomes que faz parte do cartaz do Laurus Nobilis Music Famalicão.

A imagem pode conter: 5 pessoas, pessoas em pé e barba

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Quanto mais XXXapada nos dão, mais nós gostamos disto

De há quatro anos para cá que o mês de Janeiro se tem revelado algo atribulado para os lados da capital. Escusado será dizer que o caos organizado nos é trazido pelas mãos de Sérgio Páscoa e Rita Limede, que continuam a brindar-nos, ano após ano, com a créme de la créme no que ao Grindcore e Brutal Death Metal diz respeito. A reunião desta já muito unida família aconteceu nos passados dias 18 e 19 de Janeiro e a Loudness, como não podia deixar de ser, juntou-se a este decadente convívio.

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Dia 1

As movimentações em Alvalade fizeram-se sentir desde cedo e com horários cumpridos à risca, por volta das 18h00 de sexta-feira, encontrámos já um RCA bastante composto, que mesmo tímido se revelou bastante entusiasmado para receber os madrilenos Moñigo. Olhando para o traje dos elementos da banda, podemos dizer que a coprofilia não é propriamente um tema inovador nestas andanças, embora consiga sempre mover qualquer grind-aficionado. Ainda assim, este trio mostrou-se merecedor da atenção do público e o seu goregrind o aperitivo ideal para abrir hostilidades.

Ainda de terras de nuestros hermanos, chegavam os Rato Raro, que são tudo menos estreantes em palcos portugueses e talvez por isso se possa destacar já uma sólida base de fãs deste trio. Os seus 26 anos de carreira não enganam e o carismático vocalista Toño “Alopecias Bukkake” não deixou nada ao acaso. A constante comunicação com o público e uma fórmula simples, mas forte (mesmo sem baixo), provocaram as primeiras movimentações de um público ainda tímido e desde cedo se sentiu a entropia a aumentar naquela sala.

Sem grandes demoras subiam a palco os britânicos Crepitation, que acabaram por se revelar uma das agradáveis surpresas desta edição. Chegava então a primeira dose de agressividade desmedida, sem espaço nem tempo para hesitações. O brutal death metal deste quinteto revelou-se simplesmente castigador e o público português pronto para o que desse e viesse. Foi sem qualquer tipo de pretensiosismos que nos apresentaram temas dos seus muitos splits e único álbum, “The Violence of the Slams”, entre eles “Engulfed in Enjoogulation” e “Ophthalmic Arterial Hammerage.” Para além de uma forte dinâmica de vozes, é de destacar a simpatia e boa disposição de todos os elementos da banda, fazendo com que a actuação se tornasse um dos pontos altos da noite.

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Os Meat Spreader (ou “Four Riders of Gore Punk”, segundo os próprios) encontraram já uma casa cheia e um público que ao mínimo incentivo se comprometia a causar o caos e a desordem, mesmo de estômago vazio. A banda polaca apresentou-se e a sua atitude séria em nada fazia prever que, mesmo com algumas pessoas a menos, o RCA seria devastado pela intensidade do seu goregrind bem esgalhado. Os temas escolhidos foram uma excelente demonstração do que uma banda (que inclui elementos de Dead Infection e Squash Bowels) é capaz de fazer em três anos de carreira, desde o seu “Excessive Consumption of Human Flesh” ao seu mais recente “A Swarm of Green Flies Over the Rusty Pot.”

Foi já de barriga cheia que os ânimos se voltaram a exaltar com a presença dos veteranos italianos Cripple Bastards, empenhados desde 1988 em fazer revoltar até o estômago mais resistente. O tempo voa quando nos estamos a divertir (ou então quando estamos realmente empenhados em dar mais do que levamos, algures no meio do mosh) e a setlist destes cabeças de cartaz fez render uma actuação que mais pareceu ter duas horas… e mais houvesse! Sem deixar de fora temas como “Polizis” e “Italia Di Merda”, a banda também encontrou espaço para nos dar a conhecer o seu mais recente “La Fine Cresce Da Dentro.” O ritmo alucinante não deu descanso aos presentes e, mesmo sem grandes palavras por parte do vocalista Giulio the Bastard, a dedicação e cumplicidade entre a banda e o público foram ingredientes fundamentais desde o primeiro momento.

Num cartaz deste tipo não poderiam faltar bandas da República Checa e os Epicardiectomy vieram representar a bandeira. Desde o início que a banda se demonstrou bastante contente por estar de volta, passados três anos, ao palco do XXXapada na Tromba e sem demora se comprometeu a manter a fasquia elevada no que toca à agressividade sem piedade. Foi ao som de temas do seu “Grotesque Monument of Paraperversive Transfixion” que deram a tarefa como mais do que cumprida, onde se incluiu o tema que dá título ao álbum e “Cophrophagelicious Hypoxiphilia”.

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Embora ainda não tenhamos falado da presença de duas jovens que tão bem alegraram e completaram uma série de actuações do dia, foi impossível fugir-lhes durante a actuação dos portugueses Grog. Um interessante roleplay, que envolveu freiras e bíblias, e múltiplas interacções tanto com o público, como com membros da banda, tornaram esta performance um momento memorável. Sendo já considerados uma das bandas da casa, dispensando apresentações e muito menos deixando a destruição entregue a mãos alheias, estes veteranos foram recebidos por um público ainda sedento e sem quaisquer sinais de cansaço. Com o seu último “Ablutionary Roads” ainda entre mãos, foi com “Uterine Casket” que a banda impulsionou a viajar com ela pelos seus 27 anos de carreira. A esta viagem juntou-se Sérgio Afonso, vocalista dos Bleeding Display, para acompanhar Pedro Pedra no clássico “Rotten Graves” e ainda pudemos contar com a participação do seu primeiro baterista, João Dourado, em “Cannibalistic Devourment.”

Os holandeses Inhume também eram um dos nomes mais apelativos deste cartaz, com os seus 25 anos de carreira acabados de fazer. Ora não há nada melhor do que celebrar tal data com uma viagem até terras lusitanas, com o intuito de não deixar ficar pedra sobre pedra naquela zona da capital. Mesmo tendo o seu último álbum “Moulding The Deformed” sido lançado em 2010, a banda não apresenta o mínimo vestígio de abrandamento e obrigou um público que já revelava algum cansaço a manter-se em movimento. Tal feito deveu-se também a uma setlist que assentou sobretudo na compilação lançada em 2018, “Exhume: 25 Years of Decomposition”, da qual fizeram parte temas como “Cadaverous Abortion”, “Dead Man Walking” e “Grind Culture.”

Dos Estados Unidos chegava outro nome de peso: Brodequin. Acontecia então a estreia da banda estadunidense em território português e nós tivemos o privilégio de estar lá para ver. Mesmo depois dos seus sete anos de hiato, a banda continua a ser um dos nomes mais sonantes do brutal death metal, e foi com bastante técnica e mestria que brindaram o público presente com temas dos seus três álbuns, lançados entre 1998 e 2008. Embora entregues a um público já mais calmo, o trio do Tennessee soube levar o barco a bom porto, arrancando ainda a energia que restava ao som de “Vivum Excoriari” do seu “Festival of Death.”

Quando já parecia não haver fôlego para mais, entravam em palco os Satan’s Revenge on Mankind, já com algum atraso. Desta vez deixámos passar, mas apenas porque a banda alemã se nos apresentou com trajes a rigor (aventais e máscaras de cirurgia incluídas), como se pede de uma banda de porn/goregrind. Numa actuação curta, mas intensa, os germânicos conseguiram manter o público mais resistente atento e foi ainda com algum movimento na sala que se despediram.

Dia 2

Escusado será dizer-vos que foi difícil rumar até Alvalade no dia seguinte, sobretudo depois de uma noite em que nem os mais pacíficos se escaparam de uma boa dose de pancadaria amigável e organizada. As mazelas estavam lá, mas corpo, mente e sobretudo os ouvidos pediam mais e mais, e o cartaz de sábado indicava tudo menos calmaria.

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As primeiras animosidades do dia ficariam a cargo de bandas nacionais e com o bater das 17h00 em ponto, vimos subir a palco os Annihilation. A banda tem andado na estrada e desta feita apresentou-se imponente com o seu death metal que tem tanto de técnico, como de melódico. A voz de Sofia Silva (ex-vocalista de Neoplasmah) já nos é familiar e traz uma tonalidade diferente a uma banda cuja principal missão é castigar ouvidos atentos e desatentos, no melhor dos sentidos. Temas como “Universal Dismal Collapse” e “Ascended Masters”, integrantes do álbum de estreia da banda, foram uma excelente maneira de abrir o apetite para o que se seguiria.

Ainda em representação do que melhor se faz na capital no que ao death metal diz respeito, subiam a palco os Undersave, devidamente equipados com o seu mais recente trabalho “Sadistic Iterations… Tales of Mental Rearrengement.” Sem nos comprometer, julgo que podemos afirmar também pela opinião geral, que esta foi uma das melhores prestações da banda. Começaram então desde cedo a compor alicerces para o que este segundo dia de festival nos iria trazer, com os temas “Now…Submit Your Flesh to The Master’s Imagination”, “Peacefully Floating in Prosperous Abyss” e “Press With Both Hands Hold Your Breath and Collapse.” Tocaram apenas quatro temas, mas foi quanto bastou para demonstrarem aquilo de que é feita uma banda de brutal death metal onde as influências oldschool não são deixadas ao acaso.

A primeira banda internacional a actuar no segundo dia de festival seriam os Hymenotomy. Até podíamos dizer que não sabíamos o que esperar, mas um projecto recente cujo único álbum lançado tem como título “Some Necrophiles Having Sex with Naked Autopsied Bodies in the Morgue”, facilita-nos bastante a tarefa. Com uma atitude descontraída, este trio introduziu-nos ao brutal death metal da Estónia, e com ele viram-se abrir os primeiros circle pits do dia.

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Os UxDxS (ou poderemos chamar-lhes cavalheiros da Dinamarca) vieram de Copenhaga e trouxeram as primeiras movimentações sérias ao ritmo do seu grindcore violento. Uma atitude determinada e passo rápido marcaram a estreia da banda em solo nacional e, mesmo com uma actuação encurtada, todos se sentiram embalados pelos temas do seu “Too Fast For Love” e do mais recente lançamento “#Altingvildere.”

Tanto no primeiro, como no segundo dia, muito bem representado nesta edição esteve o nosso país irmão, como viriam a demonstrar os veteranos Tu Carne. Contam já com 22 anos de carreira e inúmeras aparições em solo português. O vocalista apresentou-se em palco com uma máscara de porco, combinando a rigor com a sonoridade goregrind e uma atitude algo intimidante. Com uma discografia de fazer inveja a muitos, não faltaram temas orelhudos, incluindo os integrantes do seu mais recente trabalho “Acumulación de Cadáveres.”

Depois de uma curta pausa para jantar, encontrámos um RCA à pinha e um público em pulgas para receber outro dos nomes mais esperados deste cartaz. A sua primeira visita a Portugal remonta a 2006, como parte integrante do SWR Barroselas Metalfest, por isso a expectativa era mais que muita para voltar a ver num palco nacional os germânicos Gut. No activo desde 1991 e considerados por muitos os pioneiros do pornogrind a nível internacional, a banda marca a diferença pela combinação do grind com um compasso mid-tempo que, acompanhado pelo universo mórbido e decadente das letras, consegue agradar tanto a ouvidos ingénuos, como também aos mais exigentes. O baterista Tim Eiermann não deixou de fora o contexto histórico e temporal de cada tema e a interacção entre a banda e o público foi constante, o que apenas contribuiu para que o rácio de pessoas no ar vs. pessoas no chão aumentasse e o circle pit se tornasse mosrtífero. Numa setlist de luxo, pudemos contar com temas como “Anus Anubis”, “Perpetual Sperm Injection”, “Fisted on The Dancefloor” e a mítica “Cripple Bitch”, mas também com temas novos, como foi o caso de “Disciples of Smut.” Sem dúvida, uma das actuações mais marcantes deste festival.

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Sem tempo para nos recompor, sentiu-se uma entrada a pés juntos logo de seguida, com o slamming brutal death metal dos nossos Analepsy. Sendo também já uma presença assídua no palco do XXXapada na Tromba, estes meninos nunca desiludem, ou não fossem eles uma das bandas portuguesas com maior destaque a nível internacional neste momento. As acções valem mais do que as palavras e por se apresentarem em palco com a mesma vontade e dedicação que demonstram desde início, continua a ser impossível apontar-lhes o dedo, actuação após actuação.

Mais uma vez apresentaram-nos uma setlist recheada de coisas boas e entre elas encontrámos temas como “Colossal Human Consumption”, “Vermin Devour” e “Witnesses of Extinction.” Houve ainda tempo para que nos apresentassem dois novos temas (um deles ainda sem título), o que só nos deixou com o bichinho atrás da orelha relativamente ao seu próximo trabalho. Pela segunda vez vimos Sérgio Afonso subir ao palco, desta feita para participar no conhecido tema “Genetic Mutations.”

Começava então a revelar-se complicado não só superar, como manter a fasquia elevada no que ao desempenho das bandas dizia respeito. Ainda assim, os italianos Devangelic mostraram-se à altura e em nenhum momento se revelaram desarmados perante o público, sobretudo se tivermos em conta que a banda se apresentava armada até aos dentes com o seu brutal death metal, feito num tom ligeiramente mais tradicional, que facilmente nos transporta para os clássicos dentro do género. Com eles trouxeram temas de “Phlegethon”, lançado em 2017, mas também alguns temas do seu álbum de estreia “Ressurection Denied.”

Também entre os nomes mais aguardados da noite estavam os holandeses Prostitute Disfigurement. Embora sejam já repetentes no festival, em nada desfalcaram as expectativas do público que se voltara a aglomerar em força à frente do palco, pronto para mais umas voltas no circle pit. Bem pelo contrário, com a experiência e dedicação de uma banda com dezoito anos de carreira e cinco álbuns no repertório, aquela actuação acabou por se revelar uma das mais demolidoras daquele dia. Durante 45 minutos fomos habilmente guiados pela discografia da banda, mas entre os momentos mais marcantes ficam as cinco novas músicas que nos apresentaram naquela noite, a integrar o seu próximo álbum homónimo.

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Quando achámos que o assunto seria dado por encerrado chegavam os Serrabulho, sempre prontos para relembrar à malta como se faz a verdadeira festa à portuguesa, pelo menos quando inserida no panorama do happygrind. Uma banda a que já conseguimos perder a conta de quantas vezes a vimos tocar ao vivo, mas uma coisa é certa, vale sempre a pena. Outra coisa a que conseguimos perder a conta, foi ao número de personagens em palco, entre elas uma freira demoníaca, um Leatherface desengonçado, um palhaço pouco tímido e tantos outros, onde tão bem se enturmaram as inúmeras vaquinhas (sim, estão a ler bem) que faziam parte do público desde o primeiro dia. Foi então que entre toucas de banho, comboios e (muita) espuma de almofada, se fez a apresentação do mais recente álbum deste colectivo, “Porntugal (Portuguese Vagitarian Gastronomy)”, com os temas “Ela Fez-me Um Grão de Bico” e “Dingleberry Ice Cream.” No entanto, foi com um coordenado Ass of Death (um wall of death cujo objectivo é juntar rabinhos) e temas como “Sweet Grind O’Mine” e “Quero Cagar e Não Posso” que os presentes demonstraram ainda ter energia para dar e vender. O tema “B.O.O.B.S” contou ainda com a participação de Sérgio Páscoa (e seu bandolim), que se viria a juntar a Rita Limede no final da actuação para nos anunciar que esta poderia ser a última edição desde festival, pelo menos nos moldes em que conhecemos.

Para dar continuidade a uma festa que não demonstrava qualquer sinal de querer abrandar, subiam a palco os Pornthegore ou, citando os próprios, “probably the worst pornogoregrind band in the world.” Deixando a decisão de serem os piores ou os melhores na mão dos fãs, podemos apenas dizer que, mesmo com o adiantar da hora e constante amasso colectivo, a banda romena conseguiu manter a fasquia elevada. Foi então por entre fraldas e tutus que nos introduziram aos “The Impalling Rites of Count Dickula”, álbum lançado há menos de um ano e do qual fazem parte os temas “Count Dickula” e “Red Beard, Small Cock” ouvidos naquela noite. Ainda que não se possa equiparar esta pequena quermesse ao convívio caótico vivido com Serrabulho, não deixou de ser uma excelente maneira de encerrar esta edição do festival.

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Mais uma vez, todo o reconhecimento deve ir para o esforço e dedicação da organização, que ano após ano traz até Portugal não só alguns dos maiores nomes da história do grind e brutal death metal, como também algumas novidades e iguarias inesperadas para os ouvidos mais requintados. Isto tudo sem deixar de referir o ambiente freak-friendly e completamente descomprometido que ali se vive.

Quanto mais XXXapada nos dão, mais nós gostamos disto, e é por isso mesmo que o XXXapada na Tromba já tem datas para 2020. Ao contrário do que poderíamos pensar, o conceito deste festival está vivo e de boa saúde. A família grindcoriana tem então encontro marcado para os dias 17 e 18 de Janeiro, ainda com localização a definir.

“XXXapada is Love, XXXapada is Family.”

Galeria Completa AQUI
Fotografias de Andreia Vidal
Texto de Andreia Teixeira

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Raio-XIS visita em pormenor Gwyn Ashton

O “consultório” de hoje trás “one band man” Gwyn Ashton.  O lançamento do seu álbum a solo “Solo Elektro” criou a oportunidade para uma “conversa” online e respostas ao nosso Raio-XIS por forma a conhecermos ou reconhecermos melhor o músico.

Esperamos que gostem.

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1. Qual o seu percurso musical?

Acho que nasci para ser um músico itinerante. Cresci na estrada, e aos 15 anos já tinha mudado de casa 28 vezes e de escola 21 por toda a Austrália. Conheço bem a estrada! Toquei em muitas bandas com grandes músicos, uns famosos outros nem tanto. O importante foi ter crescido e me ter tornado melhor naquilo que faço e encontrar a minha voz no meio de tudo; ser reconhecido após tocar apenas algumas notas é o meu objectivo a longo prazo.

Eu e a minha família mudámos-nos para o Reino Unido na década de 60. Comecei a tocar guitarra aos 12 anos em Whyalla, Sul da Austrália. Mudámos-nos para a cidade de Adelaide, entrei numa banda e 8 anos depois mudámos-nos para Sydney. Durante os 7 anos em Sydney toquei em várias bandas como o ex cantor dos Easybeats Stevie Wright e o Swanee, irmão do Jimmy Barnes dos Cold Chisel. Quando nos mudámos para Melbourne formei as minhas bandas e toquei com o antigo vocalista dos Master’s Apprentices, Jim Keays. Gravei em dois dos álbuns dele e 5 anos mais tarde mudámos-nos para o Reino Unido onde estou agora em turnê. Na Austrália tive grandes momentos em palco com artistas como o Mick Flettwood e abri concertos para muita gente incluindo o Junior Wells e o Rory Gallagher.

No final da década de 90 assinei com a Virgin Records em França e dei uns grandes espectáculos por toda a Europa com artistas como o Buddy Guy, BB King, Ray Charles, Van Morrison, Robin Trower, Mich Taylor, Peter Green e tantos outros. Toquei em todos os palcos do Reino Unido com os Status Quo, incluindo Wembley. Depois gravei com a banda do Rory Gallagher no meu álbum ‘Fang It!’ e uns anos mais tarde gravei o ‘Prohibition’ com o Chris Glen, Ted KcKenna e Don Airey. A seguir foi o ‘Radiogram’, onde o Don também tocou com o Kim Wilson, Robbie Blunt e Mark Stanway ex Fabulous Thunderbirds, Phil Lynott e Robert Plant. Uma senhora lista de géneros para um só disco.

Ao longo dos anos toquei de improviso com o compositor dos Cream, o Peter Brown na cave dele no norte de Londres, em Los Angeles com os BB, com o baixista da Aretha Franklin Jeery Jermott e com o baixista dos Vanilla Fudge/Cactus, e com o Tim Bogert na garagem dele. Fiz uns espectáculos acústicos com o Marc Ford dos Black Crowes e em estúdio toquei num estilo slide guitar[i] numa das músicas dele. Toquei num espectáculo em que uma das cinco pessoas lá era o Robert Plant! Até o Jackson Browne estava num dos espectáculos que eu dei há um par de anos. O que eu adoro na música é que ela tem o poder de juntar as pessoas.

[i]  é uma forma de tocar guitarra, em que se utiliza no dedo médio, anular, mínimo ou indicador (este último menos comum), um pequeno tubo oco cilíndrico, feito de metal, vidro ou cerâmica.

2. Como caracteriza o seu projecto?

Tento ser diferente em todos os projectos, mantendo o elemento da surpresa, por isso experimento com géneros diferentes e diferentes alinhamentos ao ponto de ser o homem dos sete ofícios. É como se fosse uma alternativa aos concertos de blue experimentais psicadélicos e progressivos. O álbum Solo Elektro foi totalmente gravado ao vivo em quatro faixas tornando-se extremamente ambicioso para o fazer soar tridimensional quando tens apenas um tipo a tocar tudo ao mesmo tempo num mono ambiente. O processo de mixagem teve de ser muito criativo.

3. Referências do mundo da música?

Os blues vão sempre ser o alicerce de tudo o que fizer. Combinar os blues com outra música é a chave para o meu próprio crescimento porque reconheço de onde venho, quem sou e quem não sou. Gosto da energia desta forma de arte primitiva, ouço jazz e world music e gosto da energia da dance music e da música electrónica. Quando toco uma música rock uso a minha bateria para impor o ritmo de festa. Também gosto de tocar guitarra acústica, ao estilo Weissenborn e bottleneck side num ressonador nacional de aço com um pedal de percussão. Tudo depende do humor da plateia e do local.

4. Quais são os seus filmes/livros favoritos?

Gosto de ler autobiografias e ver filmes de artistas de jazz e blues. Não leio muito, mas acho fabuloso o livro Muddy Waters, apresentado pelo meu amigo teclista Lou Martin (RIP). O Lou tocou com o Rory Gallagher nos anos 70 e nos anos 90 fizemos turnês juntos com a Band of Friends, a banda de apoio dele. Adoro os filmes Buddy Holly Story, Gene Krupa Story e Benny Goodman Story. Também gosto da Twilight Zone original e sou um ávido coleccionador de filmes a preto e branco de ficção cientifica e terror! Também fazem parte da minha colecção cartoons dos anos 50.

5. O que o encanta no mundo enquanto artista?

Gosto da música ser uma linguagem universal e quando viajo consigo sempre comunicar sem ter de usar palavras. Deixa-me feliz conseguir que os outros esqueçam os problemas durante umas horas. Já todos ouvimos isto antes, mas a música é de facto curativa.

6. Se a sua música pudesse mudar alguma coisa na mentalidade das pessoas o que gostaria que fosse?

Gostava que a minha música fizesse esquecer de políticas e stress, guerras e ódio. Olhamos todos uns pelos outros e partilhamos todos a vida e com os animais que habitam o planeta connosco, a razão pela qual sou vegetariano. A música consegue juntar-nos.

7. Onde gostaria de tocar ao vivo?

Gosto de tocar em qualquer parte do mundo e para quem me queira ouvir. Os meus heróis todos tocaram na rua e em juke joints. Gosto de tocar tanto para grandes plateias como para pequenas. Acho que seria muito fixe tocar no Madison Square Garden ou no Carnegie Hall, mas o mais importante é ao longo do tempo viver da minha honesta criação musical e tocar e compor cada vez melhor.  Se pessoas suficientes gostarem do que eu faço a ponto de pagarem para me ver e ouvir então consigo sobreviver feliz e pensar que isso é sucesso real

8. Quais os seus projectos para o futuro?

Para o ano planeio lançar um álbum duplo que gravei há uns tempos com um baterista em Adelaide. Ele tocou com o ex AC/DC Bon Scott em 1971. É um álbum bastante cru e moderno. Mas não quero revelar tudo agora, depois dou mais notícias. Estou a trabalhar num álbum acústico e num projecto para uma banda de blues elétrico. Tenho montes de músicas a sair e muitas já gravadas. E tenho material suficiente para outro álbum solo e para álbuns de trio ao vivo. Ter um estúdio móvel permite que eu grave todas as minhas ideias conforme queira, além disso gosto de manter as minhas gravações cruas, old school, não gosto de gravações demasiadamente produzidas.

9. Descreva-se numa palavra

Exausto.
Mas com um missão!

 

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Apresentação do álbum de estreia “Translucent”

Galeria completa AQUI
Fotografias de Luis Azevedo

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Uburen [Norway]+Anifernyen + Espectro @ Metalpoint – Porto 2018

Galeria completa AQUI
Fotografias de Luis Azevedo

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Coven, em concerto exclusivo, na 7ª edição do Woodrock Festival

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Os Coven, liderados por Jinx Dawson, são uma banda de culto, virada para o oculto ainda antes de bandas como os Black Sabbath emergirem, fazendo deles pioneiros na temática e também em muito do que estaria para vir.

Foram os primeiros a usar o “sign of the horns” no contexto musical, gesto proliferado para todos os recantos do mundo, e visível actualmente em qualquer concerto de rock ou metal, cuja origem é atribuída erroneamente a Ronnie James Dio.

O concerto da banda na Praia de Quiaios integra a tour europeia de celebração dos 50 anos do seu primeiro álbum: “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls.”

É a 7ª confirmação, juntando-se a nomes como Linda Martini ou os ingleses Church of The Cosmic Skull, deixando ainda por revelar mais 7 nomes nacionais e internacionais.

O Festival realiza-se de 18 a 20 de Julho e o pass geral (que inclui estadia no Parque de Campismo de Quiaios) pode ser adquirido nas lojas Fnac, Worten e CTT ou online em: https://woodrock.bol.pt/ .

A NOSSA PRAIA É O ROCK!!!!

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Formados no final dos anos 60 nos Estados Unidos, pouco antes dos Black Sabbath na Inglaterra (coincidentemente eles tinham um baixista chamado Greg “Oz” Osborne), apesar do som não ser tão pesado, chamavam a atenção pelas letras satânicas, cantadas pela líder e vocalista Esther “Jinx” Dawson.

O disco de estreia, “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls” é considerado um dos mais satânicos da história, principalmente se considerarmos a época em que foi lançado, em 1969…

Outro facto curioso é que a música que abre o disco tem o nome de “Black Sabbath” – que passava despercebida por entre outros temas como “Pact with Lucifer”, “Choke, Thirst, Die”, “Dignitaries of Hell” e “Satanic Mass”.

Depois de “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”, ainda lançaram pérolas como “Coven” (1971), “Blood on the Snow” (1974), “Metal Goth Queen: Out of the Vault” (compilação, 2008 e “Light The Fire” (EP, 2016).

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